No final da década de 1950, num período em que a seleção de jornalistas se dava pela indicação de amigos ou influência política e a exigência do diploma não era cogitada, o jornal "O Diário", em Belo Horizonte, atravessava um momento de expansão. O periódico precisava recrutar três novos jornalistas e teve a iniciativa de fazer um curso rápido, de três meses, com disciplinas básicas para o exercício da profissão, como Redação jornalística e Técnica de jornal.
Inscrições abertas para o curso informal, para surpresa de todos, candidataram-se cerca de trezentos rapazes, quando estavam previstas apenas 29 vagas. Foi pedido à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de Minas Gerais, localizada até então no Edifício Acaiaca, que cedesse no período da noite, salas para que o curso pudesse ser ofertado, o que foi prontamente atendido pelo diretor da unidade na época, o professor Arthur Versiani Velloso.
Professor José Mendonça conta sobre o curso rápido de jornalismo promovido por "O Diário".
A demanda para esse mini curso superou as expectativas e verificou-se que havia espaço e alunos em potencial para a criação de um Curso de Jornalismo na Universidade. Nesse momento, o professor Velloso avisou ao sindicato dos jornalistas que a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras pretendia criar um curso na área. Coube ao sindicato indicar alguns sócios para colaborar na estruturação do currículo, já que não havia um modelo definido pelo Conselho Nacional de Educação.
Essa tarefa ficou a cargo de Adival Coelho de Araújo, Anis José Leão e José Mendonça, que com a experiência profissional, consultaram currículos de vários países em que o Curso de Jornalismo já estava consolidado e montaram uma proposta, que foi apresentada à Congregação da Faculdade. Aquele seria o quarto curso no país. Havia o da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, o da Faculdade Casper Líbero, em São Paulo, e o da Universidade do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
Na ocasião, houve muita resistência à criação no novo curso, principalmente por parte do setor de Letras. Para se ter uma idéia, numa ação anterior, em 1957, uma proposta de criação de Curso de Jornalismo proposta por José Carlos Lisboa chegou a ser rejeitada, sob a alegação paradoxal de que o nível da imprensa de Belo Horizonte era tão ruim que não comportaria a criação de um curso superior. Ao final de 1961, o currículo formulado por Mendonça, Anis e Adival foi “mexido, remexido”, e finalmente aprovado pela Congregação da Faculdade.
Professores Anis Leão e Adival Coelho falam sobre o professor Eduardo Frieiro, que se opunha à criação do Curso de Jornalismo.
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