Projetos de pesquisa anteriores
O primeiro projeto de pesquisa do GRIS,
Candidatos e eleitores: as imagens na comunicação (1994-1996), procurou investigar as imagens dos candidatos ao governo de Minas nas eleições de 1994. Essas imagens mostraram-se facetadas na dinâmica relacional estabelecida entre candidatos, mÃdia e eleitores ao longo da campanha. Nenhuma instância assumiu isoladamente a determinanção do processo. A pesquisa revelou que representações e sentidos são construÃdos no bojo das relações e de acordo com a performance e situações especÃficas vividas pelos interlocutores.
O projeto seguinte,
A imprensa de Belo Horizonte no nascimento da cidade: 1895-1926 (1995-1996), estudou as três primeiras décadas da atividade jornalÃstica na capital mineira. Foram analisados mais de 350 tÃtulos da primeira fase da imprensa belo-horizontina, caracterizada por publicações de vida efêmera e produções artesanais. O objetivo foi examinar, nos jornais da época, representações da vida cotidiana da cidade. Dessa maneira, os jornais foram analisados a partir de sua linguagem e organização gráfica, e também de seus conteúdos: a cultura, o esporte, a polÃtica e a configuração de uma visão particular da cidade.
O terceiro projeto,
Belo Horizonte, 100 anos depois: as novas condições da experiência (1997-1999), teve como objeto de estudo a comemoração do centenário de BH. Foram analisadas as várias instâncias envolvidas na interlocução construÃda em torno da comemoração - o Poder Público (Prefeitura de Belo Horizonte), a mÃdia, os cidadãos belorizontinos - sob o prisma da força dos discursos (formas comemorativas, representações disponibilizadas, falas das autoridades, etc) para congregar e atualizar sentidos e ativar o sentimento de pertencimento à cidade. Constatou-se que as atividades da comemoração do centenário falharam no seu objetivo de reunir e aproximar os cidadãos e fortalecer as representações da cidade. Isto permitiu ver, na construção dos discursos e endereçamentos, a falta de sintonia e compartilhamento entre os diversos sujeitos envolvidos, do quadro de referências ativado.
O projeto
Imagens do Brasil: modos de ver, modos de conviver (1999-2001) buscou refletir sobre a questão da identidade brasileira, entendida não como uma identidade estabelecida, uniforme, mas como um processo conflituoso e permanentemente atualizado, marcado por fraturas e coesões. O projeto trabalhou com diferentes empirias, muitos dizeres e imagens produzidas na época da comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil. Enfatizando as dinâmicas de produções discursivas e imagéticas, a pesquisa analisou o lugar de fala das populações excluÃdas, filmes e fragmentos do universo da socialização escolar e da convivência urbana no contexto da comemoração. O projeto trouxe achados importantes sobre alguns aspectos da realidade brasileira e sobre o papel da comunicação nos processos identitários.
O quinto projeto de pesquisa do GRIS,
Narrativas do cotidiano, na mÃdia na rua (2001-2003), concentrou-se no conceito de narrativa e no terreno da experiência em busca de novas chaves para penetrar nas relações comunicacionais e tratar da equação entre imagem e sociabilidade, sentidos e relações. A pesquisa recolheu cenários diversos e diferentes falas que povoam e ordenam simbolicamente a vida cotidiana. A análise investigou como imagens e narrativas ganham forma nas cenas do cotidiano e como as diferenças são vividas enquanto laços e rupturas.
O sexto projeto finalizado pelo GRIS foi a segunda fase do
Narrativas do cotidiano, na mÃdia na rua, que recebeu o subtÃtulo Consonância e dissonâncias no âmbito da Comunicação (2003-2005). Explorando ainda os conceitos de narrativa e experiência, o Narrativas II se voltou para os ruÃdos, dissonâncias e embates das falas que atravessam a mÃdia. Programas de televisão, fotografias de jornais e sites da Internet foram analisados a partir das noções de consonância e dissonância.
O apanhado da trajetória dos projetos do GRIS mostra a consolidação da abordagem relacional do processo comunicativo, que busca identificar o papel e intervenção dos diferentes elementos envolvidos, perceber seus cruzamentos e mútua afetação, os sentidos construÃdos, partilhados e modificados ao longo dos processos vividos. Esses trabalhos confirmaram de forma suficiente a compreensão da globalidade do processo comunicativo (deixando definitivamente para trás o enfoque das relações unilaterais e transmissivas de um emissor para um receptor), sua natureza contingente e constituinte, e estabeleceram um caminho de abordagem: os processos comunicativos devem ser analisados como um todo, como uma totalidade complexa e em permanente construção.