DEVIRES - Cinema e Humanidades

Publicada conjuntamente pelos programas de pós-graduação em Comunicação e Antropologia da FAFICH-UFMG, a revista Devires procura associar os estudos do cinema ao domínio das Humanidades, em busca de uma interlocução entre as diferentes abordagens que tratam a escritura do filme em sua relação com as múltiplas formas de vida. Congregando autores de diferentes instituições do Brasil e do exterior, procura produzir uma publicação engajada nos debates teóricos e nas obras que refletem critica e intensamente o campo do cinema em sua longa tradição e nos dias de hoje. 

Published jointly by the post-graduate programs in Communications and Anthropology of FAFICH-UFMG, Devires magazine seeks to associate cinema studies with the field of Humanities, in search of a dialogue between different approaches that deal with the writing of films in its relation with multiple forms of life. Bringing together authors from different institutions, in Brazil and abroad, Devires seeks to create a publication engaged both in theoretical debates and in the artistic works that reflect, critically and intensely, the field of cinema. 

Revista Devires - Cinema e Humanidades  ISSN 1679-8503 (impressa) / ISSN 2179-6483 (eletrônica)

Notícias

 

Prorrogado o prazo para submissão de artigos ao dossiê Pedagogias do Cinema

 
A Revista Devires - Cinema e Humanidades prorrogou o prazo para submissão de artigos ao dossiê Pedagogias do Cinema para o dia 28 de agostoOs artigos devem ser submetidos de acordo com as Normas de Publicação disponíveis no site, na seção DOSSIÊ Pedagogias do Cinema: http://www.fafich.ufmg.br/devires/index.php/Devires  
Publicado: 2017-06-20 Mais...
 

Chamada para apresentação de artigos

 

A Revista Devires - Cinema e Humanidades divulga chamada para o três próximos dossiês, com publicações previstas para o ano de 2017:

- Políticas do Cinema e da Fotografia, coordenado por Anna Karina Bartolomeu, Cláudia Mesquita e Maria Ines Dieuzeide, recebe artigos até dia 06 de fevereiro – PRORROGADO PARA O DIA 20 DE FEVEREIRO; 

- Cinema e Escritas de Si, coordenado por Roberta Veiga, Ilana Feldman e Carla Italiano, estará com submissões abertas até 06 de março

- Pedagogias do Cinema, coordenado por André Brasil e Clarisse Alvarenga, recebe textos de colaboradores até dia 26 de junho - PRORROGADO PARA O DIA 28 DE AGOSTO.

 

Dossiê Políticas do Cinema e da Fotografia

Com um novo dossiê dedicado às políticas da imagem, a Revista Devires pretende levar adiante indagações teóricas e analíticas em torno das potências políticas e estéticas que marcam o cinema e a fotografia contemporâneos.

Mais especificamente, propomos reunir contribuições que busquem identificar e analisar as diferentes maneiras como as imagens povoam o espaço público, tornando-o um território coabitado pelas diferenças e pela pluralidade dos modos de existência, atravessado pelo que Jacques Rancière denomina “cenas dissensuais”. Como as operações imagéticas manifestariam modos de existência dissensual do sensível, “subtraído à repartição das partes e das parcelas” até então estabelecida? (RANCIÈRE, 1996, p.68). Interessa-nos, por exemplo, a atenção a imagens urgentes, produzidas em contextos de disputas políticas, nas quais se inscreve o desejo de intervenção e transformação social.

Tendo como pressuposto a distribuição desigual da “condição precária” pelo Estado e pelos poderes, como Judith Butler (2015) tem discutido, buscamos ainda reunir contribuições que inventariem e analisem modos de elaboração da experiência histórica no Brasil e no mundo, fraturada por desigualdades, hierarquias e segregações. De que modos a montagem se compromete com a tarefa de rememorar e “contra-narrar” a experiência social no tempo, colocando-a em perspectiva histórica através da mobilização de testemunhos, imagens de arquivo e (re)encenações? Sob que formas as imagens produzem contra-escritas da história que lutam contra o apagamento forçado e inscrevem memórias soterradas?

Pretende-se ainda reunir contribuições que confrontem a dimensão política das imagens no espaço da pólis com a complicação trazida pelos componentes do “cosmos”, que inclui outras instâncias dotadas de agência (para além dos sujeitos humanos) e que põe em contato mundos radicalmente sem medida comum – a não ser aquela dos equívocos que asseguram a tênue vizinhança entre um e outro (tal como indicam as recentes reflexões em torno do tema da cosmopolítica (VIVEIROS DE CASTRO e DANOWSKI, 2014; LATOUR, 2012; STENGERS, 1997).

Desse modo, o dossiê se orienta por três objetivos, contrastantes e complementares:

1) Identificar e analisar as diversas maneiras com que as imagens expressam os muitos dissensos que se manifestam nas nossas cidades (desde as divisões entre o centro e a periferia, com a correlata distribuição desigual da “condição precária”, até as intervenções dos diversos coletivos no cotidiano do espaço urbano e a insurgência – intempestiva – das manifestações coletivas);

2) Identificar e analisar as diferentes maneiras como uma experiência histórica fraturada por desigualdades e segregações se inscreve nas imagens e é elaborada na montagem de diferentes obras fílmicas, empenhadas na construção de contra-narrativas que rememorem experiências soterradas;

3) Identificar e analisar as diferentes maneiras com que as imagens expressam os equívocos que se interpõem entre o nosso modo (branco, ocidental) de pensar e fazer a política, e aquele de outros povos cuja cosmologia concede o poder de agência a outras entidades que não apenas a dos sujeitos humanos. 

O prazo para o envio dos textos é o dia 20 de fevereiro de 2017. Os artigos devem ser submetidos de acordo com as Normas de Publicação disponíveis no site, na seção DOSSIÊ Políticas do cinema e da fotografia.

Coordenação do dossiê: Anna Kariana Bartolomeu e Claudia Mesquita (editores), Maria Ines Dieuzeide (convidada).

 

Dossiê Cinema e Escrita de Si

A produção cinematográfica marcadamente subjetiva, performativa ou realizada em nome próprio, na primeira pessoa do singular, tem problematizado os modos pelos quais a subjetividade contemporânea se constitui na imagem e por meio da imagem. Nesse panorama, a ampliação das possibilidades de produção audiovisual (com o incremento das produções domésticas, dos filmes-diário, dos ensaios audiovisuais, dos documentários performativos e dos relatos testemunhais de todo tipo), somada aos novos modos de circulação, compartilhamento e consumo desses materiais em sites e redes sociais, intensificou e deu novos contornos às formas de constituição e expressão de si no campo da imagem, configurando um heterogêneo e dialógico “espaço biográfico” (Arfuch, 2008).

Corremos contra o tempo para entendermos e nos posicionar frente a um fenômeno cultural, subjetivo e social que aponta para um limite tênue, e muitas vezes problemático, entre o ético e o estético: trata-se de uma exposição de si sem vínculos com a dimensão do comum e do coletivo, ancorada apenas no espetáculo do “show do eu” (Sibilia, 2016)? Ou trata-se de formas de experimentação de si que nos afastam das identidades fechadas e nos colocam frente à dimensão relacional, mutante, inacabada e faltante das subjetividades partilhadas? Com efeito, a inflação ou hipertrofia da subjetividade contemporânea pode ser vista apenas como sintoma do mundo atual, mas pode também resistir a esse mundo, ao interrogar as interseções entre as esferas pública e privada, a história e a memória, o íntimo e o êxtimo, o pessoal e o político.

A partir dessas questões, o Dossiê “Cinema e Escritas de si” propõe pensar o cinema como experiência sensível que captura, resiste, elabora, reflete, desconstrói, reconstrói e deixa-se atravessar, de diferentes maneiras, por variadas formas de autobiografia e expressão subjetiva. Dedicando-se à análise de um cinema de escrita pessoal (íntima, familiar, doméstica) e de seus procedimentos de linguagem, recursos estilísticos e estratégias formais; ao mapeamento de cineastas e obras; bem como ao estudo das teorias e dos gêneros confessionais (entre eles o documentário performativo, o cinema ensaio, o filme de família, o diário filmado etc.), o Dossiê “Cinema e Escritas de si” visa investigar e interrogar os trânsitos entre os âmbitos público e privado, poético e político, pessoal e coletivo – problematizando o “teor testemunhal” da cultura em uma sociedade mediada pela imagem e tensionando a relação entre as formas da intimidade e os mecanismos de visibilidade, os modos de solidão e as possibilidades de comunhão.

O prazo para o envio dos textos é o dia 06 de março de 2017. Os artigos devem ser submetidos de acordo com as Normas de Publicação disponíveis no site, na seção DOSSIÊ Cinema e escrita de si.

Coordenação do dossiê: Roberta Veiga (editor), Ilana Feldman e Carla Italiano (convidadas).
 
 
Dossiê Pedagogias do Cinema

O que nos ensinam os filmes? A concordar com as proposições de Serge Daney (2007) ainda nos anos 70, cada autor sugere sua própria pedagogia, que será apreendida em termos fílmicos: pedagogia straubiana da não-reconciliação e da disjunção; pedagogia godardiana da confrontação dos enunciados, da restituição das imagens, etc. Hoje, contudo, a reivindicação de uma pedagogia do cinema talvez nos exigisse deslocamentos em relação às formulações de Daney.

Do ponto de vista da circulação e exibição dos filmes, as passagens da escola ao cinema (e vice-versa) ganham matizes e formatos os mais diversos: os festivais, que se definem por recortes particulares, em alguns casos, vinculados às demandas das minorias; os cineclubes, que se revigoram com as possibilidades de acesso por via digital; as experiências de formação descentralizadas, nas escolas ou fora delas, em comunidades urbanas ou rurais (indígenas, quilombolas, centros de cultura, ocupações etc.). Os filmes constituem então comunidades de espectadores circunstanciais, que extrapolam os contextos institucionais, em circuitos precários e dispersos, que possuem capilaridade e vinculam o cinema a processos de formação e de engajamento cultural ou político.

A produção das imagens aparece, ela também, como experiência pedagógica, que convoca posicionamentos políticos e éticos indissociáveis das escolhas estéticas. Interessaria nesse caso a obra assim como, fortemente, os processos que a possibilitam, estes que são, por si só, formativos. Para além das temáticas que abrigam, a elaboração formal e narrativa dos filmes porta sua pedagogia: ainda que possa se ligar mais estritamente ao trabalho de um “autor”, em muitos casos, essa pedagogia é atravessada pela experiência de uma comunidade, de um grupo num território, de uma luta histórica, de uma cosmologia.

Com o dossiê Pedagogias do cinema, gostaríamos de investigar esses processos em sua ampla gama de possibilidades:

1. A pedagogia que se apreende no trabalho de um autor ou de uma cinematografia (moderna ou contemporânea), com atenção à elaboração fílmica que ali se propõe.

2. A pedagogia que se formula nos processos de formação por meio do cinema, seja no interior da escola, seja em comunidades urbanas ou rurais; junto a grupos indígenas, quilombolas etc.

3. As relações possíveis entre a forma dos filmes e a experiência histórica, política ou cultural no interior da qual são produzidos.

4. Os processos de devolução das imagens aos sujeitos filmados; as exibições circunstanciais junto às comunidades e o que elas provocam como elaboração coletiva.

O prazo para o envio dos textos é o dia 26 de junho de 2017. Os artigos devem ser submetidos de acordo com as Normas de Publicação disponíveis no site, na seção DOSSIÊ Pedagogias do cinema.

Coordenação do dossiê: André Brasil e Clarisse Alvarenga (editores).
 
Publicado: 2016-11-29
 
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v. 12, n. 2 (2015): Devires - Cinema e Humanidades - Dossiê: Documentário e Cinema de Arquivo


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