Pra inglês ver
Para uns, feriadão de uma semana. Para outros, uma oportunidade única de apresentar à sociedade a produção de conhecimento da universidade. Mas o que acontece mesmo na Semana de Conhecimento e Cultura da UFMG?
Matéria de
Carol Abreu e
Igor Lage
Edição de
Mariana Garcia e
Victor Guimarães
Capital de risco, monitoria de anatomia patológica, Ana Maria Braga. As chances de ver isso tudo no mesmo espaço fÃsico provavelmente se resumem à Semana do Conhecimento, realizada anualmente na UFMG. O evento reúne em si três filhotes: as semanas de Graduação e Iniciação CientÃfica e o Encontro de Extensão. Durante cinco dias, bolsistas de todos os cursos expõem pôsteres sobre seus projetos nas diversas unidades e na Praça de Serviços. Enquanto os outros estudantes aproveitam a tradicional “Semana do Saco Cheio” para viajar, dormir ou colocar as tarefas em dia. Segundo as Pró-Reitorias, a Semana é um espaço para divulgar a toda a comunidade universitária os projetos desenvolvidos na instituição, além de um compromisso de avaliação do trabalho executado - na teoria. Segundo os bolsistas da Comunicação, é um evento relevante, com objetivos louváveis. Mas daà à forma como as coisas funcionam na prática, é um passo grande.
Diferentemente das edições anteriores, este ano, as aulas foram mantidas, com a suspensão de atividades avaliativas no perÃodo. Ainda assim, muitos professores preferem dispensar os alunos durante a Semana, e os que optam por manter o cronograma acabam lecionando em salas praticamente vazias. Para Carmela Braga, Pró-Reitora adjunta de Graduação, a manutenção das aulas foi uma solução encontrada para aumentar a participação dos alunos. Segundo ela, “o ano em que decidimos suspender as aulas foi um desastre, porque todos os alunos foram embora para casa”. Ainda que se refira ao evento com entusiasmo, o Pró-Reitor de Pesquisa, Carlos Alberto Tavares, reconhece que “a oportunidade da Semana é prejudicada pela baixa participação da comunidade interna”.
André Heneine, bolsista do projeto de extensão MÃdia em Pauta e aluno do 3º perÃodo de Comunicação Social, não considera que a solução seja suficiente. “Para ser sincero, não acho que houve nenhuma participação dos estudantes que não estavam apresentando. Mas esse modelo de exposição não é muito atrativo para as pessoas. Acho que seria legal mudar o formato, para ter um retorno do que os outros acham do projeto”. O estudante, que participou pela primeira vez do evento, conta que se decepcionou: “achei que terÃamos um espaço maior, que seria possÃvel exibir alguns programas e que pessoas de fora da Universidade iriam ver o nosso trabalho, mas não foi bem assim”. Para Nuno Manna, estudante do 8º perÃodo de Comunicação e bolsista do grupo de pesquisa Narrativas do Real, a Semana tem uma função importante, mas que não se concretiza. “A apresentação dos projetos acaba sendo uma coisa ‘pra inglês ver’”, diz.
Outra questão levantada pelos bolsistas diz respeito à avaliação realizada durante a Semana. Carmela Braga explica que os avaliadores devem julgar a pertinência do tema, o desenvolvimento do projeto, o envolvimento dos alunos e a coerência do material apresentado. “Se o trabalho do aluno se destacar dentre os demais, seu pôster é exposto na Reitoria e concorre a uma premiação”, diz. Rafael Azevedo, aluno do 9º perÃodo de Comunicação e bolsista do Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade (Gris), teve seu projeto selecionado, mas diz não saber os pontos avaliados. “Fico feliz com o reconhecimento, mas não tenho a mÃnima noção de quais foram os critérios utilizados, porque ninguém te fala isso. Você apresenta seu trabalho, cumpre seu papel perante a academia, mas não recebe nenhum retorno significativo. Para mim, a Semana serve mais como um treinamento de apresentação de trabalhos“, afirma.