Alternativa animal
Atualmente, a saúde e o tratamento dos bichos englobam novidades como a Veterinária Alternativa, já denominada medicina complementar.
Acupuntura animal: uma alternativa?
Reportagem: Luiza Glória / Foto: blog.clubevidamoderna
Há muito se ouve falar de medicina alternativa. A novidade é que esses procedimentos já foram estendidos à veterinária e tem sido fundamental em diversos tratamentos de animais de pequeno e grande porte.
A medicina alternativa foi criada há mais ou menos 5 mil anos pelos chineses, e, desde então, é a base de todos os tratamentos médicos naquele paÃs. Os segmentos são variados: acupuntura, eletroacupuntura, massagens, mocha. Bem diversos da medicina ocidental, os tratamentos baseiam-se em pontos de energia, os “acupontos”. Tanto no corpo humano como no dos animais, tais pontos são distribuÃdos por meridianos, vários canais de fluidos e energias que têm localização anatômica e fazem comunicação com diversos órgãos.
No Brasil, a introdução desses procedimentos médicos e as pesquisas a eles relacionadas começaram nas décadas de 1960 e 1970. Na medicina veterinária, a introdução foi pouco mais tardia: na década de 1990, era usa no tratamento locomotor de eqüinos. “Tanto na medicina veterinária oriental quanto na ocidental, estes procedimentos foram introduzidos para tratamento de eqüinos, sempre muito importantes para os chineses, por questões de guerras e conquista de território. São animais de prova, de competição, que precisavam de um suporte a mais na parte locomotora.”, conta PatrÃcia Coletto, pesquisadora da área e professora adjunta do departamento de ClÃnica e Cirurgia da Escola de Veterinária da UFMG.
O que era alternativa, agora já é considerado coadjuvante ou complementar. Este tipo de procedimento é realizado paralelamente ao tratamento e, dependendo da patologia do paciente, pode ser usada sem o uso da medicina convencional. No caso de dor crônica, por exemplo, a medicina complementar pode ser usada como tratamento único. “Se a medicação convencional não foi satisfatória, recorre-se à medicina oriental. Pode ser feito acupuntura para o controle da dor do paciente”. explica a pesquisadora, ao ressaltar, ainda, que, em caso de dor aguda, a acupuntura é utilizada como complementar. “A técnica diminui a dose de analgésico e o tempo de administração do mesmo. Por isso, trata-se de uma terapia complementar e não mais alternativa”, completa.
A contra-indicação é pouca. Como os tratamentos baseiam-se na energia, não é aconselhável que sejam submetidos, a tratamento complementar, animais muito debilitados. “Há animais com o quadro bastante crÃtico, já no fim do ciclo de vida. Se ele estiver com a energia muito baixa, dependendo dos pontos aculhados, podemos levá-lo à morte. Mas dificilmente tem contra-indicação”, completa PatrÃcia.
Eficaz?
A terapia chinesa ainda é muito recente nos procedimentos médicos ocidentais. Muitos ainda são as dúvidas e questionamentos sobre a eficácia de tais tratamentos. “Para o ocidente, é ainda um pouco difÃcil aceitar e entender o que os chineses já fazem há 5 mil anos”, argumenta PatrÃcia Coletto. A verdade é que a medicina complementar tem sido satisfatória, tanto em humanos quando na veterinária, para o controle da dor, de imunidade, e resolução de problemas locomotores, tendinite, torção, processos inflamatórios, entre outros. “Os chineses têm a sua medicina como tratamento ideal para esses problemas, e a eficácia já foi comprovada em diversas linhas, também no ocidente”, afirma a professora.
Os tratamentos complementares ainda não são oferecidos pelo Hospital Veterinário da UFMG. Contudo, de acordo com PatrÃcia Coletto, devem ser instituÃdos para que, ainda em 2010, possam atender a comunidade.