Hall sweet hall
Apesar do grande fluxo de alunos de cursos variados, espaço do terceiro andar é marca registrada da Comunicação Social.
Matéria de
Flávia Moraes e
Andreza Brito
Edição de texto:
Andrea Souza e
Andreza Brito
Edição de mÃdia:
Catarina Flister e Eduardo P. A. Júnior
- Eu te encontro onde?
- Ah, sei lá... Pode ser no hall!
Supondo que os interlocutores desse diálogo são alunos de Comunicação Social da UFMG, de uma coisa você pode ter certeza: eles estão falando do hall do 3º andar da Fafich, ponto de encontro preferido de quase todos os estudantes do curso. É lá que os alunos conversam, estudam, ouvem música, passam o tempo à toa ou até mesmo lêem este texto, aproveitando algum ponto estável de wi-fi.
Camila Rodrigues está no 1º perÃodo e diz que permanece no local cerca de quarenta minutos todos os dias. “É um espaço de interação. Acho que os principais freqüentadores são os estudantes dos primeiros perÃodos do curso, que estão achando tudo novidade e que querem conhecer outras pessoas. Ficam espairecendo, vendendo convites para as festas, reclamando da prova em que foram mal e fofocando”, detalha.
Mas nem todo mundo pensa no hall como primeira opção de lugar na Fafich. Bruna Acácio (2º) acha interessante a identificação dos futuros comunicólogos com o espaço, mas confessa que se sente constrangida em alguns momentos, principalmente quando não conhece ninguém que está por lá. “Mas isso é mais pessoal. Creio que, com o tempo, vou me acostumar com o ambiente e me sentir mais à vontade. Quando eu perceber, já estarei esparramada no hall também”, brinca.
O constrangimento de Bruna pode ter explicação. Dançarinos de funk e cantores nada profissionais estão entre algumas das bizarrices encontradas no terceiro andar. Vicente Cardoso Júnior (7º) é um dos alunos que guarda lembranças engraçadas do local. “Teve uma cena grotesca: um cuecão que não lembro quem fez no Biel da minha sala, e que foi mais revelador do que o necessário”, conta.
Local para descontrair entre uma aula e outra, o hall também já foi utilizado como espaço de mobilização para assuntos mais sérios. Um exemplo é o enterro simbólico do curso de Comunicação, realizado pelos alunos em 2006, que teve o ambiente como ponto de encontro dos manifestantes.
O hall é nosso?
Embora o hall seja nitidamente um espaço da Comunicação, nem todos entendem isso como positivo. Mira Anaia* (6º), de Economia, desde o inÃcio do curso se acostumou a freqüentar o prédio da Fafich, porque a Faculdade de Ciências Econômicas não tinha cantina no inÃcio de 2007. Hoje vai ao prédio para ter aulas de inglês. Apesar da proximidade fÃsica, ele acredita que fica complicado interagir com os “donos do hall’’. “Eles se unem em um espaço que acaba sendo só do curso e não se misturam com os demais. Acaba sendo um lugar de exposição social, é como se fosse um orgulho estar ali”, explica.
Camila conta que tem amigos na Ciências Sociais e que já foi questionada sobre isso. “Um em especÃfico disse que achava que o corredor parecia a ‘hora da merenda’ no colégio, que ele achava ridÃculo e que ele já tinha passado dessa fase. Esse mesmo amigo também ficou revoltado quando alguns alunos de comunicação colocaram música no hall para vender ingressos para uma festa”, diz.
Se algumas pessoas se incomodam com a intensa movimentação no lugar, tem gente que faz disso parte importante do trabalho no dia-a-dia. A vendedora de balas, cigarros, biscoitos e outros lanches Márcia Viana Damasceno é um exemplo.
Márcia Viana conta um caso sobre utilização do hall
Ela conta que tem muitos amigos na Psicologia e nas Ciências Sociais, mas a proximidade não é tão grande com os alunos da Comunicação. “Eles ficam mais agrupados em panelinhas mesmos. São o que mais se isolam.”
*Nome fictÃcio.
Quando informada que este texto seria lido por “habitantes” do hall, a fonte pediu que seu nome não fosse revelado. Assim, ela pretende continuar a fazer compras no Capsi, sem sofrer retaliações ao longo do caminho.