Quando você vai formar?
CurrÃculo flexÃvel, intercâmbio e atividades extra-campus são apontados como motivos para a indefinição da data de formatura dos alunos de Comunicação Social da UFMG.
Revista convite dos formandos de Comunicação Social da UFMG em 2003
Matéria de Andrea Souza e Eduardo P.A. Júnior
Edição de texto: Eduardo P.A. Júnior e Danilo Borges
Edição de mÃdia: Andrea Souza e Danilo Borges
O sonho de muitos é cumprir um número razoável de matérias a cada semestre para, ao fim de quatro anos, ter o diploma em mãos. Pensando assim, Ricardo Miranda, estudante do segundo perÃodo, acredita que pode concluir o curso no segundo semestre de 2012. “Já dividi a quantidade de créditos que preciso pelo número de perÃodos que pretendo cursar. Desta forma pude obter uma noção da quantidade mÃnima de disciplinas que devo cumprir para não me sobrecarregar.”
Mas seguir este prazo a risca pode não ser tão fácil. Segundo
dados do Colegiado de Comunicação Social, dos 50 estudantes que colaram grau no primeiro semestre deste ano, 60% conseguiram finalizar o curso em 4 anos ou 4 anos e meio. Os outros 40 % dos formandos, conseguiram finalizar a graduação em 5 anos ou mais.
Para o atual coordenador, Elton Antunes, o envolvimento em atividades extras, que não são feitas necessariamente no espaço da universidade é o principal fator capaz de explicar a maior permanência do aluno na universidade (ver tabela). “O perfil do universitário de hoje não é o perfil de 20 anos atrás, em que o aluno ficava por conta da universidade até se formar. Hoje o estudante vem pra cá e pode fazer ao mesmo tempo natação, hipismo, aula de inglês, intercâmbio, e várias outras coisas.” Para ele, não se trata necessariamente de um ponto negativo, pois “não é o tempo que o aluno fica na graduação que vai definir se o curso foi bom ou ruim, mas a maneira como ele permanece.”
Motivos que justificam a maior permanência dos
alunos no curso de Comunicação Social
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| Estágios |
| Curso de lÃnguas |
| Cursos paralelos (técnico ou superior) |
| Intercâmbio |
| Formação complementar |
Felipe Alcântara se formou em Publicidade e Propaganda em quatro anos e meio na UFMG, e pediu continuidade de estudos para se habilitar em Jornalismo. Segundo ele, o atraso de um semestre foi resultado dos estágios da dificuldade em acertar o horário das disciplinas de seu interesse, que, muitas vezes, se chocavam ou eram pouco ofertadas. “Queria fazer formação complementar na EBA, porém era algo muito disputado. Só consegui começar no 7o perÃodo”, explica. Diante das adversidades, Felipe considera ter feito um bom curso, na medida em que conseguiu aprofundar os estudos em assuntos de seu interesse. “Fiz várias matérias de PP, umas inclusive, que nem existem mais, e também várias de Rádio e TV, que é a área que mais me fascinava.”
Desafios do novo currÃculo
O coordenador Elton Antunes também aponta a flexibilização curricular, instituÃda há dez anos, como um dos aspectos que demandam dos alunos uma maior permanência no curso. Antes o estudante entrava na universidade e já sabia todo o percurso que faria até o final do curso, completado em quatro anos. Com a flexibilidade do currÃculo, a margem de escolha é grande, o que resulta em mais tempo para a formatura.
No entanto, o currÃculo seguido hoje vai passar por mudanças. A partir das propostas do Reuni, os
120 calouros do vestibular do ano que vem não terão obrigatoriamente que fazer a formação complementar. A mudança foi aprovada devido à falta de vagas nos cursos para alunos de outras graduações. “Acho que uma boa parte dos estudantes vai escolher não fazer a formação complementar, porque acaba sendo mais prático. Essa alteração é um recuo que pode trazer certo prejuÃzo, mas, na atual situação da universidade, não tem como manter do jeito que está”, afirma Elton.