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Hans Jonas e sua proposta ética para a civilização tecnológica

Exibido em 26 de Outubro de 2010 | Resumo por: admin - Categorias: Filosofia, Ética

A Professora Lílian Godoy é bacharel em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, mestre e doutora em Filosofia pela Universidade Minas Gerais. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Política e Filosofia da Ciência, atuando principalmente nos seguintes temas: filosofia, ética, Kant, Habermas, ética do discurso, Hans Jonas, ética da responsabilidade. Em sua dissertação abordou o princípio de universalização da ética do discurso habermasiana e em sua tese investigou as implicações éticas da aplicação das biotecnologias em seres humanos, a partir da perspectiva jonasiana, ampliando a pesquisa para a questão da técnica na sociedade atual e sua repercussão para a humanidade futura.  Atualmente é professora visitante do departamento de Filosofia da UFMG.

 

BLOCO 1

No primeiro bloco, a Professora Lílian esclarece que o tema de abertura do programa, um trecho do Also sprach Zarathustra, de Richard Strauss, remete fortemente às imagens do futuro e da tecnologia, dois temas muito pertinentes às investigações relativas a Hans Jonas. Em seguida, a entrevistada realiza uma breve reconstrução biográfica de Jonas, mencionando fatos relevantes, como seu nascimento (na cidade de Mönchengladbach, em 1903, na Alemanha), sua ascendência judia, seus estudos com Husserl, Heidegger e Rudolf Bultmann, além de seu engajamento no movimento sionista e a oposição ao regime nazista. O envolvimento de Jonas na guerra origina inflexões importantes em sua obra. O filósofo passa a se dedicar a uma Filosofia da Biologia, visto que a questão da vida, posta no contexto das mazelas do conflito, passou a desempenhar função fulcral às suas pesquisas. Em suas publicações, nessa fase, Hans Jonas trata de temas importantes, como a superação de três dicotomias: a primeira, existente na Idade Moderna, entre corpo e alma; a segunda, presente entre os existencialistas, ente homem e mundo; a terceira, cara ao pensamento de Kant, entre liberdade e necessidade. O pensador está interessado em combater o niilismo do homem em relação ao mundo. O homem está em conexão direta com o mundo, não sendo, de forma alguma, indiferente a ele. A partir disso, Hans Jonas abre caminho para a terceira fase de seu pensamento, mais concentrado na dimensão ética. Nesse âmbito, o filósofo busca superar mais uma dualidade: a divisão entre ser e dever-ser.

BLOCO 2

Como sequência ao assunto anterior, a Professora Lílian Godoy esclarece os principais aspectos do princípio da responsabilidade na civilização tecnológica. Nesse âmbito, Hans Jonas cita a obra O princípio da responsabilidade, de 1979. A entrevistada se atém ao primeiro capítulo, que apresenta traços importantes, entre eles, a capacidade de transformação da natureza inerente ao homem. Tal capacidade se desdobra em duas dimensões, uma positiva e outra negativa. Diante dessa discussão, o filósofo destaca pontos negativos: como ser capaz de agir sobre a natureza, o homem acaba, em última instância, distanciando-se dela. Isto porque o ser humano se comporta em uma relação de controle hierárquico em direção à natureza. O homem deseja dominá-la, gerando, dessa forma, uma significativa cisão ente o ser humano e o meio em que ele vive. Jonas considera que sua ética expande o campo de investigação das éticas tradicionais, já que considera, também, a relação entre homem e natureza, além da seara das relações intersubjetivas. Neste sentido, o pensador intenciona superar o antropocentrismo existente no cânone das éticas tradicionais. As ações humanas devem considerar a biosfera em geral. Ademais, o teórico identifica mais um efeito funesto: a busca incessante por um domínio da natureza acaba tornando o próprio homem objeto da sua tecnologia. Algo que também se destaca em relação às éticas tradicionais. Um último tópico importante a respeito da diferenciação entre as éticas tradicionais e a ética jonasiana diz respeito ao aumento da repercussão das conseqüências das ações humanas no que tange ao mundo. Para o filósofo, o avanço da tecnologia ampliou significativamente o campo afetado pelos atos do homem. Sendo assim, Hans Jonas está interessado em estabelecer um princípio ético que consiga dar conta dessa nova configuração da vida humana. O princípio da responsabilidade jonasiano é o seguinte: agir de tal modo que os efeitos de sua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida autenticamente humana na terra.

BLOCOS 3 e 4

 

No bloco 3, os alunos Peter Faria e Hanna Trindade discutem sobre o tema com a Professora Lílian Godoy. Na conversa, alguns assuntos interessantes foram comentados, como a conexão entre Jonas e a tradição fenomenológica e as formulações decorrentes do princípio da responsabilidade. No bloco 4, a conversa prossegue tendo como guisa a questão do ambientalismo. Como encerramento do programa, a entrevistada lê, ainda, dois trechos pertinentes à temática: o primeiro tirado de Olivier Depré, o segundo extraído do próprio Hans Jonas.

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