Ensaios e a pintura em si de Montaigne: Telma Birchal
A Professora Telma de Souza Birchal possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1980), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1989) e doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (2000). É professora adjunta da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Moderna, atuando principalmente nos seguintes temas: Montaigne, ética, subjetividade e ceticismo. Mais recentemente tem se interessado pelas relações entre ética e ciência e pela bioética.
- Dados biográficos sobre Michel de Montaigne: nascimento, como foi educado, atividades exercidas pelo filósofo.
- Saída do exercício público e retirada para o ócio literário na solidão da torre no castelo onde morava donde havia uma biblioteca.
- Influência dos acontecimentos de sua época na construção da sua filosofia.
- Início da escrita dos “Ensaios”. Considerações sobre o título e sobre a obra, segundo Montaigne: “é a mim que pinto”.
- Influência dos “Ensaios” no tempo no qual foi escrito.
Bloco 2: O auto retrato de Montaigne
1. Não podemos considerar “Os Ensaios” de Montaigne como sua própria biografia e também não podemos considerá-lo como um sistema filosófico fechado. Em qual lugar poderíamos encaixar o seu livro bem como a forma como ele apresenta suas idéias?
- Pintura de si de Montaigne significa que o livro traz seu pensamentos, suas reflexões.
- Citação, capítulo “Dos livros”: “[A] Estão aqui minhas fantasias, pelas quais não procuro dar a conhecer as coisas, mas a mim”. (II,10,407/114),
- A particularidade do discurso de Montaigne, expressão de seus pensamentos: tudo o que é dito o é de seu ponto de vista e não como um saber que se pretende universal.
- “Os Ensaios” como o lugar da expressão de uma subjetividade.
2. Em que consiste o ceticismo de Montaigne?
- Montaigne: herdeiro do cristianismo, diferença entre o ser humano e Deus, o homem não atinge a verdade.
- Crítica da razão e do conhecimento sensível. Influência dos interesses particulares na constituição do conhecimento.
- Montaigne busca apresentar sua maneira de perceber as coisas, expressão do modo como ele vê o mundo. Para exemplificar essa questão, as citações que apresentam suas reflexões como “devaneios”: “[A] (…) são apenas devaneios de um homem que não saboreou das ciências mais do que a primeira casca, na infância (…)” (I,26,146/217), “sonhos” - “ [B] (…) ora divago, ora registro e dito, caminhando, meus sonhos (songes) que aqui estão” (III,3,828/63) - “tolices” - “[B] Ninguém está isento de dizer tolices (…) ” (III,1,790/4). Com isso Montaigne busca mostrar que não se trata de uma ciência nem de um saber – mas de algo diferente.
3. Esse novo ceticismo que ele propõe explicaria como ele introduz nos ensaios as coisas bem particulares de sua vida? Muitas vezes Montaigne introduz no ensaios fatos muito particulares de sua vida, ora falando de sua infância, de como seus pais o acordavam, ora falando do funcionamento de seu próprio intestino e rins, enfim, qual a sua intenção com esses relatos? Seria um ceticismo mais voltado para a vida?
- Dimensão pessoal nos ensaios de Montaigne não estaria necessariamente ligada ao ceticismo, mas ao seu projeto socrático do conhecimento de si.
- Ensaios: atividade na qual Montaigne busca conhecer-se a si mesmo, influência dos elementos do cotidiano, mas também quer que o leitor conheça quem é o sujeito desse pensamento: a opinião junto à pessoa que opina.
- Apesar do filósofo dizer que suas reflexões são devaneios, as opiniões que ele apresenta são muito sérias. Cita exemplos de algumas delas.
4. É possível observar nos ensaios uma grande quantidade de citações de autores gregos e latinos. Qual o papel de recorrer a autoridades uma vez que a filosofia de Montaigne é bem subjetiva? Qual o papel dessas citações nos ensaios?
- Montaigne cita muito esses grandes nomes gregos e latinos, característica de muitos autores renascentistas.
- Quando o filósofo se coloca uma pergunta ou um objeto de reflexão, ele recorre a outros autores, seja para fortalecer a idéia que ele defende, seja para ressignificá-la. Assim, ele utiliza sempre a ida ao outro, outro texto, outro exemplo, para retornar a si; o outro como um modo de melhor pensar a si mesmo.
1. Qual a importância desse discurso? Por quê nos interessaria a expressão da opinião subjetiva de alguém, que ainda por cima afirma ser ignorante?
- Ironia de Montaigne. Quando ele fala de si, melhor dizer convicções que opiniões.
- Exemplos: reflexão sobre os Canibais e os conquistadores, sobre o arrependimento.
- Convicções: dar lugar à subjetividade; o fato de um julgamento ser subjetivo não o desvaloriza, consciência de si, não estar enganado quanto ao lugar o qual eu ocupo.
- Julgamento vigilante de Montaigne e retomada do problema socrático da consciência da ignorância contra o dogmatismo.
- Montaigne e a tolerância a partir da idéia da relatividade das opiniões.
2. Montaigne diz que a Filosofia é uma preparação para a morte, título de um dos capítulos dos ensaios. Mas ao mesmo tempo ele parece apresentar uma filosofia do corpo, do cotidiano, de questões muito humanas… A preparação para a morte seria esse bem viver?
- “Como filosofar é aprender a morrer”, um dos ensaios de Montaigne.
- Presença de grandes elogios à vida nos ensaios de Montaigne.
- Opiniões às vezes muito divergentes entre si sobre a questão da morte em Montaigne. Trabalho de interpretação de Montaigne.
- Filosofia como preparação para a morte, origem em Platão: separação do corpo e da alma. Análise dessa frase, sendo que ele nunca concorda plenamente com ela.
- Homem deveria buscar gradativamente a morte; a doença, a velhice, mas sem ficar preocupado em separar o corpo da alma.
- A melhor preparação para a morte é viver o presente.
- Maneira despreocupada de aprender a morrer.
3. Como ele definiria o homem sábio?
- Homem sábio: consciente de seus limites.
- A filosofia de Montaigne e a finitude.
- Leitura de trecho do ensaio “Dos canibais”
- Elogio de Montaigne aos canibais, invertendo a lógica dos conquistadores mudando o sentido da palavra bárbaro, aproximando-a do natural, sendo a natureza superior à arte.
- Músicas de compositores contemporâneos a Montaigne:
1. Uma parte da Missa Nasce La Gioja Mia, de Giovanni Pierluigi da Palestrina, um dos mais célebres compositores renascentistas.
2. Uma tocata da ópera “L’orfeo”, de Cláudio Monteverdi, compositor italiano da metade do século XVI, sendo essa ópera considerada uma das mais antigas desse gênero.
Recomendações Bibliográficas:
MONTAIGNE, Michel de. Os ensaios. São Paulo: Martins Fontes, 2000-2001.
BIRCHAL, T. “A ética de Montaigne em Dos canibais” IN: SANTOS, A. C. Variações sobre ética e política.
TOURNON, André. Montaigne. Tradução: Edson Querubini. Editora Discurso, 2004.
Fevereiro 27th, 2008: 9:06 pm
Gostaria de saber se o conhecimento de si nos torna seres limitados?Na visão de Montaigne.
Maro 8th, 2008: 11:54 pm
Uau legal e amo arteS!
Agosto 13th, 2008: 10:40 pm
Oi eu estou fazendo algumas pequisas em Montaigne queria saber se você tem alguns artigos dele e indicação de comentadores. Obrigado
Setembro 17th, 2008: 4:40 pm
Boa tarde!
Chamo-me Otavio e estou trabalhando em um projeto de pesquisa com o
filosofo Montaine. Em uma de minhas pesquisas encontrei um artigo(fé,
razão e crença) neste mesmo autor. Gostaria de saber se pode ajudar-me com
este projeto, porque não encontrei muitas biografias sobre Montaine.
Este é o meu tema:
“Ceticismo de montaine e a importância de questionar-se”
Grato
Atenciosamente: Otavio Silva
Maio 3rd, 2009: 7:27 pm
Gostaria desta entrevista por escrito é possivel
Junho 28th, 2010: 9:24 pm
gostaria de saber qual a importancia da filosofia pra montaigne.