Dança das matérias
Entra ano, sai ano e as disciplinas ofertadas pelo Curso de Comunicação Social sempre mudam. Mas se existem diferenças a cada semestre, imagine o que as pessoas estudavam aqui há 46 anos...
Matéria de Stéphanie Bollmann e Adriana Costa
Edição de Gabriela Garcia e Ethel Braga
Imagine entrar na Comunicação e ter aulas de Sociologia, Geografia Humana, PrincÃpios de Jornalismo, Ética e Legislação de Imprensa, Redação e Reportagem, Português, Inglês e Francês. Pois foram exatamente essas as disciplinas encaradas pelos primeiros alunos do Curso de Jornalismo da UFMG, de 1963, precursor do curso de Comunicação Social. Bem diferente do que encontramos hoje, não é?
O português, por exemplo, esteve presente até a década de 1980. Muito presente. Era Português 1, Português 2 e Português 3. “Não acrescentava nada na formação dos alunos da comunicação. Considerando a média da universidade, os alunos tinham uma boa formação em português. E aÃ, a disciplina era completamente desinteressante”, afirma o ex-aluno e agora coordenador do Curso de Comunicação da UFMG, Elton Antunes.
E não foi só o português que desapareceu da grade curricular. Cultura Brasileira, Administração de Jornal, Problemas Sociais e Econômicos Contemporâneos também estão nessa lista. Sem contar as matérias que, hoje, vários alunos fazem como eletivas e que já foram obrigatórias. Psicologia Social, por exemplo.
Para Elton, essas alterações das disciplinas podem ter três origens. A mudança do próprio Campo Profissional da Comunicação seria uma delas. “O jornalismo era absolutamente carente de teoria. Não tinha reflexão sobre jornalismo. Agora já tem, ainda que de maneira rudimentar, um conjunto de conhecimentos que permite organizar disciplinas que antes não existia”, afirma Elton.
Outro motivo foi a mudança tecnológica. Principalmente na década de 1990, com a chegada dos computadores. Tente imaginar a redação do terceiro andar, em frente a Officium, com um monte de máquinas de escrever. Devia ser mais ou menos assim. Já pensou a oficina de diagramação? Ou a Oficina de Planejamento Gráfico em Comunicação? Existia, claro, mas com muito mais cola e tesouras.
O último fator está ligado à concepção que a Universidade tinha de grade curricular, que também mudou. Antes existia a idéia de que ela tinha que ter uma base teórica sólida muito forte. Só depois da metade do curso que os alunos entravam de fato na área profissionalizante.
Mudou de novo
Os próximos alunos a entrarem no curso vão encontrar uma grade novinha em folha. Das disciplinas teóricas obrigatórias, quase todas continuam. A única que saiu foi Legislação da Comunicação. “Acho ruim deixar de ter. Considero a disciplina importante. O problema é o jeito que ela é dada. Muito solta, sem sentido e sem aplicação”, opina a estudante do segundo perÃodo Marina Santos. Pois parece que a intenção da mudança é mais ou menos essa. A disciplina vai deixar de existir, mas a ideia é que o tema seja abordado em outras disciplinas que tratam da prática jornalÃstica, como a de Teorias e Métodos.
Outras mudanças vêm por aÃ. As oficinas vão passar por uma reestruturação. Hoje, elas são organizadas por linguagens e meios. Por isso existe a Oficina de Rádio, TV, Fotografia, Textos. No próximo currÃculo, elas serão mais aplicadas e recortadas, vão trabalhar meios e linguagens juntos para acompanhar a ampliação das possibilidades na área da comunicação. O que era antes oficina de Criação Visual e MÃdia Impressa vão se transformar em Oficina de Design e Comunicação, por exemplo.Várias novas disciplinas surgirão: Comunicação e Interação, Estética da Televisão, Linguagens, técnicas e Processos em Jornalismo. Só os próximos calouros vão poder dizer o que acharam dessas mudanças.