Bola dentro ou bola fora?

Três vezes por semana, a aluna do quinto ano do Centro Pedagógico (CP), Iara Oliveira, 11, pratica ginástica, handball e vôlei. Não só ela, mas os 639 alunos do Centro, com raras exceções, têm uma rotina semelhante em termos de atividades esportivas. Além das aulas de educação física, que acontecem uma vez por semana e fazem parte da grade curricular da escola, o CP oferece diversas modalidades esportivas, que são praticadas pelos alunos em três dias da semana, no período da tarde. São os chamados GTDs CEU (Grupos de Trabalho Diferenciado realizados no Centro Esportivo Universitário). Ao todo, são seis horas e quarenta minutos de prática esportiva, das quais cinco horas são dedicadas aos esportes do chamado programa Segundo Tempo.

Criado pelo Ministério dos Esportes, do governo federal, o programa está presente no Centro Pedagógico desde 2007 – quando teve início a proposta de ampliação do tempo escolar – e tem o objetivo de democratizar o acesso à prática e à cultura esportiva, de forma a promover o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. “A proposta, além de ocupar o tempo dos meninos, é dar acesso ao esporte a quem não tem condições de acessá-lo em outros locais além da escola pública”, explica o coordenador pedagógico do programa no CP, Túlio Campos. Segundo a vice-diretora do Centro, Selma Moura, são ofertadas mais de 20 modalidades de esportes, dentre as quais os alunos escolhem três para desenvolver ao longo de um semestre.

Com a bola toda?

As aulas do Segundo Tempo devem atender à exigência do Ministério dos Esportes de que os alunos pratiquem duas modalidades de caráter coletivo e uma de caráter individual. Assim, no início de cada semestre, eles recebem um bilhete com as opções de modalidades esportivas para escolher as três que desejam realizar. Segundo o coordenador pedagógico do programa, essa é apenas uma possibilidade de escolha que pode ser atendida ou não, uma vez que algumas turmas são mais disputadas do que outras. “Seria muito bom se 100% dos alunos fizessem o que eles querem, mas isso a gente não consegue fazer. Estruturalmente é impossível. Mas a maioria pratica o que escolheu praticar. É importante que os alunos possam fazer o que realmente desejam. Com a implantação do Tempo Integral, o tempo de permanência obrigatória na escola foi ampliado. Se eles ainda tivessem que fazer um esporte que não gostam, isso iria dificultar o nosso trabalho.” Ele explica que o programa também evita a repetição das modalidades ofertadas do semestre anterior, a fim de diversificar as atividades.

Os espaços utilizados para as aulas do Segundo Tempo são o Centro Esportivo Universitário (CEU), a Escola de Educação Física da UFMG e o campo da Faculdade de Educação. Algumas das modalidades ofertadas neste semestre foram vôlei, handball, basquete, futebol de campo, futsal, rugby, atletismo, danças, ginástica, lutas, jogos e brincadeiras e le parkour. O programa possui 12 bolsistas no Centro Pedagógico: seis coordenadores de núcleo, que são profissionais já formados em educação física, e seis monitores, que são alunos da graduação, tanto dos cursos de licenciatura quanto dos de bacharelado. Segundo Túlio, o programa possui um conjunto de bolsas também destinado à contratação de bolsistas de áreas para além da educação física, como pedagogia e matemática, para o reforço escolar.

Para o professor de educação física, Leonardo Jeber, que trabalha no CP há 18 anos, o projeto cumpre uma função social importante. Ele observa que a maioria dos currículos brasileiros, com raras exceções, oferece pouco esporte aos alunos. “É um currículo que não valoriza a prática das atividades esportivas porque oferece aulas de educação física duas vezes por semana e em horário reduzido. Nesse sentido, o Segundo Tempo tem o lado positivo de ampliar a possibilidade de atividades esportivas aos alunos, o que é muito importante, especialmente na infância e adolescência.”


O próprio currículo do Centro Pedagógico segue uma determinação nacional que mantém uma hierarquia entre as disciplinas. As aulas de educação física, desvinculadas do programa Segundo Tempo, são ofertadas apenas uma vez por semana, em módulos de uma hora e quarenta minutos, quase sempre na própria escola. “Essa hierarquia para mim não tem mais sentido hoje. Muitos teóricos já discutem o quanto as escolas poderiam ter um currículo mais equânime. Se todos os campos do saber são importantes, também o tempo dedicado a eles deveria ser mais igualitário porque todos contribuem para a formação do ser”, defende o professor.

Bola murcha

Leonardo destaca que, quando o projeto chegou ao CP, a proposta do governo federal era mais voltada para a detecção de talentos. “Já nós aqui nos preocupamos com a formação educacional dos alunos, o esporte como meio de formação da personalidade do indivíduo. A detecção de talentos ficava como segundo plano.” Para ele, o principal objetivo do trabalho com os esportes é contribuir para a formação da personalidade dos alunos, para que sejam capazes de ser sensíveis ao mundo. “A maneira como nos portamos em um jogo é expressão de nossa existência. Aprender a competir de uma forma socialmente justa e amigável é fundamental. Há uma competição que é destrutiva. Mais importante do que vencer a partida é ganhar tudo aquilo que um jogo pode oferecer à sua vida: vitalidade, amigos, saúde etc.”, diz.

Os dois professores concordam que geralmente os alunos gostam muito das aulas esportivas – tanto da educação física da escola quanto do programa Segundo Tempo –, porque são diferentes das disciplinas que acontecem em sala de aula. “Elas acontecem em um espaço em que o aluno pode se movimentar, muitas vezes são espaços abertos. Isso não significa que não haja alunos que tenham certa dificuldade em fazer as aulas, existe isso também”, pondera Leonardo Jeber. Túlio lembra que o terceiro ciclo – correspondente aos sétimo, oitavo e nono ano – é mais resistente. “Mas é um ou outro que às vezes não quer fazer a aula. Noventa e cinco por cento dos alunos gostam. O que nós tivemos foi uma resistência ao Tempo Integral, que estabeleceu este ano a permanência dos alunos das 8h às 16h30 na escola.”

Leonardo avalia que embora, por um lado, o material esportivo adotado seja de boa qualidade, por outro, a escola é deficiente quanto aos espaços físicos utilizados, que são precários e muito improvisados. A escola já fez vários projetos de construção de um ginásio e cobertura da quadra, mas nunca conseguiu recursos suficientes para construir, apesar de estar dentro da Universidade. “A gente trabalha com uma grande variedade de atividades esportivas, mas alguns esportes são mais praticados até porque a própria arquitetura da escola favorece mais a prática de algumas atividades e menos outras. Em época de chuvas não temos condição de utilizar os espaços abertos e isso prejudica porque temos de reprogramar as aulas”, argumenta. 

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Com essa preocupação, e tendo em vista que a comemoração do cinqüentenário poderia se tornar um marco de mudança na relação do curso com sua memória, um grupo formado por docentes e técnicos decidiu iniciar um trabalho de preservação da memória institucional. No projeto que estamos construindo, interessa-nos abordar o trabalho de resgate da memória como processo relacional e coletivo. Não se pensa apenas em colecionar fatos, objetos e relatos acerca da trajetória institucional, mas, sobretudo, instaurar um processo de conversação com o passado.

O Projeto Memória, como foi entitulado, através da recuperação de alguns documentos oficiais e de uma série de entrevistas com os fundadores e alguns ex-alunos do curso de graduação, conseguiu apresentar resultados importantes para o início desse resgate. Paralelamente, outro projeto, o Acervo 50, desenvolveu uma nova metodologia e iniciou o processo de recuperação, tratamento e indexação do material audiovisual produzido e utilizado por alunos, técnicos e docentes ao longo da trajetória da instituição.

A estratégia adotada por ocasião da comemoração dos 50 anos do Curso dá ênfase para os recursos disponíveis na internet, que têm apresentado boas e dinâmicas possibilidades com relação aos aspectos constitutivos da memória, uma vez que as novas tecnologias possibilitam o resgate e o compartilhamento do passado. Nesse sentido, as mídias sociais, os blogs e os sites de compartilhamento de arquivos (youtube, soundcloud e flickr) têm permitido o diálogo com os públicos, para a difusão das informações e para a construção em rede da memória.

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