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R1 X G7 ooooops... R7 X G1

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R1 X G7 ooooops... R7 X G1

Batalha entre as maiores emissoras de TV do Brasil se estende também para a Internet, mas semelhanças de forma e conteúdo entre os sites geram repercussão.


Matéria de
Catarina Flister e
Eduardo P.A. Júnior
Edição de
Andreza Brito, Danilo Couto e Andrea Souza



Navegar nos portais da Globo, o G1, e da Record, o R7, é uma experiência curiosa. Desde o layout, passando pelas notícias em destaque, culminando nos anúncios, a semelhança é espantosa. À primeira vista, esses sites estariam disputando o mesmo público: qualquer usuário da rede interessado em obter informações em primeira mão. Para atingir essas pessoas, é necessário estabelecer uma relação de confiança, construída a partir da identidade apresentada pelo jornal.

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Em seu livro A sociedade Refletida¹, o pesquisador Eric Landowski afirma que “cada jornal tem seu estilo, um tom, um “perfil” que o define e que (...) dele fazem uma figura social capaz de cristalizar duradouramente atitudes de atração ou de repulsão”. Assim, a partir do momento em que o leitor se identifica e reconhece neste veículo de comunicação, o autor defende o início de um processo de repetição, “(...) favorecendo o hábito ou a rotina, ou, menos disforicamente, uma certa constância – como se, uma vez que alguém elegeu seu jornal, permanecer fiel a ele fosse, em suma, permanecer fiel a si mesmo.”

Hoje, contrariamente, basta abrir mais de uma janela em um browser e... voilá! Tem-se dois jornais (ou muito mais do que isso), ao mesmo tempo, à disposição. Além disso, a liberdade de expressão e a inovação na forma de apresentação dos conteúdos, aliada à interatividade, características da internet, favorecem inevitáveis comparações entre os dois portais. O R7, por ser posterior ao G1, reforça a idéia de cópia. Para os internautas, a sensação é a de que a imitação do “Padrão Globo de Qualidade” feita pela Rede Record de Televisão apenas foi deslocada para o ambiente virtual. Segundo o professor de Comunicação Social da UFMG, Maurício Guilherme, quem chega primeiro costuma ditar as regras no meio jornalístico. “Neste sentido, concordo com a ideia de que o R7 “forjou” sua identidade com base no que veio primeiro”.

Maurício Guilherme lembra o que aconteceu aqui em Minas Gerais, desta vez com os jornais populares, a partir do surgimento do Super Notícias e do Aqui, o que acabou por decretar o fim de um jornal mais antigo e tradicional, o Diário da Tarde. Por isso, a tarefa de quem chegou depois é complicada: “de um lado, é preciso “repetir” fórmulas de sucesso, mas a partir de uma identidade própria (tarefa dificílima!); de outro, é preciso (re)conquistar seu público, já antenado na experiência do concorrente”, explica.

Este espelhamento no concorrente é uma maneira de pensar a internet a partir de suportes mais antigos, como o jornal impresso e a televisão, e reflete uma atitude diante do inesperado. O “problema”, se realmente pode ser visto assim, é que o ambiente virtual tem uma velocidade e volatilidade muito maior do que os veículos anteriores. Isto transforma a disputa entre os portais em algo além do que a mera rivalidade de padrões, audiências de TV e vendas de jornais impressos. “Copiar, no que tange ao universo virtual e à convergência de mídias, pode significar, de forma direta e coloquial, “dar um tiro no próprio pé” e perder é perder a oportunidade de, definitivamente, criar algo novo”, analisa o professor da UFMG.

Afinal, a internet está redefinindo o próprio processo da prática jornalística, criando diversos desafios aos jornalistas. Produzir conteúdo com as diversas ferramentas disponíveis possibilita a qualquer indivíduo, com formação ou não, a participar desse meio, e não somente os grandes grupos jornalísticos. E, por mais que a máxima “Nada se cria, tudo se copia” esteja em voga, originalidade é um elemento que ainda agrada, e muito, ao exigente público das redes sociais.

Confira uma entrevista com Julius Cesar do Cedecom/UFMG, formado em Letras com especialização em Design.




    Referência  
  
  LANDOWSKI, E; BRANDÃO, Eduardo. A sociedade
  refletida: ensaios de sociossemiotica. São Paulo: EDUC:
  Pontes, 1992. 213p.
 
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