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Manifesto Antropófago – 80 anos e indo ao infinito

Há exatamente 80 anos, no mês de maio de 1928, foi lançado o Manifesto Antropófago do escritor e pensador Oswald de Andrade, na Revista de Antropofagia n.1. Não estamos apenas comemorando uma efeméride, mas celebrando as idéias desse e de outros antropófagos que assumiram a condição de brasileiros para pensar o Brasil poeticamente, em imagens, palavras e sons.

O projeto de produção das vinhetas contendo alguns trechos do Manifesto está sendo desenvolvido pela professora Regina Mota e pelos alunos do Curso de Comunicação Social da FAFICH/UFMG, no Laboratório de Mídias Eletrônicas – Labmídia, em convênio com a diretoria de produção da Fundação TV Minas, desde o início do mês de março de 2008. Foi um longo processo até que estivéssemos em condição de lidar com a matéria densa desse texto que se pretende fundador de uma nova tradição ao colocar o conflito como a possibilidade de mudança e transformação, pela destruição e recriação do outro, do diferente que se expressa na figura da alteridade.

Essa aparente simplicidade terminológica, no entanto, não facilita a tarefa de reinvenção que o grupo se propôs a executar, atualizando o manifesto pela pesquisa do seu veio de continuidade nesses oitenta anos. O que as vinhetas, que serão veiculadas na televisão, pretendem é uma aproximação do público com as teses principais do manifesto, retratadas em sons e imagens familiares ou contemporâneos, numa demonstração da sua pertinência nos dias atuais. Vários procedimentos da cultura hacker , que se baseia no compartilhamento do conhecimento e na solidariedade, foram utilizados de maneira autodeterminada e fazem homenagem explícita aos criadores originais dos trechos de filmes, fotos, quadros e músicas utilizadas. Mas nem tudo que é reciclado, misturado ou devorado é antropofágico. Só o que for transubstanciado , ou seja, passado pelo fator crítico.

Por isso, propomos também um sacrifício, como aquele que regia o ritual da guerra de vingança dos índios Tupinambá, no qual Oswald se inspirou: qualquer pessoa pode se dispor a capturar, devorar e recriar essas vinhetas  - que serão disponibilizadas no site do projeto – interagindo com a equipe idealizadora e com os telespectadores antropófagos. Uma curadoria vai escolher as vinhetas, que também serão veiculadas na televisão, possibilitando o contínuo processo de destruição, recriação e a conseqüente alteração de cada um. 

Com isso achamos que estamos vingando nossos parentes, tantas vezes mal ditos e mal vistos pela cultura oficial e pelo reconhecimento acadêmico. Não se enganem, essa não foi a via vencedora mas continua sendo a mais fértil e certamente será a mais duradoura, porque nada mais é do que a expressão viva das forças ancestrais adormecidas em cada um de nós.

O projeto está sendo realizado por um grupo de jovens estudantes que ao tomar contato com a antropofagia modernista foi pouco a pouco despertando o seu instinto guerreiro que impulsionou a empreitada. São eles Bernard Machado, Bruno Oliveira, Bruno Fabri, Daniel Santos, Débora Rodrigues, Felipe Correa, Glauciene Lara, João Vitor Leal, Laura Guimarães, Marcelo Graciano, Maria Cristina Barbosa, Maria Tereza Dias, Mariana Congo, Nara Vargas, Nicole Fischer e Tatiana dos Santos Silva.