"Pra tudo tem limite na vida. Eu estou me desconstruindo"
Uma ode à desconstrução e à descontextualização na palestra do editor-chefe e apresentador do jornal há mais tempo em exibição na TV tupiniquim. William Bonner aterrissou na UFMG e fez o povo rir.
Matéria de
Mariana Garcia e
Marina Motta
Edição de
Carla Pedrosa e
Carol Abreu
A palestra “Jornal Nacional: modo de fazer” de William Bonner poderia facilmente ser um stand up comedy de sucesso. Rafinha Bastos e Danilo Gentili seriam então seus pares. Comparar o editor-chefe e apresentador do Jornal Nacional com os “repórteres” do CQC não é crime, ainda mais depois de ver o um dia distante Bonner imitando Lula, Dilma e Cid Moreira, falando sobre sua sogra e soltando alguns palavrões. A reação de boa parte das 300 pessoas que se amontoaram no auditório da Reitoria só poderia ser uma: rir, nem que fosse por constrangimento. Estávamos no verdadeiro paÃs da piada pronta e não haviam nos avisado disso.
A nave Globo pousa na UFMG
Afinal, o que William Bonner fazia por aqui? Trata-se de um convênio firmado entre a toda-poderosa e a UFMG por meio do Globo Universidade. A iniciativa foi criada em 1999 com o objetivo de “apoiar a pesquisa acadêmica e promover visitas técnicas de alunos e professores à s instalações da emissora”. O jornalista e seu livro, que também dá nome à palestra e foi lançado em setembro deste ano, vêm funcionando mais ou menos como garotos-propagandas da iniciativa.
A vinda do jornalista foi cuidadosamente planejada (e blindada). Hélia Ladeia, técnica responsável pelo Larp, conta que ficou sabendo da visita em outubro, quando escutou do professor Bruno Leal a seguinte frase: “o Bonner vem em novembro. Posso contar com você, né?”. Desde então ela começou a se ocupar disso e, na reta final, o telefone não parava de tocar. Era gente de todos os lugares querendo saber mais informações e/ou conseguir uma vaguinha no auditório. Até mesmo uma jornalista de um órgão público ligou tentando dar uma “carteirada” e arrumar uma credencial antecipada para ela e para a mãe.
Poucos dias antes da tal quinta-feira, encarregados da emissora vieram fazer uma inspeção minuciosa na estrutura do auditório. Os microfones da universidade, que acabaram por não se enquadrar no padrão-Globo, precisaram ser trocados. Contrataram moças obviamente jovens e bonitas para receber os presentes; arrumaram as mesas para colocar os exemplares de “Jornal Nacional: modo de fazer” que todos os presentes ganhariam no final; e organizaram um senhor esquema para que Bonner entrasse no prédio sem ser visto pela massa. O pessoal da Globo jurou que ele não daria sequer uma entrevista, mas, aos 45 minutos do segundo tempo, acabou falando para a
TV UFMG .
O rosto do Jornalismo da emissora também não poderia ficar ao deus dará. Dois seguranças estavam a postos, um deles, inclusive, no palco. "Esse aqui é o Ênio, meu amigão, e está aqui pra me proteger de vocês”, disse Bonner. Todos riram. Talvez tenham se esquecido daquela velha e clichê frase de que “toda brincadeira tem um fundo de verdade”. A propósito, fazer piada funcionou como um escapismo do jornalista para perguntas complexas, como Globo, Record e Universal do Reino de Deus e a posição da emissora frente ao MST. Todos riam e deixavam estar.
Os três únicos contratempos do evento, segundo Hélia, foram exatamente apontados por Ênio. No inÃcio da fala, Bonner fez um “pacto” com os presentes, algo como: pode fotografar à vontade, mesmo que o flash não seja lá muito agradável, mas não pode filmar. Era o medo da descontextualização. Era só Ênio ver uma luzinha de câmera que já apontava a cabeça e Hélia entendia na hora que deveria ir atrás da gravação e apagar. Isso aconteceu comprovadamente duas vezes, um delas na hora em que Bonner falava um palavrão. O terceiro elemento apontado por Ênio jurou, e ninguém provou o contrário, que havia tirado apenas fotografias.
Confira abaixo a tietagem e saiba como foi a tweetagem .