Face, essa unidade me chama atenção
Em um texto de tom pessoal, conto um pouco da experiência de ter conhecido a Face a partir de uma busca jornalÃstica desenvolvida por um semestre. Da primeira e preconceituosa impressão de considerar a Face um shopping, passei a uma visão menos estereotipada, percebendo variadas faces
Fachada da Faculdade de Ciências Econômicas
Texto: Thaiane Rezende
Imagem: Foca Lisboa (extraÃda do site da UFMG)
Um prédio se destaca na Avenida Mendes Pimentel. Para quem vem da portaria da Avenida Antônio Carlos, após passar pela Escola de Belas Artes, Faculdade de Letras, Ciência da Informação e Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, a Faculdade de Ciências Econômicas chama atenção, no mÃnimo por ser nitidamente a mais nova construção entre as que ficaram pelo caminho. O novo prédio de que estou falando começou a ser construÃdo em 2004 e foi inaugurado em março de 2008, é a Face, logo em frente ao prédio da Reitoria. Gerada a custo de R$ 24 milhões, a Face tem uma estrutura de 16.743 metros quadrados de área construÃda. Abriga uma biblioteca que funciona 24h, a pioneira na UFMG a funcionar com tamanha flexibilidade de horário, e possui também mais de quatro auditórios bem equipados, que são usados inclusive para atender demandas de outros prédios. Sim, trata-se de uma estrutura de causar inveja à s outras unidades.
Em 2009, ano do meu ingresso na UFMG, a Face era motivo de muitos comentários. Com a pintura ainda nova e as cores vibrantes, costumávamos considerá-la o prédio modelo do
campus Pampulha e tecÃamos várias piadinhas. “Olhe bem aqueles dois prédios [apontávamos para a Fafich e para Face], em qual deles estudam os ‘revolucionários’ que pensam contra o capitalismo? Em qual deles estudam os que trabalham para o sistema?” Era como se a Face fosse um centro comercial moderno e elegante e a Fafich fosse um prédio largado à própria sorte. Nada como a experiência para aliviar esse maniqueÃsmo que fazia sentido para uma turma de calouros.
A Face vista de perto parece muito mais complexa e talvez até mesmo contraditória que um simples
shopping ou centro comercial. É uma Faculdade com tradição polÃtica muito forte e digna de respeito. Em uma caminhada pelo primeiro andar podemos ler sobre seus estudantes notáveis que se organizavam politicamente até mesmo nos anos do regime militar. Obviamente que uma estudante como eu, que sequer estuda na Face, não saberá reconhecer todo o prestÃgio que essa Faculdade merece. Mas ter passado um semestre com a tarefa de encontrar pautas jornalÃsticas naquela unidade já me fez perceber o quão diversas são as formas de pensar que ali coexistem.
Comemorando seus 70 anos, em 2011, o que vi foi uma Face multifacetada. Peço-lhes que me perdoem o trocadilho, mas ele faz muito sentido. Lá pude encontrar um professor de economia que discute sustentabilidade (ver matéria: “
Sustentabilidade e economia em discussão”), um PET que tem mais preocupação com atividades de pesquisa que com as de mercado (ver matéria: “
PET-Administração promove experiência universitária”), um doutorando em administração que defende que a gestão deve ser vista como uma ação social mais ampla (ver matéria: “
Olhando com atenção para o terceiro setor”), um projeto de extensão e pesquisa que trabalha com monitoramento e participação polÃtica.
Depois destas experiências jornalÃsticas, não ouso comparar de forma tola e injusta a Face a um
shopping, mas confesso que o ambiente de lá guarda uma certa sofisticação e restrição que ainda me incomodam. As catracas na entrada de um prédio público, uma cantina cujo quilo de comida é bastante caro e um estacionamento que proÃbe a entrada de carros de alunos de outras unidades são estranhos demais para uma estudante da Fafich.