Paralisação dos servidores técnicos e administrativos das instituições federais de ensino tem gerado transtorno para alunos e professores da UFMG
Texto e foto:
Pollyanna de Sousa
São duas da tarde e há mais de 10 pessoas na fila de espera por um escaninho na biblioteca Professor EmÃlio Guimarães Moura, situada na Faculdade de Ciências Econômicas (Face). Estas pessoas precisam esperar porque todos os 289 armários estão ocupados e, para acessar a biblioteca, o usuário não pode estar portando mochilas, bolsas ou outros objetos pessoais de grande volume. Essa cena tem sido recorrente após o inÃcio da greve dos servidores técnicos administrativos em educação da UFMG, especialmente daqueles lotados na Face, que aderiram à greve no último dia 14.
A paralisação dos servidores das instituições federais de ensino começou em 9 de junho e, desde então, tem impossibilitado a comunidade acadêmica de utilizar alguns serviços oferecidos pela Universidade, tais como laboratórios, salas de informática e bibliotecas. Em algumas unidades da UFMG, os colegiados de graduação também não estão funcionando. Entre as reivindicações dos técnicos administrativos estão o reajuste salarial, cujo piso proposto pela categoria é de três salários mÃnimos, a isonomia de benefÃcios como o auxÃlio alimentação e o auxÃlio creche e melhorias na legislação que diz respeito ao incentivo à qualificação do servidor.
De acordo com o segurança da biblioteca Professor EmÃlio Guimarães Moura, Emerson Gonçalves, "o movimento na Face está muito maior nestes dias, por causa da greve das outras bibliotecas". Somente entre sete da manhã e duas da tarde da última quarta (29), Gonçalves registrou 224 acessos ao espaço.
As universitárias LetÃcia Fernandes e LetÃcia Mendes estão cursando o 1º perÃodo de Farmácia e, com a greve dos servidores, precisam utilizar as dependências da biblioteca da Face para estudar. Normalmente, elas frequentam, além da biblioteca da Faculdade de Farmácia, a biblioteca da Faculdade de Ciências Exatas. Entretanto, estes espaços também estão fechados, uma vez que os Técnicos Administrativos paralisaram seus serviços. “A greve é importante, mas com ela não tem servidor no laboratório, na biblioteca, e não tem mais avisos sobre as provas finais nos murais da faculdade”, reclama Mendes. Sua amiga, LetÃcia Fernandes, afirma que não conhece bem os motivos da paralisação, mas acredita que a greve seja relevante para a classe dos servidores, que estão buscando melhores condições de trabalho e salários.
Após esperar por mais de 15 minutos por uma vaga nos escaninhos, o estudante de Antropologia, Gustavo Coelho, desistiu e resolveu marcar o encontro para discutir o trabalho em grupo em outro local. “Talvez a greve seja importante, mas atrapalha quem precisa estudar”, destacou. A reunião com os integrantes do grupo foi transferida para a Biblioteca Central, a única da UFMG que tem funcionado normalmente no perÃodo de paralisações. Por este motivo, as mesas vagas nesta biblioteca também estão raras e o nÃvel de ruÃdo muito mais alto que o normal, o que atrapalha quem precisa concentrar nos estudos.
A Assessoria de Imprensa do Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino reconhece que a greve tem gerado transtornos para a comunidade acadêmica, mas afirma que estes são inevitáveis, porque, se não houver paralisação dos serviços prestados, os técnicos administrativos podem ficar até três anos sem reajuste. Até o momento não há previsão para o retorno das atividades dos servidores, visto que a categoria ainda não recebeu nenhuma proposta nem da Universidade nem do Ministério da Educação.