Pioneiro, redondo e vertical
Essa pode ser a fórmula de sucesso do Super NotÃcia. Apesar das semelhanças com o Aqui, os jornais populares dos mineiros não são recebidos da mesma forma pelos leitores. Há uma explicação para isso?
Matéria de
Andreza Brito e
Flávia Morais
Edição de
Danilo Couto
Custam R$0,25, têm formato tablóide e são vendidos em Minas. Embora sejam semelhantes, ‘’Super NotÃcias’’ e ‘’Aqui’’ possuem pontos que os diferenciam. O Super surgiu primeiro, no ano de 2002, e custava R$0,50. Em 2006, foi lançado o Aqui, já com o preço atual, para fazer concorrência. E, com o tempo, preços se igualaram.
As propostas também foram parecidas, mas a resposta do público não. Em 2007, o Super surpreendeu ao conquistar o primeiro lugar no ranking nacional de vendas feito pelo Instituto Verificador de Circulação, o IVC, com uma média de 300.000 exemplares diários, ultrapassando até mesmo jornais renomados como Folha de S. Paulo. Enquanto isso, o Aqui alcançou a média de 75 mil jornais vendidos.
Entre as diferenças que explicam a tiragem tão diversa, estão: abordagem dos assuntos e distribuição nas páginas. Segundo a mestre em Comunicação Social Flávia Miranda, que desenvolveu dissertação sobre jornais populares, “Se lermos uma mesma notÃcia no Aqui e no Super NotÃcia, veremos diferenças. A polÃtica editorial faz com que um elemento seja realçado numa publicação e talvez nem seja mencionado em outra’’.
Para exemplificar, ela cita a forma como as fontes de notÃcias violentas são identificadas. No Aqui, o leitor tem acesso apenas à s iniciais dos nomes. Já no Super, eles são identificados como em qualquer outra matéria. Com os jornais nas mãos, outras distinções também se tornam visÃveis. O Aqui exibe formas mais retangulares, textos justificados para ocupar espaços delimitados, e as linhas separam bem assuntos, imagens e textos. No Super, formas e textos são mais soltos. Os blocos com as notÃcias são menos demarcados e o texto é alinhado à direita.
O Aqui investe em notÃcias onde textos ganham maior destaque. Já o concorrente destaca imagens, investe em boxes e em outros recursos dispostos na vertical. Colunistas também são tratados de forma diferenciada. No Super, eles aparecem de modo mais discreto.
Mais que elementos gráficos, a fidelidade do público ajuda a explicar os números. O Super NotÃcia saiu na frente ao surgir primeiro no mercado. “O Aqui não se fez forte talvez porque o Super já tivesse criado uma relação estável com o público, o que o fez até mesmo abaixar o preço para continuar com as vendas. Ele também investe em cores no interior do jornal, e o Aqui, nem tanto”, analisa Flávia Miranda.
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Mas o que é o popular? |
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Qual a conexão entre mulher gostosa, crime e futebol? Nenhuma. É por isso que esses elementos podem estar presentes em uma mesma página, na capa, dos jornais populares. O popular lida com o diferente e até contraditório. É a “mistura”, como diria Stuart Hall, e o “produto destinado à s classes populares”, para Danilo Angrimani, autor do livro Espreme que sai sangue.
Márcia Franz Amaral aponta tal gênero como o que valoriza a oralidade e recursos emocionais dos acontecimentos. No entanto, isso não deve ser utilizado para rotulá-los como sensacionalistas. Isso porque o sensacional é o que atrai pelos sentidos e, em maior ou menor grau, tanto os jornais populares como os de referência utilizam esse recurso.
“Se de saÃda rotulamos os jornais populares de sanguinolentos, corremos o risco de não “ouvir” o que esses jornais têm a “dizer”, a não ver aquilo que corrobora a visão de mundo de muitos, o que seria injusto e pouco produtivo do ponto de vista comunicacional’, diz Flávia Miranda
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Veja alguns trabalhos sobre o tema
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Análise sobre o leitor do Super NotÃcia de
Maria da Consolação.
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Monografia de Flávia Ayer.
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Resumo da dissertação de Flávia Miranda.
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