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A Antropologia
Desde a década de 60 a Universidade Federal de Minas Gerais, então Universidade de Minas Gerais, oferece regularmente disciplinas de Antropologia Social ou Cultural. Antes da Reforma Universitária de 1968 essas disciplinas faziam parte, em sua maioria, do curso de graduação em Ciências Sociaise do curso de graduação em Sociologia e Política. O primeiro formava licenciados e funcionava na Faculdade de Filosofia, enquanto o segundo outorgava o título de bacharel e funcionava na Faculdade de Ciências Econômicas. Em 1966, às vésperas da Reforma, eram lecionadas disciplinas de Antropologia em doze cursos de nível superior, sete deles dados no âmbito da Universidade. Essas disciplinas envolviam, então, mais de 500 alunos da casa, sendo quase 800 o total de alunos matriculados nas doze disciplinas.
O final da década de 60 foi fundamental para a institucionalização das Ciências Sociais nos quadros da UFMG. As condições e opções políticas, intelectuais e institucionais que marcaram a criação da FAFICH (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas) e a Reforma Universitária foram decisivas para delimitar os espaços que, a partir de então, a Antropologia viria a ocupar nesta Universidade.
Com a Reforma Universitária, o curso de Ciências Sociais foi fundido com o de Sociologia e Política. Essa fusão resultou num único curso que abrigava, com participação nitidamente diferenciada, as especialidades da Antropologia, da Sociologia e da Política. Assim, foi mantido o título mais genérico de Ciências Sociais; como também foi mantido o predomínio mais específico das áreas de Sociologia e de Política, o qual se expressava, por exemplo, na própria grade curricular do curso de graduação, que destinava uma carga horária maior para as disciplinas de Sociologia e Política. Esse predomínio não estava restrito ao curso de Graduação em Ciências Sociais, tendo se consolidado, entre outras coisas, através da criação do Mestrado em Ciência Política, oficializada em 1970, do Mestrado em Sociologia, constituído dez anos depois, e do Doutorado em Ciências Humanas: Sociologia e Política, criado em 1993.
Esse predomínio não impediu que os professores de Antropologia da UFMG contribuíssem regularmente com as áreas de Sociologia e Política, seja através da condução de cursos de graduação e pós-graduação, na UFMG e alhures, que contribuíram para "complementar" a formação de sociólogos e cientistas políticos, seja mediante a realização de pesquisas que envolveram professores de diferentes áreas ou através da participação direta na própria administração dos cursos em questão. Assim, por exemplo, professores de Antropologia participam ativamente, desde sua criação, em 1980, da área de concentração em Sociologia da Cultura do Mestrado de Sociologia da UFMG. Essa participação se dá através da oferta regular de disciplinas optativas para o Mestrado de Sociologia e da atuação na própria administração do curso, na condução dos seminários de tese, nas bancas examinadoras de Dissertação e nas bancas de seleção de novos alunos. Cabe destacar que os antropólogos participantes do Mestrado em Sociologia orientaram, até o momento, cerca de vinte e cinco dissertações de Mestrado, as quais incorporam total ou parcialmente a perspectiva e as preocupações teórico-metodológicas da Antropologia. Além disso, desde a criação do Doutorado em Ciências Humanas: Sociologia e Política, este programa conta com a participação de professores de Antropologia em seus quadros, os quais, inclusive, orientam teses em elaboração.
A Arqueologia
A Universidade Federal de Minas Gerais contratou, em 1975, o arqueólogo André Prous para montar um centro de pesquisas arqueológicas. A primeira atividade realizada foi um curso de Extensão em Arqueologia, depois do qual foram contratados mais três pesquisadores. Lotados no Museu de História Natural da UFMG, esses quatro pesquisadores, professores do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMG, formaram o Setor de Arqueologia, então concebido como núcleo inicial de um futuro Museu do Homem de Minas Gerais (projeto em cuja elaboração participou Darcy Ribeiro). O projeto do Museu do Homem, tal como fora concebido por Darcy Ribeiro, não foi adiante, mas o Setor de Arqueologia, em convênio com a Missão Arqueológica Franco-Brasileira de Minas Gerais, consolidou sua atuação nos campos do ensino, da pesquisa e da divulgação, tendo se tornado rapidamente um dos centros de treinamento e pesquisas em Arqueologia mais ativos do País (entre outras coisas, o Setor de Arqueologia publica os Arquivos do Museu de História Natural e guarda uma das principais coleções de esqueletos da chamada "raça de Lagoa Santa", referência internacionalmente reconhecida para o estudo das primeiras levas de imigrantes nas Américas). Por conta de sua inserção institucional na UFMG e de afinidades temáticas e teóricas, os professores de Arqueologia têm mantido uma relação de proximidade e diálogo com os de Antropologia desde que vieram para a UFMG.
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