O IGC, por eles
Trabalhando nos principais pontos de encontro e movimentação do IGC, funcionários falam sobre o cotidiano do prédio, o contato que estabelecem com os seus frequentadores e revelam o que pensam em relação aos própios afazeres
Júnio, em uma de suas funções na biblioteca "Adoro trabalhar no IGC"
Texto e fotos:
Bárbara Altivo
Quando falamos da vida que se faz nas faculdades, escolas e institutos da UFMG, as principais fontes convocadas, quase que exclusivamente, são os professores e estudantes. Entretanto, para entender o que se passa no ambiente universitário, é importante ouvir o que outros participantes ativos dessa dinâmica têm a dizer. É o caso dos porteiros, funcionários da biblioteca, da área de administração, do xerox, da limpeza e da cantina.
Muita vezes despercebidos, os trabalhadores encarregados das tarefas fundamentais de funcionamento do IGC integram e convivem diariamente com a movimentação do prédio e podem nos dizer muito sobre o que acontece por lá.
De segunda à sexta, Júnio Lopes, que auxilia na pesquisa e no empréstimo de livros e mapas, chega ao ICG à s 7h e só sai à s 16h. E tem sido assim desde 2007, ano em que ele começou a trabalhar no prédio. “Conheço por nome todos os alunos de Geografia, Geologia e Turismo que frequentam a biblioteca”, conta. Além de ser um dos principais lugares que reúnem estudantes do IGC, a biblioteca, para o funcionário, agrega pessoas dos mais diversos cursos da Universidade. “Atendemos muito o pessoal da Aquacultura, da Engenharia Ambiental e da Engenharia de Minas. É bem legal essa diversidade de gente que passa por aqui”, diz.
Júnio afirma que o amplo contato com alunos e professores alegra a sua jornada diária e, inclusive, ocupa outros espaços em sua vida. Ele conta que já participou do Geoteco, evento festivo que acontecia todas as quintas-feiras no prédio. “Os alunos me chamam para diferentes atrações no IGC. Já assisti a sessões de vÃdeo no auditório e a seminários acadêmicos apresentados em aula.” Para Júnio, não há dúvida: “as pessoas daqui são calorosas”.
Quem concorda com ele é Denise Florência da Silva, que há dois anos é gerente da cantina. Antes, trabalhava no Instituto de Ciências Biológicas (ICB). “Como o prédio do IGC é menor, me parece ser mais aconchegante, e as pessoas são carinhosas”.

Denise, gerente da cantina do IGC. "As pessoas daqui são carinhosas."
Denise fiscaliza os pedidos e entregas de produtos, bem como fica por dentro do andamento das refeições. Ela revela que, além do almoço, o principal atrativo dos clientes, em sua grande maioria estudantes, é o famoso bolo de chocolate com cobertura. “É comum aparecem algumas carinhas novas, de outros prédios, em busca de um pedaço.”
Mas o ritmo acelerado do trabalho pode ser estressante. Assim, Denise ressalta que os momentos de descontração entre as funcionárias da cantina é fundamental para suportar a velocidade das tarefas. “Adoramos contar piadas, morremos de rir juntas”, conta.
A integração entre os funcionários do prédio também é, para Washington Fernando Souza, um dos elementos mais importantes do cotidiano. Mesmo com apenas um mês e meio de trabalho como porteiro do IGC, ele considera que “a hora do almoço e do café são os principais momentos para bater aquele papo e descontrair”. Situado no ponto de maior movimentação do prédio, ele afirma: “aqui é tranquilo. O pessoal respeita o ambiente e os trabalhadores”.
Júnio tem a mesma impressão. Para ele, os alunos são flexÃveis e rarÃssimas vezes chegam a causar problemas para a biblioteca. Revela que, de vez em quando, dá um toque aos mais desavisados sobre o retorno dos mapas emprestados, que algumas vezes voltam danificados pelo uso no trabalho de campo. “Até aprendi um pouco de cartografia. Estudo alguns conteúdos para poder indicar livros aos usuários. Afinal, eles esperam de nós um apoio que vai além do empréstimo.”

Washington, porteiro do prédio. "Nunca tive problemas no IGC."
Júnio, que tem 20 anos, estuda Matemática na UFOP. Ele destaca que depois de começar a trabalhar no IGC percebeu o quanto todos os campos do saber são ricos, “inclusive as ciências humanas”.
Denise ressalta a influência do meio universitário em sua vida familiar. Se, por um lado, trabalhar na cantina do IGC resulta em muito cansaço ao fim do dia, por outro, a vivência em um prédio da Universidade interfere positivamente na relação dela com as suas duas filhas. “Como passo a maior parte do meu dia aqui, quando chego em casa sempre converso com elas sobre a importância dos estudos.”
Júnio reforça. “Estando dentro da universidade, o conhecimento vem atrás da gente.”