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Passos do príncipe

Como seria o relato de um inflamado fã de Olavo Bilac sobre a visita do poeta a Belo Horizonte

Passos do príncipe

Rua da Bahia em 1910 - um pouco antes da visita de meu adorado ídolo! - Foto: Reprodução


Texto:

Anna Aguiar

Sempre fui um fã do grande poeta Olavo Bilac. O Príncipe dos poetas brasileiros sempre me encantou, tanto com seus poemas, quanto com seu trabalho como jornalista! Esse predestinado, cujo nome já era um verso alexandrino! Sem mais delongas, não tenho o dom de meu ídolo. Meu dom é a palavra, mas servindo a outra musa: a Advocacia!

No áureo ano de 1916, tive a oportunidade de vivenciar uma experiência incrível. Uma simples notícia me trouxe um desejo de reconhecimento repentino, uma vontade de que meu ídolo soubesse que tem fãs muito leais. Soube que ele viria a Belo Horizonte, onde, à época, eu cursava direito na Universidade Federal de Minas Gerais.

Chamei alguns colegas da Faculdade de Direito que compartilhavam da minha predileção literária. Não foi difícil, o poeta era uma febre entre os estudantes de lá. Soubemos, por um amigo bem relacionado, que ele passaria pela Rua da Bahia, perto de onde estudávamos. Tínhamos que reverenciar sua passagem pela cidade. A ideia era estender um grande tapete vermelho para que Olavo – veja cá eu, já me sentindo mais próximo do poeta – pudesse passar. No entanto, achamos mais pertinente estender nossas capas pela Rua da Bahia, demonstrando o nosso respeito e admiração pelo poeta.

No dia? A euforia era sensível a todo o lugar. Dezenas de estudantes se entreolhavam e pairava a dúvida que ninguém ousava verbalizar: “será que ele vem mesmo?”, “será que vai dar certo?” e, ainda, “será que ele vai gostar?” Quando ele estava chegando, apenas um grito: “lá vem ele!”, imediatamente seguido por um burburinho que se espalhou feito rastro de pólvora. As dúvidas só cresciam, diretamente proporcionais ao nervosismo.

Tudo passou muito rápido, mas as imagens estão na minha mente como se tivessem acontecido ontem. Olavo Bilac chegou e nós, prontamente, tiramos nossas capas e as jogamos a seus pés, ao longo se seu caminho. De início, ele pareceu um tanto confuso. Mas ao olhar para nossos olhares tímidos, mas encorajadores, caminhou sobre elas. Foi o suficiente para que quem estava lá irrompesse em aplausos e gritos de “vida Olavo!”. O príncipe dos poetas esboçou um sorriso, deu um aceno de mão e se foi.

Recolher do chão minha capa, que antes havia dado suporte para que meu ídolo caminhasse pela Rua a Bahia, foi de fato muito emocionante. Definitivamente, uma sensação inesquecível que ficou não só nas nossas memórias, mas também na história da Faculdade de Direito.
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