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Dissertações

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ENTRE O CRIME E A LEGALIDADE: arte e recreação na prevenção da criminalidade juvenil

Data: 16/05/2014

Luciana Ferreira Custódio

RESUMO

A formulação de estratégias eficazes de prevenção do envolvimento de jovens em infrações ou crimes é um dos desafios no campo da segurança pública. A complexidade é ainda maior quando se trata de prevenir a reincidência criminal desses jovens. Por sua vez, a recreação e a arte são bastante utilizadas em inúmeros programas e projetos sociais voltados para crianças e jovens. O presente trabalho consiste em um estudo sobre a participação de jovens envolvidos com a criminalidade em oficinas recreativas. Procura-se compreender se essas oficinas exerceram influência na trajetória dos jovens entrevistados no que tangia à prática criminosa. Discute-se a influência das variáveis propostas pelas teorias dos Laços Sociais e do Aprendizado Social para a compreensão da inserção de jovens nas redes de criminalidade. Aborda-se também a proposta da teoria do ciclo de vida sobre a contribuição de eventos típicos da vida adulta na desistência do comportamento criminoso. São apresentados aspectos conceituais relacionados à prevenção da reincidência criminal juvenil e as intervenções possíveis apontadas pela literatura. A arte e a recreação também são discutidas como alternativas de prevenção nesse nível. Foram feitas entrevistas em profundidade com alguns jovens que praticaram crimes e que participaram das oficinas recreativas do programa Fica

Vivo! na área de abrangência do CPC Morro das Pedras em Belo Horizonte. Os resultados apontam que a mudança da trajetória do crime para a legalidade na maioria dos casos estudados foi decorrente de outros eventos alheios às oficinas. Contudo, a análise realizada indica que a utilização das oficinas recreativas na prevenção terciária parece uma estratégia promissora se fundamentada na atuação do oficineiro/educador.

Palavras chave: Prevenção à criminalidade juvenil. Oficinas recreativas.



GÊNERO E SAÚDE NO BRASIL: A (RE)PRODUÇÃO DE DESIGUALDADES

Data: 04/04/2014

Natália Leão Siqueira

RESUMO

O presente estudo parte do pressuposto da existência da desigualdade em saúde entre homens e mulheres no Brasil e, assim, apresenta como objetivo principal responder às seguintes questões: a) existe desigualdade em saúde por gênero no Brasil? b) essa desigualdade se apresenta independentemente da variável utilizada para medir a saúde? c) os diferenciais de saúde por gênero são mediados por outros fatores sociais? Buscando alcançar respostas a essas questões, o intuito é analisar os fatores sociais que impactam na saúde de homens e mulheres, a partir de uma construção social de gênero no Brasil. Os dados, que contribuem para essa análise, são advindos de uma subamostra da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio de 2008 (PNAD/IBGE), na qual o questionário suplementar investigou características de saúde dos moradores dos domicílios brasileiros. As técnicas estatísticas amparam-se em análises de regressões logística binária e linear generalizada. Constatamos que, comparados homens e mulheres, existem demarcações de desigualdade em saúde em todas as regiões demográficas do Brasil. Ainda existe uma gradação na desigualdade em saúde dentro das próprias categorias “mulher” e “homem”, ao considerarmos raça, sendo que tal desigualdade segue respectivamente um acréscimo: homem branco, homem negro, mulher branca e mulher negra. A desigualdade em saúde por gênero se manifestou tanto ao utilizarmos a variável autoavaliação do estado de saúde, quanto no índice de doença crônica. Uma exceção se deu ao analisarmos através das macrorregiões, sendo que, na autoavaliação do estado de saúde, a única região brasileira que apresentou índices de desigualdade em saúde piores que o Nordeste foi a região Norte. Já no índice de doença crônica, todas as regiões manifestaram melhores índices, ao compararmos com o Nordeste.

Palavras-chave: desigualdade social, saúde, gênero, Brasil.



Sociabilidade na Web: Um estudo sociológico sobre um blog de moda e beleza

Data: 28/03/2014

Priscila Joyce de Souza Oliveira

RESUMO

O advento e popularização das tecnologias de informação e comunicação vinculadas à web alteraram significativamente as formas pelas quais os indivíduos estabelecem e mantém relações na atualidade. Tomando como objeto de estudo um blog de moda e beleza, o presente trabalho desenvolve uma investigação em duplo sentido, buscando apreender os processos de formação e manutenção de redes sociais online, examinando a natureza dos laços estabelecidos entre os indivíduos no contexto interacional do blog; quanto visa analisar as formas pelas quais questões concernentes ao gênero e ao consumo são tematizadas no mesmo.

Palavras – chave: Blogs; Sociabilidade; Moda; Beleza; Gênero.

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OS EFEITOS DE DIFERENTES ESTRATÉGIAS DE VIDA SOBRE O STATUS SOCIOECONÔMICO OCUPACIONAL E O RENDIMENTO

Data: 27/03/2014

Fabíola Paulino da Silva

RESUMO

A presente pesquisa tem como objetivo central analisar os efeitos de diferentes estratégias de vida – estudar, estudar e trabalhar e trabalhar – sobre o status socioeconômico ocupacional e o rendimento dos indivíduos no mercado de trabalho brasileiro. Assim, apresentam-se duas perguntas centrais: a) em que medida as estratégias de vida determinam status socioeconômico ocupacional e rendimentos? b) qual estratégia de vida é mais vantajosa, considerando o status socioeconômico ocupacional e os rendimentos dos indivíduos? A base de dados utilizada é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do ano de 2011, e os dados são analisados por meio de dois modelos de regressão Heckman, sendo um para status socioeconômico ocupacional e outro para rendimentos. Os resultados apontam que, para status socioeconômico ocupacional, a estratégia estudar proporciona maiores vantagens aos indivíduos, garantindo status de elevado prestígio social. De outro lado, a estratégia trabalhar é a que produz maiores desvantagens aos indivíduos, alocando-os estes nos piores status socioeconômico ocupacional da escala ISEI. Em relação aos rendimentos dos indivíduos, as estratégias estudar e estudar e trabalhar não apresentam efeitos distintos. Já, a estratégia trabalhar apresenta desvantagens, em relação à estratégia estudar. Dessa forma, a conclusão da presente pesquisa aponta que as três estratégias de vida impactam e determinam de forma diferente status socioeconômico ocupacional e rendimentos dos indivíduos e que a estratégia trabalhar é a que proporciona maior desvantagem ao indivíduo no mercado de trabalho. Além disso, verificamos que, comparada às estratégias estudar e estudar e trabalhar, a estratégia estudar proporciona melhor status socioeconômico ocupacional, mas não tem efeito significativo no alcance de melhores salários.



Fronteiras entre ciência e religião: darwinismo e catolicismo no Brasil dos séculos XIX e XX

Data: 27/02/2014

Brunah Schall e Pinto

Resumo

Desde a publicação de A Origem das Espécies, em 1859, até os dias atuais as ideias de Darwin sobre a evolução das espécies despertaram ao redor do mundo diversas reações de cientistas e religiosos. A discussão sobre a pertinência da ideia da evolução conduziu a um debate sobre as fronteiras entre ciência e religião, o qual foi o foco deste trabalho. O Brasil fez parte desse debate, não de maneira a contribuir com argumentos originais significativos, mas incorporando ideias de intelectuais estrangeiros, as quais foram levadas à imprensa de circulação popular. A partir da pesquisa em periódicos encontrados no portal da Hemeroteca Digital Brasileira e no acervo digital do jornal O Globo foi possível identificar os principais personagens e contextos envolvidos no debate e as questões recorrentes que levaram ao descarte ou a integração do pensamento darwiniano pelo pensamento católico. Perpassam por essas questões as maneiras como cientistas e religiosos disputam a autoridade sobre o conhecimento e seu ensino e como esses definem as fronteiras entre seus domínios em busca de garantir um poder de influencia social. Entretanto, as opiniões dos dois lados muitas vezes se cruzam, e as fronteiras que os separam se modificam de acordo com o contexto. Além disso, mesmo ao se posicionarem como opostos ao darwinismo, católicos mantiveram uma visão favorável à ciência como um todo. Assim, propõe-se que o darwinismo não foi necessariamente um tópico de conflito entre cientistas e religiosos, mas sim entre os que consideravam ideias evolutivas compatíveis com a religião e aqueles que as percebiam como opostos excludentes.

Palavras-chave: darwinismo, catolicismo, fronteiras entre ciência e religião, teoria da evolução, evolucionismo, origem das espécies, divulgação científica, reação católica brasileira.



SEGREGAÇÃO RESIDENCIAL E DIFERENCIAL RACIAL DE RENDA: Estrutura e distribuição geográfica por raça na Região Metropolitana de Belo Horizonte

Data: 27/02/2014

Leonardo Souza Silveira

RESUMO

As desigualdades raciais já foram abordadas pelas ciências sociais e econômicas no Brasil, que associam o fenômeno aos diferenciais de capital humano, como escolaridade ou experiência, e da discriminação. Existem, porém, enfoques que dizem respeito à posição que o indivíduo ocupa dentro da estrutura social, de maneira que as desigualdades são reproduzidas ao longo da vida e entre gerações. Propomos, neste trabalho, abordar aspectos estruturais da desigualdade racial no Brasil, através da segregação residencial, que imporia barreiras à mobilidade social devido a fatores relacionados à distribuição geográfica das oportunidades de trabalho, dos serviços públicos e do capital social formado nas diferentes regiões das metrópoles. Foram utilizadas técnicas de análise baseadas em Matrizes de Ponderação Geográfica, que aborda a concentração, dispersão e associações dos grupos raciais e econômicos no espaço urbano. As técnicas de spatial lag e spatial error, levam em consideração os atributos dos entorno das áreas que se está analisando e a distribuição geográfica dos erros da regressão. Foi analisado se a segregação residencial na região metropolitana de Belo Horizonte acontece devido a relações econômicas, ou se existe alguma relação com a distribuição dos grupos raciais no espaço urbano. As hipóteses e discussões levantadas se direcionam a explorar a segregação residencial como um dos fatores estruturais que perpetuam a desigualdade racial no Brasil.

Palavras-chaves: desigualdade racial; estrutura; segregação residencial; raça.



HÍBRIDOS E MUTANTES: estudo comparativo entre aconselhamento genético e eugenia

Data: 18/02/2014

Bruno Lucas Saliba de Paula

RESUMO

O objetivo deste trabalho é identificar pontos de continuidade e de ruptura entre eugenia e aconselhamento genético. Para isso, analisamos os contextos em que essas práticas se sucedem, parte dos aspectos e efeitos discursivos a eles associados, bem como as especificidades de seus modos de funcionamento. Por um lado, ambos compartilham um regime de veridicção em que a ciência moderna desempenha um papel central, já que o que é verdadeiro e o que legitima a tomada de decisões é o que emana da ciência. Além disso, traços da biopolítica associada à eugenia – como a parceria entre estado e indivíduos na busca pelo bem estar da nação e a fundamentação tanto da ação governamental quanto das escolhas individuais num cálculo de tipo econômico, de custos e benefícios – também são importantes para o aconselhamento genético. Por outro lado, enquanto a eugenia era exercida por estados que disciplinavam as condutas individuais e regulavam as populações para “melhorar a raça humana”, o aconselhamento genético relaciona-se a um período de redução dos encargos estatais, cabendo aos indivíduos a atenção à saúde e o gerenciamento dos riscos que podem acometê-los. Governo, mercado e especialistas apenas modulam (eventualmente adotando posturas punitivas, quando algum fluxo destoa das dinâmicas do controle) o campo de probabilidades e riscos aberto por aqueles que, como “empreendedores de si mesmos”, voluntariamente administram seu capital genético. Nesse sentido, há uma afinidade entre as racionalidades do aconselhamento genético, da governamentalidade neoliberal e da sociedade de controle. Não obstante, ao mesmo tempo em que desencadeia processos de autovigilância e de autocontrole, o neoliberalismo abre brechas para que seja exercida um novo tipo de cidadania, “biológica” ou “genética”, que estaria a ser experimentada, por exemplo, por associações de portadores de determinadas doenças, por surdos que usam a genética para ter filhos surdos, ou por pacientes-clientes que cada vez mais engajam-se, como stakeholders, na busca por financiamentos e melhorias para os tratamentos de suas doenças. Essas expressões de cidadania revelam-se importantes objetos de estudos na medida em que evidenciam potencialidades e rupturas nas trajetórias sociotécnicas e em que permitem identificar os modos e efeitos das resistências à tecnocracia e à democracia representativista.

Palavras-chave: aconselhamento genético; eugenia; biopoder; cidadania biológica.

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Representações e desdobramentos da caridade da Igreja Universal do Reino de Deus

Data: 13/12/2010

Nina Gabriela Moreira Braga Rosas de Castro

 

RESUMO

As obras sociais realizadas pela Igreja Universal do Reino de Deus contrariam as comuns expectativas de que seu evangelismo de massa diminuiria consideravelmente o exercício da caridade ou o tornaria eminentemente proselitista. Diferentes modos de ajudar o próximo se desenvolvem na IURD como fruto da fé “arrojada” desses fiéis. Modelos temporários perfazem uma espécie de repertório próprio de ação social, em que predominam figuras políticas encabeçando ações de assistência. A caridade da Igreja Universal em Minas Gerais, contudo, se caracteriza por um assistencialismo restrito aos fiéis da própria instituição, que oferece cursos de inglês, alfabetização, informática e cabelereiro, além de encaminhamento social, suporte jurídico e de saúde. Sua peculiaridade consiste em prestar auxílios exigindo dos necessitados um “atestado de probidade” para ingresso e permanência nas situações de ajuda. Outro distintivo dessa assistência é que ela estende a linguagem e a dinâmica da “guerra” ao âmbito da caridade, arquitetando um mecanismo de competição entre obreiros, voluntários e evangelistas que, imersos no cenário das lutas espirituais e em busca de reconhecimento, espaço e status, lutam com Deus e uns com os outros, a fim de garantirem prestígio e transitarem na rígida estrutura hierárquica da Igreja. Tais práticas caridosas conciliam a pobreza com as concepções da Teologia da Prosperidade, reforçando a fé num Deus restituidor de bens que não pode abstrair-se e deixar de abençoar seus filhos quando estes a ele doam aquilo que possuem.

Palavras-chave: Igreja Universal, caridade, disputa.

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