Mulheres no lance!
Contrariando todas as adversidades, o rachão feminino do curso de Comunicação Social da UFMG tem conquistado cada vez mais adeptas.
Filhas de Francisco: "currÃculo de vitórias"
Reportagem:
Danilo Couto
Edição: Andreza Brito e Andrea Souza
Segundo semestre de 2007. Numa manhã de sábado, Stéphanie Bollman, atualmente no 6° perÃodo, dirigia-se para o CEU por uma causa nobre: ressuscitar a versão feminina do troféu Mcluhan, cuja versão masculina já era muito prestigiada no curso.
Criado em 92, o campeonato contou com times mistos, uma vez que, na época, a razão homens/mulheres tendia para o lado do chamado “sexo frágil”. “Como tinha muito mais mulher do que homem, nós convidávamos todo mundo para jogar. Não havia essa separação por gênero como é hoje”, conta Marcelo Russo, ex aluno do curso que participou da criação do campeonato. Mesmo realizada em conjunto com os homens, começava ali a aventura futebolÃstica das estudantes de Comunicação.
Dezesseis anos depois, Stéphanie encontrou apenas quatro meninas logo que chegou ao CEU, o suficiente para montar um só time de futsal. “Eu me lembro que a Mariana Conga (ex-aluna) marcou o dia e disse que haveria o campeonato feminino. Quando chegamos lá, éramos cinco meninas. Acabou que ficamos só brincando com a bola na quadra”, relata. E, assim, começou e terminou o Macluhan feminino 2007/2.
No primeiro semestre de 2008, não houve Mcluhan feminino. Denise Teixeira, 6° perÃodo, resolveu, então, se juntar a um time formado por alunas do 1° perÃodo e disputar as OlimpÃadas do CEU. O desempenho do time, segundo ela, foi um fiasco. Mas serviu de inspiração à s estudantes “peladeiras” do curso, que tentaram organizar a competição mais uma vez.
Para a surpresa de muitos, no Mcluhan 2008/2, foram inscritas sete equipes, de seis perÃodos. As calouras, estreantes no curso e no torneio, montaram dois times. Um aumento espetacular no número de participantes em relação à última edição. Denise, na época organizadora do evento, explica que o Ãmpeto veio, novamente, de um pequeno grupo de entusiastas do futebol, que foram se descobrindo: “Sempre gostei muito de jogar e, depois que entrei na faculdade, não tinha mais oportunidade. Acabei descobrindo que algumas meninas da minha sala também se interessavam. Conversando com a Andreza, do ‘’Lamentáveis’’ (7°), descobri que mais meninas gostavam de jogar futsal”, conta.
Ultrapassadas as dificuldades iniciais de organização, o Macluhan feminino ainda teve de lidar com problemas como a ausência de jogadoras, o que acarretava em derrota, por “W.O.”, e a falta de árbitros. “Não tÃnhamos dinheiro pra contratar um juiz profissional e os meninos ficavam com preguiça de apitar pra gente”, explica Denise.
Além de contar com boa participação dentro de quadra, a versão feminina da competição passou a ter o apoio da torcida, pois os jogos passaram a ser marcados para os mesmos dias das partidas masculinas. Numa manhã que terminaria com o inÃcio do Churrascom, Belas Artes (1°) e Filhas de Francisco (4°) travaram uma partida disputada. As calouras levaram a melhor em disputa de pênaltis.
Em 2009/1, sete times foram inscritos, mas na prática apenas cinco compareceram. No dia 27 de junho, depois de alguns jogos e muitos hematomas, acontecia a disputa da final entre as ‘’Filhas de Francisco’’, na época alunas do 5° perÃodo, e as ‘’Lamentáveis’’, no 6°.
Na atual edição, quatro times ainda lutam pela taça. A participação nesse semestre foi um pouco menor que nos anteriores, mas o nÃvel técnico se mantém. Além de mostrar talentos que estavam escondidos como Denise, Ana Claudia, Stéphanie, CÃntia e outras, o Mcluhan Feminino, ou taça Vera França se preferir, cumpre outro importante papel. Bráulio Siffert, 6° perÃodo, explica: ‘’O forte do Mcluhan sempre foi a integração. E, nesse sentido, o feminino também funciona.’’
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