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Projeto
Sobre a Religiosidade do Segundo Wittgenstein
No meu livro "Iniciação
ao Silêncio", procurei mostrar as ligações
íntimas entre a filosofia tractatiana e um certo tipo de
cristianismo transcendental, inspirado em Schopenhauer e Tolstoi.
Pesquisas posteriores sugeriram a idéia de que esse cristianismo
transcendental constituiria a intuição de base do
pensamento de Wittgenstein, mantendo-se constante em toda a sua
evolução intelectual. Isso significa que a visão
ético-religiosa pode ser o elemento que dá continuidade
ao pensamento de Wittgenstein. As diferenças estariam nas
concepções da crítica da linguagem, que seriam
diferentes nas duas fases de sua filosofia. A tarefa enolvida
por essa pesquisa apresenta duas dificuldades fundamentais. Em
primeiro lugar, seria preciso mostrar que a experiência
mística wittgensteiniana não está necessariamente
ligada à sublimidade da lógica tractatiana, podendo
também ocorrer em formas de vida marcadas pela imprecisão
dos jogos de linguagem. Em segundo lugar, seria preciso mostrar
que o solipsismo, mesmo na fase das "Investigações",
continua a ser elemento fundamental da experiência mística
wittgensteiniana,embora não mais na forma tractatiana.
O objetivo central do projeto é enfrentar essas duas dificuldades
e mostrar a compatibilidade entre a visão ético-religiosa
e as duas fases da filosofia de Wittgenstein. Esse projeto foi
iniciado em 2006, quando me aposentei na UFMG e me tornei docente
do programa de pós-graduação da FAJE, inserido
na linha de pesquisa em Filosofia da Religião.
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