Cultura, Arte e Trabalho

Desenvolvido por: Anna Carozzi
Eduardo L. Salatiel
William Mattiolli

Laboratório de Filosofia I - UFMG - 2° Semestre de 2007


PRIMEIRA AULA: HOMEM E NATUREZA / NATUREZA E CULTURA

INTRODUÇÃO AO TEMA: Apresentação de uma IMAGEM que possua elementos naturais e construções humanas.

PERGUNTA: Como os alunos dividiriam os elementos presentes na imagem em duas categorias?

EXPECTATIVA DE RESPOSTA: objetos naturais e objetos artificiais.

IMAGENS SUGERIDAS:

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DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA PARA UMA ELABORAÇÃO MAIS CONCEITUAL DO PROBLEMA:

O que faz com que os objetos possam ser divididos nessas duas categorias?

O que os diferencia?

O que subjaz a essa diferença?

E o que essa diferença pode indicar em termos daquilo que faz com que o homem se “destaque” do restante da natureza?

DIRECIONAMENTO DAS QUESTÕES PARA UMA INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE TRABALHO:

Breve apresentação de uma noção inicial do conceito de TRABALHO: atividade pela qual o homem intervém na natureza e a transforma segundo seus fins e suas necessidades de sobrevivência.

QUESTÕES PARA ORIENTAR A FORMULAÇÃO DO PROBLEMA:

Esse conceito é suficiente para definir aquilo que diferencia o homem dos outros animais e do restante da natureza?

O que diferencia então o trabalho humano do trabalho dos outros animais?

Exemplos que ilustram as questões:

PROBLEMATIZAÇÃO

Tanto o homem como os outros animais intervém na natureza de modo a não somente se adaptar a ela, mas adaptá-la às suas necessidades.

O homem “pensa” no seu trabalho antes de realizá-lo, enquanto os animais agem por instinto.

O trabalho humano é dirigido por finalidades, é deliberado e intencional.

DIRECIONAMENTO DA DISCUSSÃO PARA UMA ELABORAÇÃO MAIS CONCEITUAL DO PROBLEMA:

O que seria constitutivo do pensamento (da razão), peculiar a ele, de tal forma que os animais nunca poderiam ser considerados como portadores de tal faculdade?

O que define o pensamento em oposição ao trabalho instintivo dos animais?

DIRECIONAMENTO DAS QUESTÕES PARA UMA INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE LINGUAGEM:

Breve apresentação de uma noção inicial do conceito de LINGUAGEM como capacidade do homem em representar o mundo através do símbolo

QUESTÕES:

Qual a diferença entre a comunicação estabelecida entre os seres humanos e a comunicação estabelecida entre os outros animais?

Qual a diferença entre a linguagem animal e a linguagem humana?

PROBLEMATIZAÇÃO:

O animal é capaz de representar uma coisa fixa a fim de se adaptar a uma situação concreta

A linguagem simbólica provoca um distanciamento do homem com o mundo fazendo com que ele organize a realidade produzindo um sentido

A capacidade do homem em representar através da linguagem simbólica permite que ele lembre do passado e projete o futuro.

CONCEITOS INTRODUZIDOS NA PRIMEIRA AULA:

Natureza Cultura Animal
Pensamento Razão Linguagem
Universo simbólico Signos Significação
Interpretação Representação Abstrata

ARGUMENTAÇÃO:

Apresentação de argumentos e exemplos relativos á discussão Natureza X Cultura, ao conceito de Trabalho e ao conceito de Linguagem com base nos textos de referência.

REFERÊNCIAS (Primeira Aula):

ALVES, Rubem. “Símbolos da Ausência”. In: O que é religião. São Paulo: Editora Brasiliense, 1991. 14ª edição. Pp. 14-22.

ARANHA, Maria Lucia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. “Pensamento e Linguagem”. In: Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2003.

MONTAIGNE, Michel de. “Apologia de Raymon Sebond”. In: Ensaios. Vol. II. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

ATIVIDADE SUGERIDA:

Passar o texto “Os Símbolos da Ausência” retirado do livro O que é Religião de Rubem Alves para que os alunos leiam e façam um resumo como Verificação de Leitura. O texto será trabalhado na próxima aula.

OBSERVAÇÃO: Nessa primeira aula não há leitura de textos.

* Baixe Os Símbolos da Ausência em formato ou

SEGUNDA AULA: LEITURA E DISCUSSÃO DE TEXTO

Apresentação e Leitura do texto “Os Símbolos da Ausência” retirado de O que é religião de Rubem Alves.

NOÇÕES IMPORTANTES QUE DEVEM SER TRABALHADAS A PARTIR DA LEITURA DO TEXTO:

Homem X Animal: Determinado e Indeterminado

Liberdade

Idéia de corpo: o significado de o animal ser seu próprio corpo e o homem ter seu próprio corpo

O que é natural no homem? Quando que os imperativos imediatos do corpo deixam de ser natureza e se tornam cultura?

Por que o homem faz cultura?

Homem como ser de desejo e desejo como sintoma de privação

A vida humana é somente uma luta pela sobrevivência?

O que significa o homem saber de sua morte?

A AULA:

Discussão do texto

Introdução e esclarecimento de conceitos

Problematizar o argumento do texto em questão

Delimitar a solução de Rubem Alves para o problema: Natureza X Cultura

CONCEITOS INTRODUZIDOS NA SEGUNDA AULA:

Desejo Simbolismo Cultura
Inconsciente Liberdade

REFERÊNCIAS (Segunda Aula):

ALVES, Rubem. O que é religião. São Paulo: Editora Brasiliense, 1991. 14ª edição.

LAPLANCHE.J & PONTALIS, J.-B. Verbetes: Desejo, Simbolismo, Sublimação, Inconsciente e Adjacentes. In: Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

ATIVIDADE SUGERIDA - Questão para ser respondida em casa:

A partir da leitura do texto e da discussão em sala de aula, explique o título “Os símbolos da ausência” do texto de Rubem Alves tendo em vista a relação Natureza X Cultura.

TERCEIRA AULA: APROFUNDAMENTO DAS QUESTÕES DISCUTIDAS SOBRE O TEXTO “SÍMBOLOS DA AUSÊNCIA”

O que diferencia o homem do animal é o fato de que sua linguagem cria necessariamente um universo simbólico que busca satisfazer um desejo originário.

O homem é um ser de desejo e esse desejo é sintoma de uma ausência, de uma falta constituinte.

Essa falta é ao mesmo tempo aquilo que constitui o desejo e aquilo que, por ser resultado de uma perda irrecuperável e irreparável, torna impossível a satisfação plena desse desejo.

O objeto desse desejo é a experiência da plenitude (ou completude), experiência tornada impossível pela própria consciência da morte.

A morte é aquilo que se insinua a todo instante como um furo na experiência do homem no mundo, o qual, a partir de seu nascimento, está fadado a uma busca que nunca terá como resultado o encontro do objeto perdido.

A plenitude é aquilo que o ser experiencia na unidade orgânica com o corpo materno, ou seja, antes do nascimento, no momento em que habita a mais profunda paz do útero da mãe.

REFERÊNCIAS (Terceira Aula):

ALVES, Rubem. O que é religião. São Paulo: Editora Brasiliense, 1991. 14ª edição.

FREUD, S. O Mal estar na Civilização. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

LAPLANCHE.J & PONTALIS, J.-B. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

ATIVIDADE SUGERIDA:

Passar um trecho do aforismo 354 do livro “A gaia ciência” de Nietzsche para que os alunos leiam e façam um resumo como Verificação de Leitura. O texto será trabalhado na próxima aula.

* Baixe o Aforismo 354 (de A Gaia Ciência) em formato ou

QUARTA AULA: APRESENTAÇÃO E LEITURA

Texto utilizado: trecho do aforismo 354 retirado de A Gaia Ciência de Nietzsche

NOÇÕES IMPORTANTES QUE DEVEM SER TRABALHADAS A PARTIR DA LEITURA DO TEXTO:

Consciência X Inconsciência

Pensamento consciente X Pensamento inconsciente

Comunicação / Linguagem

Natureza e Necessidade de comunicação

Consciência e Linguagem como rede de ligação entre pessoas

Razão X Consciência

Signos e Linguagem

Instinto gregário

A AULA:

Discussão do texto

Introdução e esclarecimento de conceitos

Problematizar o argumento do texto em questão

REFERÊNCIAS (Quarta Aula):

NIETZSCHE, F. W. A gaia ciência. São Paulo, Companhia das Letras, 2001.

QUINTA AULA: APROFUNDAMENTO DAS QUESTÕES DISCUTIDAS SOBRE O TEXTO DE NIETZSCHE

O desenvolvimento da consciência está intimamente ligado ao desenvolvimento da linguagem, e este, por sua vez, está fundado sobre a necessidade de comunicação.

O intelecto humano se desenvolveu como um órgão necessário à conservação da espécie, na medida em que possibilita criar uma rede de ligação entre os homens através da linguagem.

O homem, como animal naturalmente gregário, necessita viver em comunidade; ele precisava dos outros para se proteger, caçar, construir; ele precisava, sendo o animal mais ameaçado, de ajuda, de proteção, precisava de seus iguais, tinha de saber exprimir seu apuro e fazer-se compreensível.

Daí a origem forçosa de um meio de comunicação eficiente que tinha como pressuposto a consciência dos estados interiores e dos sentimentos para que estes pudessem ser transmitidos sob a forma de signos lingüísticos. Com o que se revela a origem da consciência como algo absolutamente natural e inserido nas estratégias de adaptação dos seres vivos ao seu meio. Na ausência de armas naturais, o homem desenvolveu o intelecto e a consciência para se adaptar e para se conservar.

A linguagem não é nada mais, portanto, do que um meio de adaptação e de auto-conservação do ser humano, assim como as carapaças dos moluscos, a capacidade de voar dos pássaros, os dentes afiados de um predador; o que nos mostra que a origem do intelecto, da consciência e todo o universo simbólico construído pelo homem se encontram totalmente imersa naquilo que chamamos Natureza.

ATIVIDADE SUGERIDA - Questão para ser respondida em casa:

A partir da leitura do texto e da discussão em sala de aula EXPLIQUE qual é a natureza da linguagem para Nietzsche.

REFERÊNCIAS (Quinta Aula):

NIETZSCHE, F. W. A gaia ciência. São Paulo, Companhia das Letras, 2001.

NIETZSCHE, F. W. “Sobre a verdade e mentira no sentido extra moral”. In: Obras incompletas. Coleção: Os pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991.

SEXTA AULA: O PROBLEMA NATUREZA E CULTURA RELACIONANDO OS DOIS TEXTOS TRABALHADOS

Dividir a turma em dois grandes grupos e fazer um debate. Um grupo irá defender a posição de Rubem Alves e o outro a de Nietzsche.

O professor deverá pedir aos alunos que discutam e apresentem argumentos baseados nos textos e nas aulas anteriores tendo em vista o problema: Natureza X Cultura.

No debate deverá ser avaliada a participação dos alunos.

O professor deve tentar direcionar a discussão para a conclusão de que no ser humano as características biológicas da natureza e os dados culturais estão profundamente associados.

BIBLIOGRAFIA GERAL:

ALVES, Rubem. O que é religião. São Paulo: Editora Brasiliense, 1991. 14ª edição.

ARANHA, Maria Lucia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2003.

FREUD, S. O Mal estar na Civilização. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

LAPLANCHE.J & PONTALIS, J.-B. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

MONTAIGNE, Michel de. “Apologia de Raymon Sebond”. In: Ensaios. Vol. II. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

NIETZSCHE, F. W. A gaia ciência. São Paulo, Companhia das Letras, 2001.

____________. “Sobre a verdade e mentira no sentido extra moral”. In: Obras incompletas. Coleção: Os pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991.

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5 comentários to “Cultura, Arte e Trabalho”

  1. lucineia cruz ribeiro quemelli Says:

    Adorei saber pude incrementar minhas aulas, sou efetivada em história e fiquei muito apreensiva ao assumir as aulas, busquei,livros material de apoio e tão difícil,aí pesquisando materiais pra minha pesquisa encontrei estes artigos de Filosofia.Estou adorando trabalhar essa disciplina estou aprendendo muito.

  2. maria divina de brito Says:

    É um privilegio poder contar com esse recurso nas minhas aulas,
    dou aulas de filosofia e sociolofia,parabens muito obrigada mesmo.

  3. kaio rodrigo santos alves Says:

    muito bom,muito bom mesmo,osite esta de parabeins pois ocontra texto esta bom e ocomteudo e exelente , da para estudar numa boa.

  4. LUCAS Says:

    Adorei saber pude incrementar minhas aulas, sou efetivada em história e fiquei muito apreensiva ao assumir as aulas, busquei,livros material de apoio e tão difícil,aí pesquisando materiais pra minha pesquisa encontrei estes artigos de Filosofia.Estou adorando trabalhar essa disciplina estou aprendendo muito.

  5. Ana Welter Says:

    Excelente o encaminhamento reflexivo que proporciona esta sugestão de aula. Para mim é um suporte seguro. Poder contar com esse auxílio nas minhas aulas de filosofia é ter a satisfação de estar no caminho certo. Muito obrigada!

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