Sou um estudante bÃgamo
Para alguns, só a Comunicação não basta. Mas para conseguir se sair bem em dois cursos, organizar o tempo e planejar as tarefas são iniciativas imprescindÃveis.
Matéria de Eduardo P.A. Júnior e Danilo Borges
Edição de texto: Andrea Souza
Edição de mÃdia: Andrea Souza e Flávia Moraes
Acordar, estudar, trânsito, aulas de manhã, almoçar, trânsito, mais aulas à tarde, trânsito, trabalhos, ler textos e dormir sonhando com as aulas do dia seguinte. Essa não é a descrição resumida da rotina de quem faz apenas Comunicação. Muitos alunos da UFMG encaram dupla jornada em instituições de ensino diferentes e, à s vezes, cursos que passam longe da área de humanas. Jenifer Oliveira, 8º perÃodo, afirma que a motivação para fazer outro curso veio da própria dinâmica da Comunicação: “Sentia a falta do pensamento linear das exatas e dos objetos concretos das biológicas, que a gente reconhece no cotidiano, e resolvi tentar outro curso”. Escolheu Radiologia, no
CEFET. “Conhecimento é para a vida toda, então tudo é sempre válido”, justifica. Já para Igor Mendes, 6º perÃodo de Comunicação e também de Administração Pública, na
João Pinheiro, o acaso foi determinante. “Decidi fazer o vestibular para vários cursos, passei e fiquei na dúvida. Com isso decidi fazer ambos”.
Seja por motivos concretos ou não, a decisão de assumir uma jornada exaustiva parece ser compensada pela competência adquirida nos dois cursos. A estudante Andrea Miranda que forma ainda esse semestre em Comunicação na UFMG e em Designer Gráfico na UEMG considera valioso o contato com as duas áreas, processo que acabou sendo determinante em sua formação profissional. “Na UFMG tive mais noções de planejamento estratégico e marketing. A
UEMG supriu minha necessidade de aprender coisas relacionadas à criação, história do design, fundamentos de composição, história da arte e outras matérias”, comenta. No caso de Maria Marta Figueiredo, aluna do 8 º perÃodo de Comunicação e também de Direito, na
Milton Campos, o caráter diferenciado dos dois cursos possibilitou um equilÃbrio maior na hora de lidar com tanta informação. “Acho a comunicação mais leve e divertida, enquanto o direito é mais completo e complexo.”
Ainda assim as atividades e compromissos lotam o calendário. Para a estudante, o maior desafio é o acúmulo de atividades para as datas mais próximas. “Alguma coisa fica defasada. Eu consigo levar os dois porque quando iniciei o Direito, já estava no fim da Comunicação e já fazia poucas matérias.” Apesar dos horários flexÃveis do curso de Comunicação, Guilherme Pagliara, 6º perÃodo, que também cursa Administração Pública na João Pinheiro, nem sempre consegue manter um bom desempenho nos dois cursos. “É possÃvel fazer duas graduações bem feitas, mas é algo muito difÃcil. A carga de estudo é muito grande e, devido à incompatibilidade de horários, perde-se muito conteúdo”.
Apesar da agenda apertada e da cobrança dos professores, os alunos bÃgamos costumam procurar outras atividades para ocupar ainda mais o dia. “Já fiz estágio, cursos de lÃnguas e ainda cantava na igreja, mas agora eu só conjugo os dois cursos com o estágio mesmo. Sei lá, acho que estou ficando velha e perdendo o pique”, brinca Jenifer.
Fazer dois cursos concomitantes parece ser mais uma escolha individual do que uma caracterÃstica dos alunos da Comunicação, muito marcada como área de múltiplos interesses e contatos, sendo uma porta de acesso para outros territórios. Guilherme Pagliara tem sua teoria: “Acho que esse é um reflexo de um mundo cada vez mais competitivo e incerto. Por insegurança ou por indecisão, as pessoas acabam procurando se cercar de outras opções.”
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Interatividade:
24 horas na vida de uma pessoa que faz dois cursos |
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Aproveitando a "onda" Twitter, pedimos que Délio
Faleiro (6º), que faz Design na UEMG, postasse ao
longo do dia 23/09, sua atividades e trabalhos.
Ele não faz estágio, mas se ocupa com serviços
esporádicos e ainda arruma tempo para cozinhar.
Twitter do Délio: twitter.com/deliofaleiro
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