Histórico


A preocupação com o ensino de Comunicação Social em Belo Horizonte remonta ao final dos anos 50. Em 1957, a proposta de criação de um curso de Jornalismo obteve um parecer desfavorável da Faculdade de Filosofia da UMG, sob a alegação paradoxal de que o nível da imprensa mineira era muito baixo e não justificava tal proposta. Outro problema era a concepção, naquela época entre intelectuais e profissionais, de que o jornalismo era dom, algo que não podia ser aprendido.

A primeira iniciativa partiu do jornal O Diário, da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte, que organizou no início da década de 1960 um curso sobre a prática do jornalismo. Com duração de três meses, o curso foi ministrado em salas cedidas pela Faculdade de Filosofia da UMG e as 30 vagas que oferecia foram objeto de muita procura. Este, entre outros fatores, começava a refletir a preocupação com a formação profissional por parte de alguns veículos da época.

A grande procura por este curso motivou a UMG a retomar as discussões sobre a possibilidade de implantar um curso regular de graduação em Jornalismo. O professor Arthur Versiani Vellôso, então diretor da Faculdade de Filosofia, teve argumentos para ressuscitar o projeto em 1960 que, dessa vez, contou com acolhida favorável da Congregação da Faculdade. Foi levantada nesta ocasião a proposta de participação do Sindicato dos Jornalistas na criação do curso.

Em assembleia convocada pelo Sindicato foram indicados os jornalistas José Mendonça, Anis José Leão e Adival Coelho de Araújo para representarem o meio profissional na comissão de constituição do curso. Na elaboração do currículo, a comissão analisou várias experiências de ensino na área, como as da Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo; da Faculdade Nacional de Filosofia, do Rio de Janeiro, e as de países como a Argentina, Cuba e a França. Segundo Anis Leão, a intenção era analisar essas experiências e montar um currículo que, sem “descuidar do humanismo, pusesse ênfase na parte de redação, de técnica de jornal”.

No final de 1961, após várias modificações, foi aprovada a criação do Curso, que entrou em funcionamento em março de 1962.  Na seleção dos professores para o novo curso foram aproveitados docentes da própria Faculdade de Filosofia – para a área de fundamentação geral -, enquanto os da área técnica foram recrutados no mercado de trabalho, a partir de indicações do Sindicato dos Jornalistas.

As três primeiras turmas que ingressaram no recém criado Curso de Jornalismo (1962, 1963 e 1964) tiveram a duração de três anos. A partir de 1965, a duração passou para quatro anos. Em 1968, com a reforma universitária foi criado o Departamento de Comunicação. Pela primeira vez, um docente da própria área foi indicado para coordená-lo. A escolha recaiu no professor José Mendonça que o dirigiu de 1969 a 1974. Nesta época o curso passou a ser polivalente, ou seja, capacitava o aluno a atuar nas áreas de Jornalismo; Publicidade e Propaganda; Relações Públicas.

Em 1975, o curso polivalente foi suprimido, dando lugar a uma subdivisão do curso em três habilitações e em 1985, o curso foi reformulado por força da Resolução 02/84 do CFE e passou a contar também com a habilitação Radialismo (Rádio e TV).

No ano 2000, o curso passou a experimentar de forma pioneira um novo currículo que flexibilizou o percurso acadêmico dos alunos. O objetivo foi possibilitar aos discentes a oportunidade para que desenvolvessem habilidades e competências mais próximas ao seu perfil e seus interesses.

Na reforma curricular introduzida a partir de 2010, o curso manteve um núcleo básico e outros específicos de áreas profissionalizantes e possibilitou efetivo trânsito entre as áreas de formação. A organização do conteúdo mais geral ficou centrada em dois eixos: Mídias e Linguagens e Processos Sociais da Comunicação.  E esses eixos atravessavam quatro domínios de formação (Teorias Comunicacionais; Processos Jornalísticos; Criação e Análise Verbo-visual; Comunicação Estratégica).

A partir do primeiro semestre de 2016, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, antes habilitações dentro do curso de Comunicação Social, sofreram reestruturações para que fossem oferecidos como cursos autônomos, conforme decisão do Conselho Nacional de Educação. O curso manteve a flexibilidade e a articulação de parte de seu projeto pedagógico entre as outras antigas habilitações. O discente tem disciplinas introdutórias e, a partir do 3º período, além das disciplinas de seu percurso, pode transitar pelas de outros cursos da área de Comunicação Social e outras áreas de conhecimento.