Curso de Especialização em Teoria Psicanalítica

Desde Freud, a psicanálise deve ser compreendida fundamentalmente como um procedimento para investigação dos processos inconscientes, como um método de tratamento e como uma teoria científica. Como disciplina científica, ela tem por objeto uma parcela do agir humano e está apta a compreender uma série de fenômenos a partir do ponto de vista privilegiado do Inconsciente. Sendo assim, ela não tem a pretensão de se impor como uma doutrina filosófica relativa ao ser humano em geral, com a qual procurasse responder de forma totalizante à questão sobre o ser do homem.

Afirmar esta vocação científica da psicanálise significa situá-la, em primeiro lugar, em uma classe de conhecimentos teóricos constituídos de proposições descritivas não contraditórias cuja garantia de corrigibilidade e validade é fornecida por critérios internos ao seu próprio campo. Em segundo lugar, esse ideal científico impõe à teorização psicanalítica o duplo dever de oferecer um discurso que seja em princípio mais simples que o segmento de realidade a ser por ele compreendido, e também de prestar contas quanto à eficácia de seu método.

Embora, de modo geral, a formação do psicanalista se sustente necessariamente sobre análise pessoal, a supervisão clínica e o estudo teórico, a psicanálise, em virtude de sua própria difusão, adquiriu nas últimas décadas uma considerável independência em relação às exigências de formação, tornando-se uma área de saber autônoma e, ao mesmo tempo, de múltiplas interfaces. Isso tem permitido a interlocução com os mais variados segmentos da Filosofia - como a Ética, a Antropologia Filosófica, a Filosofia da Linguagem, a Filosofia da Religião -, bem como tem demonstrado a fecundidade de pesquisas interdisciplinares em diversos campos de investigação das Ciências Humanas, entre os quais se destacam a Lingüística, a Literatura, o Direito, as Ciências da Comunicação, a Sociologia, a Ciência Política, a Antropologia Cultural, apenas para citar algumas.

Últimas Notícias