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O jornal e o leitor, uma questão de identidade

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O jornal e o leitor, uma questão de identidade

Os aspectos que possibilitam a identificação do leitor com um jornal são vários, e o papel de quem lê pode ser mais do que o de um mero consumidor.

Imagens chamativas, frases de efeito, cores variadas, todos estes são os elementos da primeira página dos jornais para atrair o consumidor. Mas além de vender uma edição,  esses veículos buscam fidelizar o leitor, isto é, garantir que ele crie o hábito de comprar tal veículo porque se identifica com ele. A questão que fica, então, é  qual é, de fato, o poder dos jornais em nos persuadir e de nos fazer leitores fiéis a uma publicação?

Por um lado, devemos pensar que todos os dias os jornais trazem notícias novas, de modo que o conteúdo do jornal vai ser sempre diferente, em certa medida, de sua  edição anterior. Diante disso, para ter uma identidade, uma referência, os jornais buscam manter alguns elementos constantes em suas edições: “É justamente a identidade do jornal que deixa o leitor  familiarizado com a orientação e hierarquização de conteúdo, dentre outros elementos, proposta sistematicamente pelo veículo.”, lembra Victor Vieira, do 3° período. Otávio Marques, aluno de Teorias e Métodos, aponta ainda que, não apenas a diagramação do veículo, como também as notícias dizem algo de sua identidade: “O jornal fala do que é novo, mas abre espaço para o esperado, o trivial, banal e o rotineiro.”.  Jéssica Antunes, do 3° período, já ressalta que os jornais também têm seus interesses próprios: “A atividade jornalística se propõe a informar a sociedade sobre os acontecimentos de seu interesse. Essa informação, no entanto, não é construída de modo desinteressado, mas carrega a intenção de quem a produziu”. Não  podemos  negar que os jornais têms diversas estratégias e interesses para criar uma identidade, vale pensar, então, no papel do leitor ao se defrontar com tudo isso:  “Concordo que as pessoas que são ‘fiéis’ a um jornal, compram-no porque de certa forma compartilham com ele algumas visões de mundo. Porém, isso não significa que ao ler um jornal um leitor irá compactuar com todas as idéias que estão lá e aceitará tudo o que foi lido sem questionamento ou ao menos reflexão.”, afirma Fabíola Carolina, também do 3° período, levantando um ponto  que merece ser refletido: a influência da sociedade nessa mídia, e vice-versa. Victor defende que “a maneira como a mídia diz sobre algo também nos conta a forma como a sociedade o enxerga.”. Francisco José, da mesma turma, já defende que “não se pode pedir uma transmissão do mundo. Não há um jornal zero, que simplesmente passe a informação. O que se pode pedir sim é uma visão de mundo. Basta ir a uma banca e escolher a sua.”. Reflexo da sociedade, ou uma leitura que nos orienta? Afinal de contas, até que ponto nós construímos o jornal e nos deixamos construir por ele? E você, o que pensa sobre isso?

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