Mesa 5
22/05/09 : 14:00 - 16:30
Auditório Sônia Viegas
Culturas científicas e outras culturas
- Ruben Caixeta de Queiroz (debatedor | PPGAN/UFMG)
- Bernardo Oliveira (FAE/UFMG)
Cultura científica: um exame a partir de algumas de suas variantes históricas
Os esforços de divulgação e educação cientifica que vem sendo desenvolvidos progressivamente nos últimos anos têm como seu principal objetivo a promoção da cultura científica no Brasil. Mas no que consiste tal cultura científica? Em que medida ela se diferencia da noção de “mentalidade científica” e de “espírito científico” que foram almejados em outros momentos da história brasileira? Nesta comunicação pretendemos discutir a noção de cultura científica a partir da comparação das concepções de 3 importantes expoentes dessas idéias: Miguel Osório, um dos principais porta-vozes da Academia Brasileira de Ciências da década de 1920; Anísio Teixeira, o grande reformador da educação brasileira dos anos 1930 a 1960; e Calos Vogt, dirigente de agências e instituições acadêmicas do Estado de Sao Paulo e formulador de políticas de difusão científica.
- Jayme Aranha Filho (PPGSA/UFRJ)
Museus de história natural em duas câmeras
O modelo geral dos museus de história natural que encontramos hoje data de pouco mais de um século. Já bem estabelecidos como centros nervosos da produção de conhecimento sobre a natureza e a biogeografia das nações no século XVIII, eles atravessaram uma transformação crucial a partir da segunda metade do século XIX (e que alguns só viriam a adotar um século depois). É então que as coleções científicas – as séries de espécimes naturais arrebanhadas e ordenadas por gerações e que constituem o ‘núcleo duro’ dessa usina – são dividas em duas categorias, as de pesquisa e as de exibição, e são separadas as áreas de exposição pública e a de reserva técnica. No caso do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que analiso, esta transição só se deu efetivamente em meados do século passado. Esta mutação histórica implica em rearranjos em vários níveis, mas eu gostaria, nesta exposição, de destacar algumas das suas implicações para os regimes de visualidade. Para tanto, pretendo explorar as aproximações possíveis entre a instauração dessa distinção e a descontinuidade quanto às concepções do que é ‘observador’ e dos modelos de visão que J. Crary, em um ensaio logo famoso, sugere teria ocorrido no início do século XIX, e que faz, ao contrário das interpretações tradicionais, a câmera obscura se distinguir radicalmente da fotografia e do cinema que depois se desenvolverão.
- José Antonio Kelly (MN/UFRJ)
Algumas reflexões sobre equívocos entre médicos, o Estado e os Yanomami do Alto Orinoco, Venezuela
O presente ensaio toma como ponto de partida uma reunião entre representantes do Ministério da Saúde e indígenas -- entre eles, os Yanomami -- realizada em 2002 para discutir alguns dos equívocos construtivos e limitantes que caracterizam a relação entre médicos (não-indígenas), seus procedimentos e medicamentos, e os Yanomami e suas comunidades. O ensaio procura colocar as perspectivas indígenas e não-indígenas em relação de mediação direta seguindo os preceitos metodológicos propostos por Roy Wagner e Eduardo Viveiros de Castro, explorando o potencial analítico do conceito de "equívoco controlado" (Viveiros de Castro, 2004)