O uso dos hipertextos na Internet já não é uma novidade. O problema é o “bom uso”.
Matéria de Mariana Garcia e Carla Pedrosa Edição de texto: Igor Lage Edição de mídia: Marina Morais
Clique aqui. Assista ao vídeo. Escute o áudio. Não! Continue lendo. Hoje, dificilmente se vê uma página na internet que não convoque o internauta para um clique a mais no mouse e a culpa é toda do hipertexto. Mesmo não se tratando de uma novidade, ainda fica uma sensação estranha de que esse recurso está sendo subutilizado, principalmente pelo jornalismo.
Termo mais que sagrado no universo da web, o hipertexto nada mais é do que um recurso que amplia o sentido sobre determinado assunto. Mas ele não é exclusividade da Internet. Antes da Wikipédia, já havia a Barsa. Antes dos blogs, já havia os jornais. É através das manchetes e chamadas da primeira página, por exemplo, que o leitor escolhe como irá navegar pelas páginas e cadernos dos jornais. Na mesma direção está a enciclopédia, cheia de verbetes que chamam para outros verbetes e assim sucessivamente. Segundo o professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Viçosa, Carlos D'Andréa, o hipertexto "depende muito mais da maneira de organizar as informações, o pensamento, do que propriamente do suporte. No caso dos meios digitais, isso se tornou mais evidente, quase uma obrigação. As páginas da internet se organizam através de hiperlinks".
O problema é que estamos acostumados com a lineariedade, o tal do início, meio e fim que treinamos exaustivamente na escola. É quase uma predisposição a querer segurar o leitor fortemente pelas mãos. E, por isso, tememos que o hipertexto seja uma janela para que ele fuja e não volte mais. Ainda que nem sempre saibamos como usá-la em toda sua potencialidade, uma coisa é certa: a linguagem hipertextual já está difundida. Não nos estranhamos mais, mas deveríamos. É o que diz a professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG, Beatriz Bretas:
No livro Hipertexto, Hipermídia – as novas ferramentas da comunicação digital, de Pollyana Ferrari, o hipertexto é comparado ao rizoma, um tipo de caule que cresce caoticamente, não precisa seguir uma hierarquia e é interceptado e ramificado pela comunicação em diversos pontos que funcionam como uma rede. E quanto mais a rede parece um labirinto, mais é preciso ser um bom leitor para não se perder. Pensar em um bom site é também refletir sobre a disponibilidade e qualidade das informações. Quanto mais diversa for essa informação, maior é a possibilidade de interatividade. Porém, não se trata dessa interatividade plena que tantos pregam por aí, como afirma Carlos D’Andréa:
Portal Laboratório Tubo de Ensaio OfficiumProdução Jornalística e Comunicação Integrada - Universidade Federal de Minas Gerais - Av. Antônio Carlos, 6627 - Campus Pampulha - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - Sala 7 - 3° Andar - Belo Horizonte/MG - CEP: 31270-901 - oficium@fafich.ufmg.br