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HISTÓRICO

            Com uma conferência sobre Tommaso Campanella proferida pelo prof. Arthur Versiani Velloso, foi fundada, no dia 21 de maio de 1939, a Faculdade de Filosofia, que depois se incorporou à Universidade de Minas Gerais. Desta faculdade fazia parte o curso de Filosofia e diversos outros cursos dedicados às ciências básicas, às letras e à educação. A inauguração em Belo Horizonte de um ensino superior para além do já tradicional trio Engenharia, Medicina e Direito, ou seja, de um lugar para o estudo de disciplinas básicas, foi fruto do sonho de alguns visionários. O professor Velloso (1), além de fundador da Faculdade, foi por muito tempo a alma do curso de Filosofia, formando os primeiros alunos que depois se tornaram mestres (entre outros, José Henrique Santos e Luiz de Carvalho Bicalho), e colocando não só o curso de Filosofia, mas toda a Faculdade sob os auspícios de Kant, na admiração do céu estrelado acima de nós e da lei moral dentro de nós.
            A Faculdade de Filosofia foi primeiramente instalada na Casa d’Itália, à rua Tamoios, dividindo-se depois os cursos entre o Colégio Marconi e o Instituto de Educação. Em seguida, todos os cursos se reuniram em alguns andares do Edifício Acaiaca, e a partir de 1962, no prédio da Rua Carangola que, atualmente sedia várias escolas e atividades da Prefeitura voltadas para a educação fundamental.   
            Em 1966, com a reforma universitária, são criados os diversos Institutos Básicos e as Faculdades, e o Departamento de Filosofia passa a integrar a atual Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Em 1990, é inaugurado o prédio da FAFICH no Campus da Pampulha, sede atual do Departamento.
            Alguns professores, hoje já falecidos, contribuíram de forma marcante para a constituição do perfil do curso e para a formação de outros professores: o prof. Pe. Henrique de Lima Vaz (1921-2002), que consolidou o estudo do idealismo alemão como área forte de pesquisa no Departamento (2); o Prof. Sylvio Barata Vianna (1913-1998), o primeiro a atuar na área de Filosofia Grega (3) ; o Prof. Luiz de Carvalho Bicalho (1920-1994), um exemplo de aliança entre indagação filosófica e prática política (4) ; a Profa. Sônia Viegas (1944-1989), que soube como poucos fazer filosofia numa linguagem inteligível para não especialistas, e o Prof. Moacyr Laterza (1928-2004), um dos animadores (no sentido próprio, de dar alma a algo) da área de Estética.
             Entre os professores aposentados, que muito contribuíram para a consolidação do Departamento, destacam-se o Prof. José Henrique Santos (5) , Prof. Sebastião Trogo, a profa. Ângela Mascarenhas e o Prof. José Anchieta Corrêa. Mais recentemente, os professores Francisco Javier Herrero, Paulo Roberto Margutti Pinto e Ricardo Valério Fenati deixaram sua marca no Departamento, tendo-se aposentado num contexto de profunda renovação de seus quadros.  
            Em l947 foi fundada a Kriterion, Revista da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFMG, que, como seu nome diz, reunia contribuições de várias áreas, da Filosofia à Biologia. Na década de 60 ela se torna uma Revista de Filosofia e Ciências Humanas. Dirigida por muito tempo pelo Prof. Velloso, a revista desde seu início teve como secretário e redator-chefe o prof. Teobaldo Oppa. A partir do ano de 1982, a Kriterion passou a ter o formato que tem hoje – uma revista exclusivamente de Filosofia, sob a responsabilidade deste Departamento. A Kriterion é considerada a publicação de filosofia mais antiga do Brasil.
            O desenvolvimento da pesquisa no Brasil a partir da década de 70 foi acompanhado pela criação dos cursos de pós-graduação. O Mestrado em filosofia foi criado em 1974, sendo seu primeiro coordenador o Pe. Henrique Vaz. O Doutorado em filosofia foi criado em 1992, sendo seu primeiro coordenador o Prof. Ivan Domingues. Atualmente, a pós-graduação em filosofia está entre as 3 melhores do país, e concentra-se em 4 linhas de pesquisa: Estética, Filosofia Social e Política, História da Filosofia e Lógica - Filosofia da Ciência.
            Hoje o corpo docente do Departamento de Filosofia é composto por 20 professores, alguns deles discípulos de discípulos dos antigos mestres fundadores, outros provenientes de outras partes do país, e a maioria com parte de sua formação obtida em diferentes universidades estrangeiras, o que resulta em perfis bem variados de interesses e competências.
            Também faz parte da história do Departamento uma vocação extensionista – dado o interesse de outras áreas do saber pela Filosofia – , que foi exercida, nas décadas de 70 e 80, principalmente em associação com a SEAF (Sociedade de Atividades e Estudos Filosóficos), hoje extinta. Atualmente, o Curso de Especialização em Temas Filosóficos, que oferece também a modalidade de atualização, desempenha esta função.          Por fim, testemunha a importância crescente do Departamento na Universidade, no Estado e no país, a presença de seus professores na administração central da UFMG, em comitês editoriais de revistas científicas, na Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof) e nas agências de fomento de pesquisa, como FAPEMIG, CAPES e CNPq.

Profa. Telma Birchal, Dezembro 2006.

(1) Sobre o prof. Velloso e a Faculdade de Filosofia, ver artigo do prof. José Henrique Santos Elogio do prof. Arthur Versiani Velloso. Revista Kriterion, nº 85. jan e jul de 1992 e artigo do prof. Rodrigo Duarte, Kriterion nº 95, jan a jun de 1997.

(2) Sobre o Pe. Vaz: ver o texto “In memoriam” de Danilo A. Mondonie e o artigo de Carlos Roberto Drawin “Henrique Vaz e a opção metafísica”, ambos publicados Síntese – revista deFilosofia , número 94 de 2002; o artigo “Um depoimento sobre Pe. Vaz”, de Paulo Arantes, Síntese, no. 102, 2005; a entrevista a Marcos Nobre e José Márcio Rego, em Conversas com filósofos brasileiros, Editora 34, 2000; o artigo “A recriação da tradição na antropologia filosófica do Pe. Vaz”, de F. Javier Herrero, Síntese, no. 96 de  2003 e o livro publicado em celebração de seus  80 anos Saber filosófico, história e transcendência, Edições Loyola, 2002.

(3) Uma lista de artigos publicados pelo prof. Sylvio Barata Vianna consta do levantamento bibliográfico ao final do nº 102 da Revista Kriterion jul a dez de 2000.

(4) Sobre o prof. Bicalho, ver textos de Hugo Pereira do Amaral e Ivan Domingues, quando da concessão do título de prof. Emérito da FAFICH, e o discurso do homenageado, na Revista Kriterion nº 91, jan a jul de 1995.

(5) Sobre o prof. José Henrique Santos, ver o texto  a “Apresentação” do volume Ética, política e cultura, publicado em homenagem a esse professor e organizado por Ivan Domingues, Paulo Roberto Margutti Pinto e Rodrigo Duarte (Editora da UFMG, 2002), assim como o texto de Leonardo Vieira “Homenagem ao Prof. José Henrique Santos”  e o discurso de agradecimento do homenageado, ambos publicados na Revista Kriterion, no. 107 de 2003.