Calouros no palco
Saiba como um show de calouros criado por um grupo de alunos de Comunicação Social da UFMG se tornou em modelo diferenciado de show na Capital mineira.
Jurados: Pink Freud (Paulo Bernardo Vaz), Simone de Penhoir (Marcia Brito) e Karl Marques (Romeu Sabará). Elias Sunshine Especial:comemoração dos 60 anos da Fafich - Foto de Maria do Carmo Sartori
Matéria de
Pedro Alvarenga e
Ethel Braga
Edição de
Adriana Costa
“O
Elias Sunshine Show balançou o curso de Comunicação”. Assim respondeu o professor Fábio Martins quando perguntado sobre a importância do show de calouros. Foi em uma disciplina ministrada por ele que o programa tomou forma, no final de 1993. A proposta era prestar uma homenagem a época de ouro do rádio, mas a idéia foi muito além. “O show uniu a turma, promoveu interação entre os diversos perÃodos, e fez com que surgissem outros projetos siimilares na Faculdade”.
Apesar dos bons resultados, os alunos nunca tiveram a pretensão de que o programa fizesse tanto sucesso. Elias Santos, criador e apresentador que dá nome ao show, explica que tudo foi feito no improviso. “Eu fui escolhido para apresentar porque tinha a voz boa. Nunca tinha feito nada do tipo. O figurino foi montado de acordo com o guarda roupa de cada um, o cenário era pintado a mão”. Não houve nenhum tipo de ensaio e os jurados foram escolhidos aleatoriamente: um professor e dois alunos. Até mesmo o nome “Sunshine” é inexplicado. Elias não consegue se lembrar de onde saiu.
Ana Régis, atriz e professora do TU, foi a caloura vencedora da primeira edição. Sua personagem era a Valdécia, uma bibliotecária inspirada num aluno do curso de biblioteconomia, que não era nada recatada e gostava muito de receber visitas masculinas em sua biblioteca. Ana iniciou sua trajetória no programa, e não pararia nunca. Ela participou de todos os Sunshines até hoje, como caloura, dançarina e jurada. Para a atriz, o show significou uma possibilidade de expressão. “Sempre existiram manifestações artÃsticas na Fafich, mas o show de calouros foi a oportunidade dos alunos mostrarem o que sabiam fazer”.
O retorno veio imediatamente após o primeiro programa. Elias conta que antes mesmo de desmontarem o cenário, dois grupos o procuraram se candidatando para serem calouros. Foi aà que perceberam que a iniciativa tinha dado certo. “A fórmula funciona porque todo mundo quer mostrar o que sabe, ou o que acha que sabe. Todos querem os seus quinze minutos de fama”. O personagem do Elias, o próprio Elias Sunshine, é uma versão ácida do radialista, o que ele não pode ser no dia-a-dia. Quem convive com ele sabe que não se parece nada com o apresentador do show.
Apresentação do Trio Neide, Nádia e Nancy formado pelas professoras de Comunicação Social Bia Bretas, PatrÃcia Moran e Rúbia Rodrigues.
Diversidade é o que não falta, afinal de contas, quase 50 edições do show já aconteceram. Dentre as atrações do programa, estão uma banda que só toca jingles, um calouro que se apresenta nu, jurados atrapalhados, outros sedutores, um conjunto cover do grupo
As Frenéticas, dos anos 70. E mesmo com tudo isso, o que mais impressiona Elias Santos e Ana Régis na trajetória do Sunshine são os calouros que o levam a sério. “O que mais assusta são as pessoas que não conseguem entender o tom de brincadeira do programa. Não existe garantia nenhuma de fama. Mas algumas pessoas se iludem, acreditam que vão ser lançadas” explica Elias.
Fábio Martins acredita que se alguém montar um programa de auditório hoje em dia, vai ter audiência em rádio e freqüência em público. Mas não é para todos. Ana Régis acredita no futuro do Elias Sunshine por razões especÃficas: “o apresentador é interessante e informado. O programa é muito contemporâneo, crÃtico, e que vai se atualizando, garantindo sua existência”. Elias confirma a fórmula maleável do programa: “o Sunshine é um programa mutante. Descobrimos que o tema de cada edição tem que se relacionar com o local onde é apresentado. E, a partir daÃ, encontramos nosso próprio estilo”.