COMENTÁRIOS FÍLMICOS
![]()
17|março|2000
Corredor verde e rosa
Henrique "Mile"
Frank Darabont filmando drama presidiário dá samba. Já fez por merecer o tal Oscar® pelo sonho de liberdade protagonizado por Tim Robbins e Morgan Freeman. Pois deu alguns passos adiante nesse "The Green Mile" ou, no bom português, "À Espera de Um Milagre" (milagre mesmo seria esses distribuidores do quintal respeitarem os títulos dos filmes; aliás, não sei como "Romeu e Julieta" não virou algo como "Duas famílias em pé de guerra" ou "Amor a toda prova"...).Tom Hanks está muito bem com suas imitações de sulista. E não está sozinho como um Sean Connery na Amazônia ou um Mastroianni na Bahia. Pelo menos mais quatro atuações marcam em "Green Mile": o negão de história em quadrinho, os policiais coadjuvantes, todos os condenados (um deles é Graham Greene, o inesquecível sioux de "Dança Com Lobos"), Gary Sinise (numa única cena em todo o filme) e o rato, claro. Já o vilãozinho é banal.
Comete-se aqui, no entanto, os mesmos excessos de "Shawshank Redemption". O filme é maior do que deveria e tem várias cenas dispensáveis. Salta aos olhos a inutilidade do prólogo e do epílogo, protagonizados por uma personagem na quarta ou quinta idade, que não só não acrescenta nada à história como pega carona num clichê já esgotado em "Titanic", por exemplo. Um esforço, talvez, de fazer bilheteria em cima dos aposentados, mas deixemos a mixórdia para os marqueteiros e executivos.
Esqueçam-se as coincidências absurdas, pois a essas alturas elas já são premissa do show. Melhor é viajar nos truques de Darabont para contrapor e delimitar o bem e o mal, prisão e liberdade, beleza e feiúra, saúde e enfermidade. Claro que tudo dentro das normas do senso comum, mas convenhamos: sem vulgaridade, o que já é muito para os padrões atuais.
PS1: "mile" é milha, mas no contexto do filme é corredor, ala.
PS2: justiça seja feita, a respeito de títulos em português: "O Quarto Poder" é muito melhor do que "Mad City", e "Quero Ser John Malkovich" é mais preciso que "Being John Malkovich", para ficar em apenas dois exemplos.
24|fevereiro|2000
O Talento em forma de filme
Rodrigo Andrade"Ripley é um jovem e pobre americano que é contratado por um milionário para ir a Itália e convencer seu filho a voltar para os EUA. Ao chegar na Itália Ripley se depara com a vida que o jovem Dickie leva e fará de tudo para realizar seu sonho de ser outra pessoa." Essa foi a horrível sinopse que eu li.
De qualquer maneira achei a idéia central bem interessante e coloquei-me a caminho do cinema em busca dum filme nada demais. Fazia séculos que eu estava com preguiça de cinema. Mesmo como "radialista" eu não via mais propósito nem gosto em pensar, estudar, fazer ou simplesmente assistir um filme. Tive algumas doses de reanimação, porporcionadas por De Olhos Bem Fechados; Clube da Luta; Toy Story 2; Corra ,Lola, Corra; e 13º Andar mas assim que esta safra terminou eu entrei em nova crise existencial e cinematográfica. Achei que nunca mais acharia um filme perfeito da maneira como eu achei em 1987 quando assisti De Volta para o Futuro ( e também os outros dois da trilogia, Indiana Jones's, Contato, 12 Macacos, Os suspeitos, Laranja Mecânica, etc). Foi então que o "milagre veio do espaço" e, naquela Sexta-feira, 18 de fevereiro de 2000 no Cinema Cidade 5 na sessão das 20:00, eu vi um filme.
OBS: existem muitas pessoas que depois de receberem grandes elogios em relação a determinado filme ao assistirem o acham horrível. É para estas pessoas que não recomendo os parágrafos que seguem. Também não recomendo os parágrafos abaixo à pessoas que não gostam de saber mais do filme que a sinopse do jornal conta (antes de assistir).
Rapaz.... que filme. Não me alongarei muito nos elogios, mas o filme é impecável. A trilha sonora: jazz e clássicos bons como eu nunca vi (ambos em performance pelas personagens do filme).
A fotografia: nem se fala, Nova York e a Itália jazzística dos anos 50, com muito céu, muita praia, muita cidadezinha beira mar, muitos jogos de espelho, sem comentários,
A direção de arte (apesar de eu não saber tão bem ainda os limites desta com a de fotografia e a de cenografia) concorre ao Oscar e deve realmente ganhar porque quase aos pés desta só chega a de Tim Burton na "Lenda do Cavaleiro sem Cabeça"; jogos de Cores fantásticos.
Os atores: Matt Damon: superou em muito sua performance no gênio indomável, está mais perturbado, mais imprevisível e encarna perfeitamente a "talentosidade" de Thomas Ripley. Jude Law: nem precisa falar, Oscar mais que merecido, a personagem dele tem até uma história parecida com a que vive como Eugene em Gattaca mas supera em muito. G. Patrol com suas atuações toleráveis e Kate Blanchet bem apagada. Não se preocupem, a trama principalengloba principalmente Matt Damon ( Tom Ripley ) e Jude Law ( Dickie Greenleaf).
Patricia Highsmith, você está de parabéns, não conheço a sua obra que deu origem ao filme, mas deve ser muito boa. E a adaptação para roteiro melhor ainda. O filme é uma mistura de Crime e Castigo (o livro) com Gattaca, mais Gênio Indomável, mais Incógnita, mais Advogado do Diabo e alguns outros filmes de suspense que eu não tenho repertório para listar. Os diálogos são ótimos e o a história de uma inteligência muito apurada. Só um diretor bom mesmo para fazer um roteiro desde virar a obra que se tornou.
E finalmente Signor M. você que é o talentoso aqui. Meus parabéns por essa ampôla de glicose cinemascópica injetada direto no peito. Um filme que durou duas horas e meia e não me decepcionou um instante merece meus aplausos. Nada mais direi, já que recomendei já esse filme para dezenas de pessoas e 95% das que viram depois me disseram que odiaram, que o filme é de mau gosto e que a história é mal contada. Não se preocupem, minha opinião não mudará.
Adeus Kevin Smith, adeus Danny Boyle; vocês me decepcionaram. Tudo bem, agora tenho Minghella e David Fischer.
Quem assistir comente comigo: frodo.bhz@zaz.com.br
Vamos a la playa...?
Henrique Milen
"A Praia" não merecia aquele trailer ridículo, que provoca risos gerais onde quer que seja exibido. É um filme e tanto. Gosto cada vez mais do diretor Danny Boyle (Cova Rasa, Trainspotting), não só pelas cenas e sequências inesquecíveis de seus filmes, mas também pelo modo como ele retrata o ser humano. Boyle tem nojo de maniqueísmo e clichês. Evita-os a ponto de criar "mocinhos" que sacaneam seus melhores amigos, em busca de prazeres mundanos, ou um perigoso traficante que, afinal, quer mais dar de comer aos seus do que arranjar confusão. É um cara que respeita a nossa inteligência e não se julga superior a suas personagens ou ao seu público (aprende, Rob Reiner!).
Deste filme pode-se dizer: magnífico da cena inicial até a hora em que Leonardo DiCaprio resolve citar Rambo. Não pelo ridículo, mas é porque a história dá uma caída mesmo. Mas nada comprometedor. No final, o que fica na memória é a Bangcoc lindamente caótica e o paraíso que nos mete medo.
Medo é uma boa palavra para se definir o filme (uma definição define o seu definidor, já ouviram isso?). Não o medo dos sustos fáceis ou das apelações sobrenaturais, mas sim esse medo de sentir fome, o medo de perder alguém, de chover e a gente estar sem abrigo, medo de não voltar pra casa ou até mesmo de não ter realmente uma. Enfim, o medo que sentimos da vida e da liberdade que nos força viver. Nada é mais amedrontador para um ser humano.
Lembramos que, nos nossos paraísos, não há chão pavimentado, nem chocolate e gilette sensor. Desistimos dele, e assim todos os paraísos estão perdidos para sempre. Belo filme...
Só para constar: Leonardo DiCaprio é um bom ator, e deviam parar de implicar com o cara por ele ser sonho de consumo das adolescentes. Estas, aliás, desta vez foram barradas pela profusão de maconha e corpos tubaronicamente dilacerados na praia de Danny Boyle. Raro caso de censura adequada...
16|fevereiro|2000
Esse não é...
Adriano Frederico
Quem está pensando em ver o novo filme do Kevin Smith, DOGMA, vai ter a mesma surpresa que eu tive: não é um filme do Kevin Smith. Sim, foi ele que escreveu e dirigiu (até atuou), mas o filme não tem nada da trilogia "O Balconista", "Barrados no Shopping" e "Procura-se Amy".
Quando a Liliane (minha namorada para os leigos) me perguntou se tinha gostado do filme, um nó se formou em minha garganta. Já faz 3 anos que sou um fã do trabalho do cara( eu vi "O Balconista" 8 vezes, "Barrados..." 7 vezes e "Procura-se..." 5 vezes) e não consegui dizer o quanto estava decepcionado com a droga do DOGMA. Fui no cinema esperando encontrar o que sempre teve nos trabalhos do cara: diálogos inteligentes com uma atmosfera sarcástica e irônica, mas o que encontrei foi um filme teológico de ação. Como o Rodrigo (por falar nisso, ele é mais fã do Kevin do que eu) havia me dito, o filme lembra muito as histórias em quadrinho e se alguém me perguntar, vou dizer que o único objetivo dele era conseguir a direção ou dos filmes dos X-Men ou do filme do Homem-Aranha pro Kevin Smith ( e tomara que ele consiga, vai fazer um puta trabalho). DOGMA tem algumas coisas que salvam, o Matt Damon está excelente no papel de anjo, os aspectos anjelicais foram bem colocados, com mitologia bem pesquisada, o clima de ação é bem legal e para quem do Jay e do Silent Bob, a dupla de desordeiros dos outros três filmes, DOGMA é um prato cheio.
Infelizmente foi isso... como eu disse para o Caio quando o encontrei na saída do filme: Esse não é um Kevin Smith.
12|dezembro|1999
Clube que encuca
Henrique Milen
O Rodrigo me falou e: realmente. Parece que "Clube da Luta" começou a ser escrito por um cara e concluído por outro.
Tem coisas ali que não se encaixam mesmo, nem vem. Mas isso não chega a comprometer o filme, que é ao mesmo tempo uma anátema do capitalismo e uma grande aposta da 20th Century Fox...Paradoxal? Sim, e cínico o suficiente para nos dizer algo como "sou, mas quem não é...?".
Fala do terrorismo como a saída para o colapso da nossa civilização, e da auto-destruição, como caminho para o auto-conhecimento...
No meu tempo de Stallone Cobra isso seria uma baita robledagem, mas tipo, são maluquices que passam meio despercebidas neste tempo de "transições paradigmáticas" e até dentro do próprio filme. Mais pós-moderno que Simpsons. E David Fincher. A seu respeito cheguei a comentar: "o mais criativo diretor em atividade". Depois me lembrei de Woody Allen, Almodóvar, Kevin Smith, os irmãos Cohen, e pensei comigo mesmo: "tá bom, um dos 5 melhores então, pô". É tão desolador como "1984" e "Nascido Para Matar". Só que 1984 fala de um totalitarismo que nunca chegou a existir de fato. Já o filme de Kubrick, também me incomoda, mas é distante, é aquela guerra deles lá. "Clube da Luta", no entanto, fala de algo que está presente no nosso cotidiano. São verdades que atordoam; não adianta mais correr para o supermercado...
Enfim, vejam.
novembro|1999Sou espada e matador
Adriano FredericoÓdio é a palavra que eu estou usando aqui, se há alguém que as pessoas odeiam mais que um Chichador (aquelas pessoas que fazem Chiiii no cinema) são os que estavam conversando e acordaram o chichador que existe em todos nós. Pois é, hoje, Sábado 13, em homenagem ao aniversário da Marina, dei um bolo na Comunicação e fui ver o 13º Guerreiro com os amigos que deixei de lado. Por que? Admito que não foi por saudade (ICQ e e-mail existe para isso), foi por motivos mais obscuros: Eu gosto de falar durante o filme.
Não há nada melhor do que fazer comentários, completar aquela pergunta imbecil feita por aquele personagem. Lembro inclusive da 2º melhor que já fiz, naquele filme que nem lembro o nome, aquele do crocodilo gigante no lago, pois é, esse mesmo. No começo, quando estavam no necrotério e perguntam se o cara que teve a parte inferior de seu corpo devorada pelo crocodilo disse alguma coisa antes de morrer. Não dá para agüentar, é nessa hora que você fala: "Sim disse, ele disse AAAAARRRGGHHHH!!!!!!". É com esses amigos que exercito meu vício maldito, nós já temos técnicas desenvolvidas durante anos, só para escrachar os filmes.
Fomos para o point comunicativo (Diamond) e me senti em casa, em meia hora encontrei dois concursandos. Entramos no cinema e começamos pelos trailers, mas escrachar trailer não tem graça, ninguém quer ver trailer (só eu, que eu saiba). Finalmente, o filme começou e... nada, passamos o filme inteiro sem falar nada, nenhuma cena imbecil, nada. O filme tem cenas engraçadas, mas nenhuma imbecil. Houve uma quase manifestação de um colega meu, frente ao clichê: "Você é o mocinho? Vamos para a cama comigo?", mas nem nessa cena deu. O filme não abusa de erotismo, ele só mostra duas pessoas que enfrentam a morte juntas e decidem passar a noite fazendo algo melhor do que sentir medo. E as lutas então... que merda, pura honra e bravura, nenhum Jabá Bingo fazendo palhaçada. Que saco, não deu para escrachar hora nenhuma... droga! Adorei o filme...
Sexto Sentido
Adriano FredericoSó três coisas salvam nesse filme. O roteiro, os atores e a direção... a história todo mundo já sabe e, provavelmente, também sabem que o moleque é o Máximo (disfarçado é claro). A única coisa que ninguém sabe, é o final. Conselho de amigo, se alguém AMEAÇAR te contar o final, apenas AMEAÇAR, chute alguma parte do seu corpo que doa muito e corra gritando para que ela não tenha chance de dizer enquanto você foge. Infelizmente só posso dizer isso senão estraga o filme. Como diria o Rodrigo MUUUUITO BOMMM!!!
O ópio do povo
Nikolas SpagnolNo último sábado, durante uma aula de auto-escola pela manhã, constatei tristemente que acerto uma baliza a cada 3 tentativas às vésperas do exame crucial (nem adianta torcer por mim porque a essa altura eu já tomei pau). Tirei um extrato no banco e percebi que me cobraram um saque de 150 contos que eu não fiz, o que estourou meu saldo e me deixou zerado para o fim de semana. À tarde, depois de ver meu Galo levar literalmente de quatro, pisoteei e joguei cerveja na camisa listrada e joguei meu pôster de "Campeão Mineiro de 99" na lixeira do banheiro (já não agüentava mais olhar pra cara do Walmir e do Sandro Barbosa). Para distrair um pouco e esquecer esse dia medonho, nada melhor do que um cineminha no ultra-burguês Diammond Mall. Mas, por precaução, deixei a metralhadora em casa.
American Pie. Por que não "Torta de Maçã" ? Ah, tem que ter duplo sentido... Então, que tal "Croquete" ou "Enroladinho de Salsicha". Não, horrível. Bom, podia ser qualquer coisa menos um título em inglês, já basta Star Wars no lugar de Guerra nas Estrelas ou "Métrix" no lugar de Matrix. Se bem que as traduções dos títulos de alguns filmes tem beirado a repugnância, como o subtítulo de Austin Powers, "O Espião Bond Cama". "The Spy Who Shagged Me" seria melhor traduzido para "O Espião que me Fornicou", bem ao estilo Sucker and Fucker do Casseta e Planeta. Ou no estilo anos 60, em que o filme se passa, "O Espião que é uma Brasa". No interior poderia ser lançado como "O Espião que Dá no Couro". Vale a imaginação de cada um.
Mas do que é que eu estava falando mesmo? Ah, sim, do "American Pie". Como vocês já devem saber, o filme tem pornografia e escatologia para todos os gostos. "Comer" a "personagem título" é só o começo. O nível estaria entre o nojento Porks, clássico das tardes do SBT, depois do Chaves, e o impagável A Primeira Transa de Jonathan, reprisado pela septuagésima oitava vez no último Domingo Maior, na Globo.
Como vocês também já devem estar carecas de saber, trata-se de um quarteto de amigos em busca de seu debut sexual. Entretanto, o desfecho é surpreendentemente inteligente, se comparado aos manjadíssimos clichês do gênero. Não vou contar o final, é lógico, mas há uma cena, perto do fim, em que os integrantes do quarteto desabafam entre si que estão cansados de tanta pressão, que "sexo, afinal, não é tão importante assim". Isso é um tapa na cara de muitos casais "plays & pattys" moldados em academias que só se preocupam em sair à noite para "azarar", parte maciça da platéia do filme. Mas seus cérebros minúsculos esquecerão rapidamente esta passagem, e a lembrança do filme não durará mais que uma semana. É o cinema cumprindo seu papel de diversão superficial e descartável. Mesmo que seja a contragosto.
outubro|1999
Project por Project, fico com o
Alan Parsons Project
Henrique MilenRonnie Francisco, além de ser filho de Ronnie Von com Lady Francisco, escreveu contundente artigo no Jornal Mural condenando a "geração shopping center". Resultado: playboys aloprados e patricinhas desvairadas em peso no shopping, dois dias depois. The Diamond Mall Project. Foi tal o sucesso da empreitada que quando Deoroz despontou no horizonte da Sala 4, foi calorosamente saudado pela massa e, segundo Daniel Florêncio (que assistiu à projeção numa confortável Plasvale), parecia até que o retromencionado tinha feito um gol. O que, por sinal, nunca ocorreu em jogos do G.R.E.S. Lanternas F.C.(PREPARE YOURSELF MACLUHAN EPISODE 2 COMING SOON).
Quanto ao fenômeno bilhetérico norte-americano, Eleonora quedou-se ao saber que tinha pago para ver isso e Bruno Fortini caminhava consideravelmente indignado por corredores e depois, ruas. FH engrossou o coro dos descontentes mas manteve a polidez de praxe. O resto do povo parece ter gostado e todos foram felizes para sempre com o cd Bruxa de Blair/Uol que receberam junto com o ingresso (claro que todos vão querer assinar o Uol e não terão problemas com o browser danificado, né?)."Arlington Road"
Henrique MilenDeixa eu falar desse "O Suspeito da Rua Arlington", pode?
Pois adentrei a Sala BMS confiando no Jefbrijes e no Timrobins, dois atores que todos curtem, e quase não acreditei quando vi um roteiro todo esburacado e uma lutinha chulé com pow!s, soc!s e wham!s dignos de Chuck Norris e quetais.
Logo o Tim, tão engajado em seus últimos passos, que que ele foi fazer num filminho de ação de baixo orçamento? E o Jeff, recém-consagrado com seu grande Lebowski, praquê isso, Jeff...
Fui, porém, traído pela minha prepotência, pelo meu conclusivismo, por essa vivência de espectador cheia de vícios e imprecisões. Julguei o filme antes do final e pronto, olha aqui o meu braço torcidinho.
Tudo bem, se a gente embarcar nessa de falar que um filme é bom porque tem um final bom, "Em Terreno Selvagem" vai acabar virando um clássico, porque tem um finalzaço. Steven Seagal dividindo prateleira com Humphrey Bogart e Charles Chaplin nas Blockbusters do novo século, já pensou?
Só que "Arlington Road" é bom mesmo, sô. Corre, que periga o filme sair de cartaz enquanto você estiver na fila do ingresso ou enquanto o Máximo põe essas mal-escritas no Garden."The Haunting"
Henrique MilenVocê corre o risco de ganhar uma camisa exclusiva do filme "A Casa Amaldiçoada" na página brasileira da United International Pictures se responder sabiamente à pergunta: "qual o pior pesadelo que você já teve?"
Respondi assim: "paguei 9 pila para ver um filme de 'terror' dreamworksmente correto, dirigido pelo Jan de Ruint, num cinema de shopping lotado de casals mauripats e...ei, espere aí!"
Com tal gracinha creio ter entrado para a lista negra do saite de modo que nunca mais ganharei os imprescindíveis chaveiros, bonés e pins da UIP. Bom, perco as "memoriablias" mas não perco a piada...
Mas apesar das spielberguices, a história do filme até que rola. Claro que não é terror, só a Vanessa assusta com aquilo. O capetão parece o Wolverine e os anjinhos, estes sim, dão medo em algumas cenas. Spielberg já deu tudo o que podia a este gênero em "Tubarão" e "Poltergeist". Aliás, só hoje eu fiquei sabendo que a Heather O'Rourke morreu. Que ruim. Bom, ficamos livres de Poltergeist 4, mas que ruim assim mesmo.Falô? Então falô. A essas alturas já deve estar rolando Almodóvar nalgum lugar.