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Livro das professoras Heloísa Starling e Lilia Schwarcz é incluído em lista de melhores livros do ano do jornal Financial Times

O jornal britânico Financial Times publicou, na última semana, listas dos livros selecionados como os melhores do ano por seus editores. Na categoria de publicações sobre política, o livro Brazil: A biography, das professoras Heloisa Starling (Fafich/UFMG) e Lilia Schwarcz (USP), aparece entre as 14 obras selecionadas.

Na ocasião, o jornal ressaltou a importância da obra, de caráter historiográfico, em relação aos recentes acontecimentos políticos no Brasil: “À medida que o país entra em uma nova era sob a presidência de Jair Bolsonaro, um populista de extrema direita, essa história longa e animada, escrita por duas acadêmicas de renome, ajuda a explicar por que o potencial do Brasil foi frustrado tantas vezes”, escreveu o jornalista Gideon Rachman.

Em julho, quando o livro foi lançado pela editora britânica Allen Lane, o Financial Times publicou resenha sobre a obra e a definiu como uma história convincente, perspicaz e não convencional: “O que diferencia o livro de outras histórias do Brasil é a maneira como são misturados o público e o privado, o bem trilhado e o obscuro”.

Personagem complexo e conturbado
O livro, lançado no Brasil em 2015, traça uma biografia do país desde o período pré-colonial à primeira eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A história é contada por dois vieses relacionados: os esforços para estabelecer instituições políticas duráveis e a maneira como a identidade racial, no país que recebeu a maior diáspora compulsória de africanos no mundo e o último a abolir a escravidão, sofreu transformações ao longo do tempo. Lilia e Heloisa sustentam, como argumento condutor do volume de mais de 600 páginas, que o sistema escravocrata continua sendo o fator que embaraça a plena conquista da democracia.

Na conferência Brasil: Uma biografia, ministrada, em 2017, pelas duas autoras durante as comemorações de 90 anos da UFMG, Starling afirmou que o Brasil é uma “república inconclusa” e, por isso, “vulnerável a dois principais inimigos: o patrimonialismo e a corrupção”. Segundo ela, a corrupção se manifestou em diferentes épocas de formas variadas, mas sempre gerada por fatores como poder político e econômico fortemente concentrado, noção precária de interesse público e falta de garantia do exercício de direitos. Para a autora, o Brasil é “um personagem complexo e conturbado, no qual convivem o moderno e o antigo, o urbano e o rural, a regra e a exceção”.

Texto de Dalila Coelho
Cedecom UFMG

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