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O que o jazz fala pra você?

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O que o jazz fala pra você?

Festivais de jazz são sinônimos do interesse pelo estilo musical ou apenas mais um ponto de encontro para pessoas que não têm nem ideia do que se passa no mundo jazzístico?


Produção de Adriana Costa
Pedro Alvarenga e Ethel Braga


Festivais de jazz são sinônimos do interesse pelo estilo musical ou apenas mais um ponto de encontro para pessoas que não têm nem ideia do que se passa no mundo jazzístico?

Setembro. Mês da Independência do Brasil, começo da primavera, término das inscrições para o vestibular da UFMG e, surpreendentemente, festivais de jazz pipocando em Belo Horizonte. Só este ano, seis grandes eventos de jazz aconteceram nas cidades de Belo Horizonte e Ouro Preto: Savassi Festival 2009 – Jazz e Lounge, Jazz Festival Brasil, Tudo é Jazz, Horizonte Blue Jazz Instrumental, I Love Jazz e Aqui Jazz.

E eles não só  se multiplicam como lotam. Festivais de teatro e de cinema acontecem sempre, e muitos ficam às moscas. Mas os recentes eventos relacionados ao jazz têm tido muito público. E não precisamos ir longe, vários colegas da comunicação frequentam esses espaços. Mas o curioso é: proporcionalmente ao número de festivais e a freqüência de determinados grupos nesses eventos, pouco se escuta sobre a nova música de tal cantor de Jazz, o CD que fulano lançou, ou pra ser mais específico, qual é o disco da Billie Holliday (homenageada do Festival Tudo é Jazz deste ano) preferido de alguém.

Mesmo sem muita gente discutindo a respeito do gênero musical, está todo mundo lá, prestigiando os shows na Savassi, nos centros culturais, no Palácio das Artes, nas praças de BH ou em Ouro Preto. Prestigiam mesmo? Pergunta difícil, resposta improvável. A teoria mais plausível é que o jazz foi finalmente descoberto pelos “pseudos-cults”, aqueles que se fazem de descolados, mesmo que não sejam, e entrou na lista de elementos apreciados pela tribo social. Mais ou menos o mesmo caso da já não tão popular combinação rúcula-tomate seco. Os “pseudo-cults” por sua vez orientam uma segunda tribo: os “pseudo-pseudo-cults”, que se inspiram nos primeiros, com a ilusão de que eles sejam realmente cults. Pronto! Todo mundo lá! Bebendo cerveja, socializando e ignorando completamente os dedos mágicos do maravilhoso Vana Gierig. Sim, maravilhoso, ele é um homem.

E se você chegou até aqui horrorizado e ofendido com a nossa falta de consideração pelo SEU interesse por jazz, a gente lança o desafio. Quantas perguntas, em um questionário de 14 itens – do tipo fácil, que se restringe ao jazz clássico norte-americano – seriam necessárias acertar para comprovar um legítimo envolvimento e interesse pelo gênero?



       Faça o teste você mesmo!
     Ps: Em caso de dúvidas, procure no Google, dê sua
  opinião, faça sua crítica e prove que sim, jazz em
  Belo Horizonte pode ser mais do que multidões de
  flanelinhas cobrando dez reais para estacionar em via
  pública e dois latões de cerveja por cinco reais.
  
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