Davi

“Bom dia, Davi”
Como todo vovô, Davi já não escuta tão bem e por isso você tem que chamá-lo bem alto. Mas então ele acorda e parece que o surdo é você, pois ele vai miar copiosamente tentando chamar sua atenção. Vai levantar, sentar-se no chão e com seu miado rouco vai te contar como foi sua noite. Depois vai andar até a vasilha de comida e vai dizer “cadê meu patê?” ainda com voz de quem acabou de acordar.
Davi não tem dentes devido a uma condição fisiológica e por isso o patê renal é precioso para ele. Depois de encher a barriga, ele vai voltar a conversar com você agora com sua voz normal, grave, preguiçosa.
Ele está pedindo carinho e claro, ele irá recebê-lo. Mas ele é quem vai escolher o local. Vai andar devagarzinho e se deitar no lugar de escolha. Ele espera que você massageie suas costas por pelo menos meia hora. Aí ele vai dormir.
Durante a hora do cochilo do Davi você pode fazer o quiser, colocar um rock no volume máximo, chamar a marchinha de 7 de setembro pra desfilar na sua casa, ele não vai acordar. Mas dessa vez não é por não estar escutando, mas por preferir não escutar. Dizem que gente idosa só ouve o que quer. Não sei se é verdade, mas se for, o Davi não é exceção.
Ele vai dormir e acordar somente quando quiser e, ao que parece, ele está no direito dele.
Mas não pense que o Davi é resmungão. Na verdade, ele detesta desentendimentos. Quando há um “climão” no ar entre dois gatos que não se gostam, ele faz questão de ignorar os rosnados, entrar no meio deles dois e… dormir!
O Davi precisa de medicamentos e seu tratamento é para o resto da vida, por isso se precisa de alguém que o apadrinhe. Tenho certeza que ele vai ficar muito grato em ter seu delicioso patê todo dia.

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