Teoria Crítica: Rodrigo Duarte
O Professor Rodrigo Antônio de Paiva Duarte possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1982), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1985) e doutorado em Filosofia - Universität Gesamthochschule Kassel (1990). Realizou estágios de pós-douoramento na University of California at Berkeley (1997) e na Universität Bauhaus de Weimar (2000). Atualmente é professor titular do Depto. de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ética, Estética e Filosofia Social, atuando principalmente nos seguintes temas: escola de frankfurt, adorno, autonomia da arte, arte contemporânea e arte de massa. Desde maio de 2006 é presidente da Associação Brasileira de Estética (ABRE). Dentre inúmeras publicações no Brasil e no exterior, destacam-se os seus livros: “Marx e o Conceito de Natureza em ‘O Capital’” (1986), “Mímesis e Racionalidade. A concepção de domínio da Natureza em Theodor W. Adorno” (1993), “Adornos. Nove ensaios sobre o filósofo frankfurtiano” (1997), “Adorno/Horkheimer e a Dialética do Esclarecimento” (2002) e “Teoria Crítica da Indústria Cultural” (2003).
História da fundação da Teoria Crítica: Alternativa para um pensamento marxista que não fosse alinhado à social democracia alemã da época nem aos ditames do partido comunista alemão. Em 1922, acontece a 1ª semana marxista de trabalho. O sucesso da semana acabou gerando a idéia de um Instituto de estudos marxistas, que depois de alguns entraves foi batizado “Instituto para pesquisa social”. Em 1932 Max Horkheimer é nomeado diretor do Instituto, e opera uma grande virada estrutural rumo ao que futuramente caracterizaria a Teoria Crítica da sociedade. Horkheimer traz as questões culturais – e questões estéticas em geral –, antes relegadas como questões meramente subordinadas à superestrutura ideológica, para o primeiro plano de reflexão.
Theodor Adorno, talvez o mais influente pensador do instituto, já vinha se aproximando do grupo chamado “frankfurtianos” desde a década de 20. Com dupla formação – em filosofia mas também em música, tendo estudado composição com Alban Berg, um dos três representantes da chamada “2ª escola de Viena”, encabeçada por Arnold Schönberg – Adorno se junta ao esforço de pensar as questões estéticas no cenário contemporâneo, tendo como pano de fundo uma reflexão crítica da sociedade.
A obra principal da Teoria Crítica, a “Dialética do Esclarecimento”, é redigida por Adorno e Horkheimer já na fase nova-iorquina do Instituto para Pesquisa Social, quando a sede do Instituto é transferida para os Estados Unidos para fugir da perseguição nazista, crescente já na década de 30.
O marxismo seria o principal modelo de teoria crítica, que no entanto precisaria ser revisado em função da mudança estrutural do capitalismo, não abarcado pela teoria de Marx. Horkheimer tinha uma acentuada preocupação em atualizar o marxismo e as críticas marxistas ao modelo da sociedade capitalista. Esse empreendimento foi muito criticado pelos marxistas ortodoxos, mas foi também fundamental enquanto esforço de pensar com os princípios da filosofia de orientação marxista o porquê do desfecho do capitalismo tão diferente do que havia sido previsto por Marx.
A “Dialética do Esclarecimento” surge como um aprofundamento do caminho específico da Teoria Crítica. A obra tem como mote principal a idéia de que a racionalidade tal como se desenvolveu na civilização ocidental teria retrocedido em direção a uma espécie de irracionalidade, levando a sociedade ao que os autores chamaram de barbárie. Marx talvez tenha antevisto o potencial de barbárie do capitalismo, mas seu pensamento ainda era pautado na idéia um tanto iluminista de que a razão, a despeito das intempéries, acabaria por encontrar seu caminho, e esse seria um caminho de emancipação. A guinada dada pela obra “Dialética do Esclarecimento”, caracteriza o momento em que o pensamento marxista coloca em xeque a inexorabilidade do advento de uma racionalidade que se consolidasse no seio da própria sociedade capitalista.
Em relação a um ponto importante abordado na obra, a saber, a Indústria Cultural, é importante pensar o cenário anterior ao desenvolvimento dessa questão. De um lado estavam aqueles que defendiam a “arte pela arte”, os defensores do chamado “esteticismo”. Por outro lado, estavam os marxistas ortodoxos, que consideravam que os fenômenos ligados à produção cultural estariam totalmente subordinados à base econômica da sociedade. A teoria crítica traz para o cenário da filosofia a idéia de que o advento do capitalismo tardio juntamente com o surgimento de uma sociedade de massas, de uma sociedade urbana, bem como o advento da chamada Indústria Cultural, criaram uma situação em que por um lado não havia mais autonomia dos fenômenos superestruturais em relação à infra-estrutura econômica e por outro lado, não se podia falar de uma subordinação dos mesmos. A intuição era de que algo de complemente novo estaria acontecendo, e que o capitalismo monopolista criava uma situação em que a cultura estaria ainda de alguma maneira subordinada à infra-estrutura econômica mas que, por outro lado, ela mesma seria parte constituinte dessa infra-estrutura, por ser também “indústria”; ou seja, ela seria também um ramo da economia capitalista, a despeito do fato de que permanecia sendo uma manifestação cultural.
Walter Benjamin teve um papel importante no pensamento dos teóricos de Frankfurt, mais especificamente no pensamento de Theodor Adorno. Seu papel no Instituto para Pesquisa Social foi marginal e secundário, com algumas participações eventuais, apesar de ter sido sempre simpático à idéia do Instituto. Uma contribuição fundamental de Benjamin ao pensamento materialista foi o texto, publicado postumamente, “Teses sobre o conceito de história”. Esse texto chegou à mão de Adorno e Horkheimer na época da redação da “Dialética do Esclarecimento”. A idéia da interprenetração entre cultura e barbárie, expressa na famosa frase da tese VII “não há um documento de cultura que não seja também um documento de barbárie”, era a radicalização de uma postura também buscada pelos autores da “Dialética do Esclarecimento”.
Apesar de alguns teóricos críticos serem tipicamente pertencentes à primeira geração da Teoria Crítica, podemos falar de vários modelos de teoria crítica. Um pensador menos conhecido mas não menos importante é Leo Löwenthal, que tem um modelo notório de teoria crítica. Adorno tem um modelo de teoria crítica muito mais preocupada com as questões estéticas que o modelo desenvolvido por Horkheimer. Marcuse, por sua vez, tem também uma reflexão muito própria, que envolve questões da psicanálise. De um modo geral, o objeto principal dos representantes da Teoria Crítica é o capitalismo tardio, o que caracteriza a preocupação comum com os fenômenos superestruturais, os fenômenos propriamente culturais.
Ouvimos “Pierrot Lunaire” de Arnold Schönberg, compositor vienense da chamada “2ª escola de Viena”, comentada nesse bloco pelo professor Rodrigo Duarte.
Na obra de maior referência para o estudo da filosofia da música, “Filosofia da Nova Música”, Adorno contrapõe o modelo dodecafônico (ou atonal), modelo esse desenvolvido por Schönberg ao modelo de Igor Stravinsky, de uma música objetiva, extrovertida, mais percursiva. Adorno acreditava que esses eram os principais caminhos possíveis para a música contemporânea, e que o modelo schönbergeano seria o mais adequado ao modelo de sociedade contemporânea. A música de Schönberg teria um elemento de negatividade muito mais adequado a uma crítica à racionalidade que o elemento de positividade da obra de Stravinsky.
Para Adorno, a música tonal chega às portas do século XX esgotada em termos de possibilidades compositivas, e a música atonal surge então como o novo vigor da música. Dentro da categoria da música atonal, Adorno distingue a atonalidade livre e o dodecafonismo. O dodecafonismo é um modelo de composição em que as doze notas da escala cromática são ordenadas de forma não hierárquica. Nesse modelo de composição, a atonalidade é submetida a uma organização previamente estabelecida. Dentro da atonalidade, no entanto, Adorno privilegia ainda a atonalidade livre, técnica de composição que proporcionaria mais liberdade ao compositor, dado que o único interdito seria recair novamente na tonalidade. “Pierrot Lunaire” é o principal exemplo de atonalidade livre na obra de Arnold Schönberg.
Dezembro 2nd, 2007: 7:54 am
Oi pessoal, eu queria dizer que gostei muito de todos os programas, além disso, achei legal o lance de vocês disponibilizá-los para baixarmos. Só uma coisa, o link do bloco 1 desse programa está com problema, é que vocês colocaram um “ponto” antes do “Logofonia”, dêem uma olhadinha… beleza? Abração dessas bandas do Sul
http://www.fafich.ufmg.br/petfilosofia/.Logofonia/Rodrigo_13-11/LOGOFONIA_13-11_BLOCO1.mp3
Janeiro 14th, 2009: 11:02 pm
[…] notas da escala cromática são ordenadas de forma não hierárquica. … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: […]
Janeiro 23rd, 2009: 12:51 pm
[…] que se consolidasse no seio da própria sociedade capitalista. … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: […]