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Aonde foi que eu vi isso?

As produções de pessoas comuns dividem espaço com as de veículos tradicionais de comunicação, presentes na web. Se os conteúdos são os mesmos, quem está pautando quem?


Matéria de
Adriana Costa e
Lucas Pavanelli
Edição: Ana Cláudia Paschoal


Cada vez mais pessoas têm a chance e a prática de se expressarem através da web, das mais diferentes formas. O conteúdo produzido por elas divide agora espaço com a mídia tradicional corporativa, também presente na internet. De acordo com o professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS, Alex Primo, tanto a mídia tradicional se apropria desses novos meios, quanto as novas mídias utilizam-se delas para ganhar espaço. “Outras personalidades, como políticos e atletas, mantém blogs como fonte 'oficial' de informações. Eles focam não apenas eleitores e fãs, mas buscam também pautar veículos jornalísticos. Este expediente usa o meio blog como nova forma de distribuição de press-releases”.

Um novo meio - posterior aos blogs - e que utiliza bastante desse contato direto entre a personalidade e o público é o Twitter. Um exemplo é a página do presidente do Clube Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, que busca com a ferramenta maior aproximação com o torcedor. Em pouco mais de três meses que possui uma conta no portal 24.120 pessoas o acompanham em seus tweets esporádicos, o que lhe confere status de pessoa com maior número de seguidores em Minas Gerais. Todas as últimas seis contratações do Atlético, desde que Kalil aderiu ao Twitter, foram anunciadas não em uma entrevista coletiva ou furo de um grande jornal mineiro, mas por meio de um comentário com menos de 140 caracteres.

A professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, da UFMG, Maria Beatriz Almeida Sathler Bretas, aborda o crescimento e importância que novas plataformas e redes de compartilhamento vêm ganhando. Segundo Beatriz Bretas, o motivo pelo qual a produção realizada nessas plataformas vem sendo cada vez mais valorizada se deva, talvez, a uma maior identificação do telespectador/leitor com aquele conteúdo, que poderia ter sido produzido por ele mesmo. Além disso, é notável como o tempo gasto pelas pessoas no ato de se informar fica disperso em meio a tantas fontes. Sendo assim, a professora defende que “Embora cada novo meio que surge tem um tipo diferente de contrato com seu interlocutor é importante estender a classificação de mídia para essas novas plataformas de interação".

Ainda que essa categorização não seja reconhecida por todos, na prática, o novo espaço midiático é compreendido não só pelas pessoas comuns, que se dão conta do local que estão ocupando, como pelas instituições mais tradicionais de comunicação, que capturam esses conteúdos para os seus próprios espaços. A partir daí novas fontes são integradas aos processos de encadeamento midiático, proposto por Alex Primo. O conceito propõe um fluxo de intertextualidade entre os veículos, onde eles se pautam mutuamente.

O trabalho de Primo dialoga também com a idéia dos jornalistas enquanto comunidade interpretativa, da teórica Barbie Zelizer. A autora afirma que “As comunidades interpretativas exibem certos padrões de autoridade, de comunicação e de memória quando interagem mutuamente. Estabelecem convenções que são predominantemente tácitas e negociáveis no que respeita à forma como os membros de uma comunidade podem ‘reconhecer, criar, experimentar e falar sobre os textos'"¹. Apesar de otimista a respeito das mudanças que as novas plataformas e redes sociais virtuais podem trazer para a esfera midiática, a professora Maria Beatriz alerta sobre a importância de estarmos atentos e críticos em relação ao papel que exercemos dentro dessa nova dinâmica.

    Referência  
 1    ZELIZER, Barbie. Os Jornalistas Enquanto Comunidade
  Interpretativa. In: Revista de Comunicação e
  Linguagens. p. 38
   
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