Assinar Newsletter
Busca

Comunicação Social

Um programa social e acadêmico

You are here: Home Produção Jornalística Agência de Notícias Vida no campus Um programa social e acadêmico
Document Actions

Um programa social e acadêmico

No mês de julho, o projeto de extensão da Escola de Veterinária que trabalha com animais carentes ficou bem classificado no edital do MEC. Com esse reconhecimento, finalmente o Hospital Veterinário da UFMG terá recursos financeiros para realizar importante trabalho social

Um programa social e acadêmico

Christina Malm - Foto: Divulgação


Texto:

Lígia Souto


Tudo começa quando o cão adoece. O proprietário não possui condições financeiras para arcar com o tratamento e abandona-o na rua. O gato está velho, vai para a via pública. O dono viaja, ou se muda para uma casa menor, e mais uma vez o animal se encontra desamparado.

A partir daí desenvolvem-se outros problemas. Superpopulação de animais, aumento das chamadas zoonoses, doenças transmitidas para o homem, como a mais perigosa de todas, a leishmaniose, além, é claro, de todo o sofrimento que os animais de estimação passam por não possuírem um lar.

Pensando em sanar um pouco desses problemas, foi criado na Escola de Veterinária o “Programa de controle populacional de cães e gatos e de promoção do bem-estar homem-animal junto à população carente”.

A professora do Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinária e coordenadora de um dos projetos, Christian Malm, nos explica como tudo começou. “Eu escrevi um projeto sobre castração de animais carentes para ser realizado dentro do Hospital Veterinário. Apesar de muito bem elogiado, não conseguíamos a verba para fazer o projeto funcionar. Então a pró-reitora Marizinha me aconselhou a inscrever no edital do MEC para programas e projetos de extensão, que saiu agora em abril. Além disso, foi feita uma parceria com o professor Rafael Faleiros, que já possuía um projeto de castração de animais fora de Belo Horizonte. Com a ampliação, o programa ficou classificado em 15º de 196 projetos de todo o Brasil, dentro do tema saúde”.

O objetivo do programa é a castração de animais abandonados e pertencentes a pessoas consideradas carentes. Segundo as organizações não-governamentais de animais abandonados, carente é aquela família cuja renda mensal não excede três salários mínimos. De acordo com essas instituições, essas pessoas não teriam condições para custear os exames de risco cirúrgico, a cirurgia e a medicação do pós-operatório. Assim, o programa fornecerá todo esse aparato gratuitamente para esses animais.

Mas buscar o controle do número de animais não é o suficiente para garantir o bem estar dos cães e gatos. É necessária a educação da sociedade para que os animais não sejam considerados descartáveis e as pessoas passem a valorizar esses seres. “O animal traz muitos benefícios para o homem. Na rua, o pet sofre muito, se envolve em brigas, as pessoas atropelam e machucam. Hoje já é sabido que tanto o cão como o gato são seres ‘sencientes’. Eles sentem dor, possuem sentimentos e se entristecem com a situação que o abandono lhes causa”, explica a professora.

Considerando o fator dor, a cirurgia é feita com anestesia geral para garantir que o animal não sofra. Os benefícios da castração não se limitam ao controle populacional. Doenças que acometem o sistema reprodutivo, como câncer de mama, cistos uterinos, complicações na próstata e testículos são evitadas, além de melhorar o comportamento do animal.

Dentro do Hospital já é feito o trabalho de bem-estar dos animais e do homem. Através do projeto a expectativa é que isso se espalhe. “O veterinário é a principal pessoa no processo educativo de como cuidar do cão e do gato. Isso já é vivenciado aqui no dia-a-dia do Hospital Veterinário. O que faremos agora é a promoção desses conceitos através de cartilhas, folhetos informativos e bastante material gráfico para atingir as pessoas que castrarem seus animais conosco”, conta Christina.

A professora admite ainda que esse é um processo lento, com resultados a longo prazo, mas ela acredita que com um trabalho bem feito um número maior de pessoas serão atingidas indiretamente por meio do chamado “boca a boca”. “Existe muita coisa ainda a ser feita. Eu tenho a esperança que um dia essa realidade irá mudar. O Brasil tem se conscientizando mais sobre o bem-estar do animal e do homem. Existem inclusive clínicas em Belo Horizonte que separam um dia em determinados períodos para fazer castração de animais carentes”, desabafa a coordenadora.

A verba concedida pelo MEC é específica para a castração de animais contemplados pelo processo de triagem e educação de seus proprietários. Durante todo o ano de 2012, janeiro a dezembro, serão operados cerca de 250 animais de aproximadamente 240 famílias. A professora conta que mudar uma realidade é muito complicado, mas tudo que estiver ao alcance será feito. O trabalho será realizado com professores da Escola de Veterinária, alunos de graduação a partir do 6º período e médicos contratados do Hospital. O projeto é social, acadêmico e de extensão. Beneficia os alunos, a comunidade e os cães e gatos.
Portal Laboratório Tubo de Ensaio                                                             OfficiumProdução Jornalística e Comunicação Integrada - Universidade Federal de Minas Gerais - Av. Antônio Carlos, 6627 - Campus Pampulha - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - Sala 7 - 3° Andar - Belo Horizonte/MG - CEP: 31270-901 - oficium@fafich.ufmg.br