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Saiba: todo mundo foi aluno

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Saiba: todo mundo foi aluno

Os atuais professores Rousiley Maia, Elton Antunes e Márcio Simeone Henriques também. Eles refletem sobre a experiência de ser estudante de Comunicação Social na UFMG na década de 80.

Saiba: todo mundo foi aluno

"Quando Elton, Rousiley e Márcio eram alunos, máquinas como essa ocupavam a sala de redação. Hoje, resta apenas essa pendurada na parede para não deixar a gente se esquecer".


Matéria de
Mariana Garcia e
Victor Guimarães
Edição de texto:
Carla Pedrosa
Edição de mídia:
Carol Abreu



Passar pela Comunicação da UFMG e não ler Antunes, Maia ou Henriques é quase uma heresia. Um dia eles já foram apenas Elton, Rousiley e Márcio, alunos desse mesmo curso. Tinham perfis próprios, habitavam outros espaços e tempos, se preocupavam com a prova da semana seguinte ou com aquela aula menos empolgante. Os três foram alunos de uma outra Fafich, aquele mítico prédio na Rua Carangola. Eram meados da década de 80, entre o mais novo sucesso da Legião Urbana e a redemocratização do Brasil. 

Trajetórias
Vinda do Coltec, Rousiley entrou no curso em 1983 pensando em fazer Jornalismo. Mas ainda no Ciclo Básico percebeu que gostaria de seguir a carreira acadêmica. Acabou se matriculando em disciplinas na Filosofia, Ciências Sociais e desde cedo se envolveu com a pesquisa. Numa época em que alunos podiam propor projetos, viu um edital no CNPq e ganhou a segunda bolsa de iniciação científica do Departamento, orientada pela professora Maria Céres Pimenta. “O curso era essencialmente de manhã, mas eu era o tipo de aluno que achava que o tempo de graduação era de dedicação exclusiva”, lembra Rousiley.

“A gente chegava cedo, assistia ali os horários da manhã, matava uma parte da aula, invariavelmente a manhã já terminava no Bar do Gordo, depois, esperava formalmente o final da aula e ia almoçar”, resume Elton com naturalidade. No entanto, ele estava longe de ser um aluno desleixado. Entrou em 1985, foi representante discente, discutiu a conjuntura política nacional e internacional, sem nunca perder de vista o cotidiano do curso de Comunicação. Assim como Rousiley, se envolveu com a pesquisa, mas era reconhecido como militante. Quase foi diretor da UNE; ponderou sobre a provável carreira política e preferiu se formar.
    


Em 1984, Márcio entrou na Fafich com o objetivo de se formar em Jornalismo. Márcio morava e trabalhava no interior. Todos os santos dias percorria, na ida e na volta, os 86km que separam Belo Horizonte de Pará de Minas. Durante a graduação, foi um aluno que vivenciou um pouco de cada habilitação (Jornalismo, RP e Publicidade). “Eu fui repórter de rádio, fiz jornal, participei de diversos projetos dos meus colegas, e participei muito da antiga Oficina de Comunicação Integrada [ancestral da Officium]”. E de pouco a pouco consolidou sua decisão pelas Relações Públicas.
 
Espaços de formação
O Departamento de Comunicação da época de Rousiley, Elton e Márcio era ainda menor. Entravam 50 alunos por ano e as aulas se concentravam no famoso “Corredor do Sétimo Andar” da Fafich. Era onde se localizavam as salas de aula e os gabinetes. “Com isso a gente era uma pequena família. Éramos poucos e estávamos todos num mesmo ambiente, alunos e professores”, recorda-se Rousiley. Elton é menos lírico: “era um corredor de hospital, não tinha como não conviver”.

As disciplinas não eram muitas, mas deixaram boas e inusitadas recordações. “Tenho uma lembrança muito agradável, inclusive das disciplinas práticas, em que eu me considerava um desastre”, afirma Rousiley com bom humor. Márcio lembra dos professores Beatriz Bretas, Maria do Carmo, Vera França e Plínio Carneiro, que atualmente figura na placa que enfeita a porta do Larp. Para Elton, Teorias da Opinião Pública e Teorias da Comunicação foram decisivas. “Eu me lembro mais das minhas atividades participando de um grupo de pesquisa, mas essas aulas eram importantes. Algumas aulas foram estratégicas. Lógica do Pensamento Científico foi fundamental”, diz.

Logicamente, nem só os espaços formais marcaram a graduação naquela época. Elton garante: “a gente tinha uma vida lúdica bastante interessante na Fafich”. O Bar do Gordo, situado dentro do prédio da Faculdade, era uma válvula de escape do cotidiano. Nas palavras de Márcio “qualquer pessoa daquela época lembra de forma muito afetiva do Bar do Gordo, por muitas e muitas razões – inclusive as ilícitas”.


Cada época configura experiências distintas. Na metade dos anos 80, graduar-se em Comunicação Social na UFMG significava outra coisa. O caminho do aluno era  muito bem traçado, e a oportunidade de fazer escolhas era menor. O Departamento não tinha tradição de pesquisa, a pós-graduação sequer existia e mesmo as raras atividades práticas eram pouco estruturadas. Na Fafich daquele tempo, o clima também era outro. Márcio recorda: “a gente estava numa fase relativamente eufórica. Havia uma expectativa de algo novo numa Fafich que tinha muito esse sentido da luta contra a ditadura, e que deixava isso impregnado na gente. Os nossos primeiros anos de faculdade foram um descortinar de um momento diferente para as pessoas”. 
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