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Vera França está resfriada

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Vera França está resfriada

Saiba mais sobre a trajetória da pesquisadora que arranca suspiros nos corredores da Fafich e entenda o porquê de tanto rebuliço em torno de sua figura.

Vera França está resfriada

Intercom 2001, Campo Grande


Matéria de
Carla Pedrosa e
Carol Abreu
Edição:
Marina Motta,
Igor Lage e
Allan Marques




O ano é 2008. Primeira turma de Teorias da Comunicação II, disciplina optativa. Em meio a uma discussão sobre mídia, simulacro e sociedade moderna, uma mão se levanta: "Professora, qual é mesmo a diferença entre o Baudrillard e o Baudelaire?". Os estudantes mais velhos se entreolham. Os mais CDFs se contorcem discretamente e todos esperam pela reação da professora. Contrariando as expectativas gerais, ela não condena o questionamento. Serena, responde com um breve currículo dos dois franceses mal-humorados. E diz, sem o menor traço de sarcasmo, que vai trazer um poema do segundo na próxima aula.

Essa história só pode ser real se a professora for Vera França, cuja generosidade pedagógica é unanimidade entre pesquisadores e estudantes. “A Vera não possui arrogância e trata todo mundo bem. Isso já facilita para as pessoas se aproximarem e até fazerem as perguntas mais absurdas, sabendo que não irão receber uma resposta ríspida ou irônica”, explica Renné França, diretamente de seu doutorado-sanduíche em Portugal. Renné foi seu orientando ainda na graduação, e conta que nunca a viu brava dentro de sala. “Apesar de morrer de medo que ela me escolhesse para comentar o texto da aula”.

Para Beatriz Bretas, pesquisadora do programa de pós-graduação em Comunicação da UFMG, Vera é professora antes de qualquer outra coisa. “Ela é muito preocupada em compartilhar o conhecimento com o outro”, diz Beatriz, que também faz parte do Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade (Gris), coordenado pela Vera.



De Nepomuceno para o mundo

Vera França nasceu em Nepomuceno, município de aproximadamente 25 mil habitantes, no sul de Minas. Maria Célia França, filha mais velha da pesquisadora, conta que a mãe se mudou sozinha para Belo Horizonte, ainda muito jovem. "Ela estudava e era interna no Colégio Izabela Hendrix, acho que nem tinha o Hendrix ainda". Quando pequena, Maria Célia e a irmã, Marina, dividiam a atenção da mãe com os trabalhos acadêmicos e viagens para pesquisa. Foi entre Brasília e Paris, no início da década de 80, que a pesquisadora veio parar na UFMG.

“Acho que a chegada da Vera foi muito importante para o curso. Nesse momento, entraram também mais duas professoras, a Vanessa Padrão e a Maria Ceres. As três deram um ar novo para a Comunicação”, lembra Beatriz Bretas. Ela afirma que esse foi um momento crucial: “o MEC havia nos solicitado que explicitássemos os objetivos institucionais do curso, então tivemos que repensar nossos propósitos. A Vera trouxe um questionamento do fazer comunicativo que re-configurou essas diretrizes”.

Coincidência ou não com o sobrenome, seu segundo mestrado, doutorado e pós-doutorado foram cursados na França. Em meio às idas e vindas ao Brasil, Vera foi também presidente da Compós - Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação -, de 2001 a 2003. Maria Custódia Marques, que trabalha na casa da Vera há 14 anos, diz que a patroa não pára. “Ela não fica muito tempo em casa e, quando está, tem  que estudar, planejar aulas e corrigir provas. Tem vezes que ela até me proíbe de conversar com ela, por causa do monte de trabalhos que tem pra fazer".

Maria conhece muitos de seus alunos e ficou feliz quando soube que foi citada em sala de aula. “Eles não contaram o que ela falou, mas acho que foi alguma coisa sobre as novelas que assisto. Geralmente, ela pergunta coisas como: o que aconteceu com tal personagem? O que está acontecendo em tal novela?”, revela Maria, satisfeita em ser fonte para as pesquisas de Vera. Pesquisas que são muitas: basta uma olhada no lattes dela para perceber o quanto todo o trabalho em casa é produtivo. Entre dissertações, teses, artigos publicados em periódicos, livros, trabalhos e resumos publicados em anais de Congresso, a professora foi se tornando referência.

Vera França - a lenda

”Eu acho que a Vera é um ícone mesmo”, afirma, taxativa, Luci Oliveira, funcionária do Colegiado de Comunicação da UFMG. “Ela foi uma das primeiras pessoas que conheci no curso e nunca vi ninguém falar nada de negativo dela. Mesmo fora da UFMG, todo mundo tem aquela coisa de querer conhecê-la”, explica Luci.

José Luís Braga, pesquisador do programa de pós-graduação da Unisinos, elenca os motivos que fazem de Vera praticamente uma celebridade. Segundo ele, o primeiro deles é sua produção acadêmica. “Ela tem um trabalho na área de pesquisa empírica no melhor sentido da expressão”, afirma Braga. “Além disso, quem tem contato pessoal com a Vera percebe sua qualidade de planejamento, além da participação que ela tem na política acadêmica da área”. O pesquisador completa: “Um outro aspecto é o envolvimento que ela tem com o processo de aprendizagem. Ela relaciona de um modo muito interessante esses dois aspectos: o aspecto pedagógico e o do desenvolvimento de conhecimento”.

Renné também comenta sua admiração: “a Vera é uma mistura de profissional importante com gente simples, que agrega pessoas à sua volta. É mais ou menos como se você pudesse ser amigo da sua bibliografia”.

      Confira   
     Leia o famoso perfil escrito por Gay Talese que
   inspirou o título da matéria.
 
     Veja artigos de Vera na página do Gris, na internet.  
     Confira as discussões no fórum da comunidade
   “Discípulos de Vera França”, no Orkut.
 

 
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