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A música, um grande mistério

Falar e pensar sobre música não é tarefa para qualquer um. Talvez para aqueles que vivenciam a arte de fazer e conviver com o oficio seja mais simples. Mas, para mim, esses quatro meses de reportagem não foram suficientes para entender realmente que universo é esse da música

A música, um grande mistério

Entrada Principal da Escola de Musica


Texto e Foto:

Alessandra Dantas


Vou falar um pouco de música, eu que mal entendo de rimas, partituras ou técnicas musicais. Não falarei de teoria musical, de percussão ou de como o silêncio se manifesta na música. Falo de como eu, estudante de jornalismo, fui parar na Escola de Música e lá ouvir arranjos musicais no violino, trompete e saxofone serem construídos ao ar livre por estudantes que almejam se tornar grandes instrumentistas.

Ninguém me contou. Eu vi. Vi o modo como a música atravessa a vida de estudantes, como a de Lucas Telles, Breno Bragança e José Henrique Viana. O contato com eles foi mediado não por uma câmera, mas sim, por um gravador que, além de captar as vozes dos entrevistados, registrou a mistura de sons e ritmos que escapavam das salas de estudos, dos corredores e da cantina da Escola.

A música continua um mistério para mim, mesmo descrevendo, observando e entrevistando pessoas que fazem parte desse universo. Até posso escrever sobre alguma técnica, identificar que não podemos chamar uma música instrumental de canção. Mas compreender realmente o valor da criação de cada nota musical, bem como o esforço daqueles que tocam ininterruptamente por horas, acredito que é apenas para os músicos, que não fazem isso por vaidade, mas porque é preciso. Eles têm uma relação íntima com a música, já nós, que os entrevistamos, apenas temos uma breve noção do que ela pode ser.

Do pouco que sei, ela é muito mais do que emissão de sons. Ela pode ser elemento terapêutico através, por exemplo, da musicoterapia. Ela não escolhe a idade de seus admiradores. Uma pessoa que gosta de música pode passar boa parte da vida trabalhando com outra coisa e, somente depois da aposentaria, se dedicar a apreendê-la. Esse foi o caso do aposentado Silvano Antônio, que entrevistei no Conservatório de Música da UFMG.

As minhas idas e vindas à Escola de Música foram uma experiência interessante. Quase sempre chegava ao local com uma pré-pauta, eu não tinha um roteiro rigorosamente definido, e sim aberto para o que poderia acontecer. E aconteceram muitos episódios que não vou esquecer. Cito dois, o primeiro foi o contato com uma fonte que tinha um ego bem amadurecido, gerando assim algumas insatisfações. A segunda foi a interação com o simpático porteiro, Mauri, que se dispôs a subir e descer as escadas da Escola, procurando por professores e alunos que pudessem dar uma “palavrinha” comigo. 

Até aqui, deu para perceber que tive sorte e, às vezes, não digo azar, mas algumas dificuldades para lidar com o universo da Escola de Música. Nesses últimos quatro meses, claro que não virei artista, meu timbre de voz não é para tanto. Mas, apesar de não descobrir meu lado artístico, questionamentos foram feitos, aprendizados alcançados e dúvidas ainda permanecem.  Nunca entendi bem o que acontece na cabeça dos músicos. Apesar disso, só sei que não houve silêncio quando os entrevistei.  Mesmo assim, a música continua sendo um mistério em minha vida.
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