Conferência A
19/05/09 : 16:30 - 18:15
Auditório Sônia Viegas
Sophie Houdart (Paris X/CNRS)
Tradução simultânea
Faire science ailleurs. Ethnologie d’un laboratoire japonais.
Comment être Japonais et scientifique ? Comment s’inscrire si véhémentement, au cours de l’histoire moderne, dans la spécificité, la localité, pour tout dire la revendication culturelle, et participer si manifestement au cours de la science, que l’on dit « sans frontière » ? Comment appartenir à l’un et à l’autre mondes (le grand, promis par l’universel scientifique, et le petit, inscrit dans le local) ? Sur quelles bases ? Suivant quelles modalités ? Ces questions, conçues comme de véritables paradoxes ontologiques, sont quelques-unes de celles auxquelles des scientifiques japonais tentent de répondre, dans leur activité quotidienne, dans un laboratoire de biologie japonais au milieu des années 1990. Sur la base d’une ethnographie intensive menée dans ce laboratoire, je me propose de réfléchir aux enjeux, qui sont entre autres des enjeux identitaires, d’une pratique scientifique qui n’est au final uniformisée qu’en apparence. Dans cette enquête, le « Japon », sa science, plus largement sa faculté d’innovation, se posent en opposition et en marge de l’Occident. La pratique scientifique s’y définit moins comme une pratique universelle, issue d’un mode de raisonnement et d’expérimentation formels, que comme une pratique internationale qui oblige à composer avec l’histoire et la culture du pays, avec une certaine conception de la nature, du savoir ou de l’autorité. Je tenterai de montrer comment le laboratoire japonais offre une version de la science et sa pratique, qui déjoue profondément les présupposés sur lesquels repose la version occidentale.
Fazer ciência alhures: etnologia de um laboratório japonês
Como ser japonês e cientista? Como se inscrever de forma tão veemente, durante a história moderna, na especificidade, na localidade, em resumo, na reivindicação cultural, e participar tão manifestamente do desenvolvimento da ciência, dita “sem fronteira”? Como pertencer a um e a outro mundo (o grande, prometido pelo universo científico, e o pequeno, inscrito no local)? Sobre quais bases? Segundo quais modalidades? Essas questões, concebidas como verdadeiros paradoxos ontológicos, são algumas daquelas que os cientistas japoneses tentam responder em sua atividade cotidiana, num laboratório de biologia japonês em meados dos anos 90. Tendo por base uma etnografia intensiva conduzida nesse laboratório, proponho-me a refletir sobre os desafios, que são, entre outros, desafios identitários, de uma prática científica que afinal não é uniformizada senão em sua aparência. Nesta pesquisa, o “Japão”, sua ciência, e de maneira mais geral sua faculdade de inovação, se colocam em oposição e à margem do Ocidente. A prática científica aí se define menos como uma prática universal, originária de um modo de raciocínio e experimentação formais, do que como uma prática internacional que obriga a compor com a história e a cultura do país, com certa concepção da natureza, do saber ou da autoridade. Tentarei mostrar como o laboratório japonês oferece uma versão da ciência e de sua prática que desfaz profundamente os pressupostos sobre os quais repousa a versão ocidental.