A escolha das notícias, um jogo de interesses
Brigas na redação, jornais que só cobrem notícias desastrosas, políticos que são sempre bem vistos na mídia. Afinal de contas, o que está em jogo na escolha das notícias ?
A seleção de notícias vai muito além das discussões sobre o que é verdade e o que é ser objetivo, discussões estas que já são quase um clichê na vida dos estudantes da área. Isso porque quando se fala em escolha de notícias está se falando do posicionamento de uma empresa ao noticiar algo, levando em conta seus interesses próprios .Como pensar então os critérios envolvidos na escolha de notícias?
Os alunos de Teorias e Métodos Jornalísticos se debruçaram nessa cabeluda discussão, que leva em conta desde as ideologias, os grupos de poder, as leituras parciais de uma conjuntura histórica mais ampla, como lembra o aluno do 5° período, Marco Túlio: “Um fator na escolha de notícias é o caráter incomum, ou de novidade. Segundo esse fator deveria se dar maior prioridade ao que é importante e de grande envergadura em detrimento do trivial, dos acontecimentos banais. O problema deste fator é que ele prioriza uma visão episódica dos fatos, desconsiderando toda uma conjuntura de fundo”. Ou seja, toda notícia é, antes de tudo, um recorte de uma realidade mais ampla e complexa, e, portanto, os interesses dos veículos jornalísticos vão influenciar claramente nesse recorte.
Victor Vieira, do 3° período, já pensa um pouco diferente: “Em análise mais pontual, cada notícia também carrega as marcas dos preconceitos, valores, experiências e visões de mundo dos repórteres e editores, desde a escolha do tema até a redação da matéria”. Aí a discussão começa a ficar mais complicada, pois de um lado tem-se os interesses da empresa jornalística e do outro os aspectos mais subjetivos de quem escolhe o que vai ser veiculado (que nem sempre atendem stricto sensu aos interesses da empresa). O jornalismo seria, então, uma luta em que editores e chefes de redação tentam passar, nem que seja de forma discreta, algo que não agrada aos interesses das grandes empresas jornalísticas? Ou os jornais simplesmente contratam quem se alinha à ideologia da empresa para se “garantir”?
Além disso, os estudantes lembraram que toda notícia supõe algum interesse do leitor, logo cada jornal vai se orientar (também) por essa intuição acerca do que é de “interesse público”. Ao fazer isso, o jornal acaba criando uma identidade própria e fidelizando um público. Os alunos também enfatizaram como que o aspecto negativo é valorizado na escolha das notícias. Se toda notícia é um recorte que supõe um público, então os leitores são construídos pelo jornal e acostumados a ler notícias negativas? Fica aí a questão colocada por Adriana Costa: “até que ponto as justificativas para o excesso de notícias negativas na mídia são suficientes. Acredito que existam outros fatores, presentes na forma como nos organizamos como indivíduos e sociedade que corroborem para isso.” E você o que acha disso?
Saiba mais:
Os alunos de Teorias e Métodos analisaram os jornais Super e Estado de Minas do dia 20 de maio para essa discussão, confira as páginas destes dois veículos na internet e veja se você concorda com o que eles disseram:
www.uai.com.br/em.html
www.otempo.com.br/supernoticia/