ENADE - Está chegando a hora
Há menos de 2 semanas do exame nacional de desempenho dos estudantes de nÃvel universitário, o ENADE, a equipe do 3 ½ notÃcias foi conferir como anda os ânimo dos alunos do curso de Comunicação Social para o próximo dia 8 de novembro.
Matéria de
Adriana Mariano
Edição: Natália Barbosa
Produção: Leandro Aguiar
Menos desejado e mais questionado que o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), o ENADE é a avaliação que o governo aplica para cursos superiores tradicionais e tecnólogos espalhados pelas instituições brasileiras de ensino. Entre os cursos de graduação convocados para este ano está o de Comunicação Social da UFMG. Os selecionados para a prova são os ingressantes que tiverem concluÃdo entre 7% e 22% da carga horária mÃnima do currÃculo de graduação e os concluintes que são alunos que já cursaram pelo menos 80% da carga horária mÃnima do currÃculo.
Alunos do 2° e 8° perÃodo do curso, convocados para o ENADE, foram perguntados sobre as opiniões e expectativas quanto à prova. A reprovação do método utilizado pela avaliação é quase unânime entre os alunos e professores. Uma das principais crÃticas que recai sobre a prova é a sua metodologia de avaliação. Os alunos chamam atenção para a pretensão do teste, que almeja em 40 questões avaliar a formação de um profissional ético, competente e comprometido com a sociedade em que vive.
Segundo a aluna do 8° perÃodo, Paula Alkmim, “avaliações nessa escala e com essa pretensão são sempre complicadas. Não é o resultado de uma prova que vai dizer com precisão se o curso é bom ou ruim, se forma ou não um profissional ético e competente. A professora do Departamento do Curso de Comunicação Social,Carmem Viera, acredita que o ideal seria uma prova que avaliasse constantemente os alunos, e que não focasse somente nos resultados, mas também nos processos de aprendizado, as linhas pedagógicas e as condições do curso.
Para o aluno do 2° perÃodo, Otávio Zonatto não é possÃvel avaliar os alunos do 2° perÃodo com questões sobre a formação especÃfica em Jornalismo, porque ainda não fizeram nenhuma disciplinada própria da habilitação. Zonatto acrescenta que “além do mais, os ingressantes e concluintes fazem a mesma prova. Naturalmente, essas categorias não estão no mesmo nÃvel e, ao meu ver, isso faz o exame perder credibilidade.”
Hélio Brandão, aluno também do 2° perÃodo, alega a falta de informação e orientação acerca da prova e diz não acreditar nos retornos que essa avaliação pode trazer para a instituição.
Outra crÃtica dos alunos e professores é referente à conduta do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), órgão que organiza a prova, por não divulgar as notas das instituições de imediato para a sociedade e sim, primeiramente, para a imprensa que sempre monta um ranking das melhores e piores universidades do paÃs. Esse ranking é, posteriormente, usado em campanhas de publicidade de diversas instituições de ensino superior. Essas crÃticas e outros comentários fazem com que os alunos não se sintam motivados e nem encarem a prova com seriedade.
O ENADE é componente curricular obrigatório dos cursos de graduação, sendo inscrito no histórico escolar do estudante. Para Delfim Afonso, professor do Departamento de Comunicação Social, a prova tem caráter punitivo aos alunos. Segundo ele, os alunos se sentem obrigados a fazer o exame para não terem complicações futuras na obtenção do diploma de graduação. Essa força coercitiva faz o teste ser algo que veio para ficar, não adiantando se opor a ele como os alunos faziam anteriormente.
O exame é historicamente boicotado pelos alunos do curso de Comunicação Social desde a época do provão, tipo de avaliação anterior ao ENADE. Entregar a prova em branco era uma forma de repúdio dos alunos à prova. Na última vez que o curso foi avaliado, em 2006, a adesão ao sistema do boicote não foi unânime entre os alunos. Segundo o coordenador do curso Elton Antunes a reivindicação dos alunos tem diminuÃdo e grande parte dos estudantes opta por fazer o teste integralmente. A última nota que o curso de Comunicação Social da UFMG recebeu foi 4, numa escala que varia de 1 a 5. E agora para a avaliação de 2009, vamos aguardar. As avaliações serão realizadas em todo paÃs no dia 8 de novembro, à s 13 horas de acordo com o horário oficial de BrasÃlia.