COMENTÁRIOS FÍLMICOS



20|agosto|2000

A 8ª Maravilha do Mundo!

Eduardo Rennó

Pra vocês qual é a oitava maravilha do mundo? Depois do filme q vi nessa noite, realmente fico na dúvida. Não sei se essa 8ª maravilha seria o belíssimo filme "As Três Estações", ou o Vietnã, 23 anos após a vitória, ou o fabuloso diretor e vencedor do prêmio em sua categoria em Sundance, Tony Bui. E olha q era seu primeiro filme!
Realmente é um filme fabuloso, q merece ser visto por qualquer um q tiver interesse.
Mas no fundo, a 8ª maravilha do mundo é o cinema, que sai ainda mais rico, após uma obra-prima de estréia como essa. Prestem atenção nesse nome: Tony Bui! Esse cara ainda será meu ídolo no início da minha carreira no cinema.
A única coisa q posso dizer é q a 8ª maravilha é o cinema e "As Três Estações" é a melhor obra-prima q essa maravilha poderia ter ganhado de um diretor americano estreante. Sem contar a produção e interpretação do ator americano especializado em filmes independentes, Harvey Keitel. Sem dúvida mereceu os três prêmios principais do festival americano independente - júri, audiência, além de diretor - e é uma bela fotografia em movimento e som da beleza do povo vietnamita, começando a levar a revanche americana na forma econômica! É tudo que minha linguagem de Rádio e TV me permite escrever sobre esse filme magnífico!

 


29|maio|2000

Filme Brasileiro
Pra Você Aprender A Respeitar

Eduardo Rennó - "O Batata"

Era noite! Uma terça-feira fria desse mês de maio. Eu já começava a cair em depressão, vendo ainda três dias "úteis" pela minha frente até o próximo fim de semana. Como quem não quer nada, dei uma folheada no livrinho semanal de cinema do Circuito Liberdade. Já ia desempolgando ainda mais quando, nas últimas páginas, vi algo que ressuscitou meu interesse. Pré-estréia de filme nacional com a presença da diretora! Era Através da Janela, 2o. longa de Tata Amaral, q já havia filmado Um Céu de Estrelas, há quatro anos.
Como usualmente, deixo pra rumar ao cinema faltando poucos minutos, ainda indeciso devido ao frio que fazia lá fora. Entro à sala e, em menos de um minuto, sobem os créditos. Pensei que havia conseguido um recorde em meus atrasos! Era apenas um curta, que já fiquei arrependido de ter perdido ao observar que o roteiro fora escrito por ninguém menos que Jorge Furtado.
Começa o longa! A câmera vagueia por entre objetos de natureza morta. O resto eu não conto... Mas posso dizer que valeu a pena ter me deslocado até lá nessa, até então desperdiçada, terça-feira. "O filme é nacional", vocês irão dizer... Eu digo que é um nacional pra se respeitar. Uma produção simples consegue ter uma qualidade e um tratamento artístico pouco vistos no cinema produzido por essas bandas. E a trilha sonora foge de qualquer padrão visto até então entre os filmes brasileiros.
"Através da janela" vemos mãe e filho numa relação afetuosa que aos poucos vai se desestruturando. Uma janela que coloca o espectador na posição de observador, tendo o foco narrativo voltado inteiramente para a figura materna. E janelas, portas de vidro, espelhos e pinturas não faltam naquela casa. Signos de uma realidade que não é enxergada por completo; muitas vezes destorcida, invertida, virtualizada, até mesmo fantasiada. Já dizia nosso querido Júlio Pinto! A própria diretora afirma que usou e abusou do simbólico, inclusive nas cores que são utilizadas no desenvolvimento da história. Diga-se de passagem... a fotografia e a direção de arte são primorosas.
A narração se inicia retratando o próprio cotidiano, sempre rotineiro, em planos abertos, e vai aos poucos se tornando densa, tensa, fechando no primeiro plano de cada uma das personagens, que perdem consciência do mundo que as rodeia e se sentem perdidas. O próprio espectador praticamente mergulha na mente dessas personagens e sente seus dramas. A narrativa torna-se extremamente psicológica.
O suspense não está ausente. E é enriquecido por uma trilha, misto de música experimental e eletrônica, rara no cinema nacional. À medida que a trama caminha pra sua definição (ou seria revelação?), o suspense aumenta e a música torna-se ensurdecedora, deixando o mais passivo espectador com calafrios pelo corpo.
Sem dúvida é cinema nacional pra qualquer um aprender a gostar. Mas vou logo avisando para os comunicólogos de plantão: é um Talentoso Ripley tupiniquim. Vocês podem até dizer, após conferirem, que é tão previsível e com tantos clichês quanto a super-produção hollywoodiana. Mas eu digo que ambos são esteticamente e artisticamente belos e, sobretudo, hitchcockianos. Com a diferença que o brasileiro tem um orçamento bem mais modesto.
Portanto, faço o meu convite. Dê uma conferida no que temos de melhor no nosso cinema. Principalmente se gostou dessa 1a. crítica-crônica gardeniana, que aqui coloco em comemoração ao 1o. aniversário desse jornal on-line, feita pelo cinéfilo que me esforço pra ser.

 


15|abril|2000

O preconceito tem "cure"?
Geno Sidious

No cartaz de "Meninos Não Choram" (Boys Don't Cry) estava escrito: "uma história sobre a coragem de ser você mesmo". Porém, a própria 20th Century Fox, que distribui em escala planetária e colhe os devidos louros do filme, não o assume. Pelo contrário, o faz sob essa estranha alcunha "Fox Searchlight", espécie de testa-de-ferro para "projetos arriscados". Contradições (ou princípio?) do deus Mercado.
Acho que "Clube da Luta" (ele de novo, minha gente) tem a ver com o peixe. Isso porque a Fox, ao assumir as consequências de uma produção de fato contestadora (embora emoldurada e limitada pela insanidade ou 'excesso de lucidez' do protagonista), ficou mesmo no preju: a vanguarda artística é um investimento de alto risco, normalmente só aceito por quem não tem nada a perder. Né, Tarantino? A RKO quebrou com "Cidadão Kane". "Não é assim que se domina o mundo", deve ter dito um dos superengravatados da Fox. De qualquer forma, não perdemos nada, e parecemos nos divertir com essas rebeldias inofensivas do cinemão atual. David Fincher, Danny Boyle...
Mas vamos falar de Hilary Swank. Quando a vejo numa loja de conveniência sob a pele de Teena Brando, não resisto a uma comparação com meu obscuro Comedor de Batatas daquela não menos obscura película made in quarto período, "24 Horas" (ainda inédito; contenham-se por favor). De fato, a moça tem uma presença de tela que me falta. Não admira que tenha ganho o Oscar® (acabo de perder meus 6 leitores com essa tirada auto-irônica). Mas eu tenho algo que ela não tem: carteira de reservista, seus maliciosos! E outra coisa que não poderei mostrar neste horário (ISSO AQUI AINDA É UMA HOME-PAGE FAMILIAR, PÔ!).
Fora isso, clássico do The Cure dando sopa e mundo-cão com clichezinhos desabonadores aqui e ali (mais detalhes com Bruno Paiva).

Geno Sidious chegou a recomendar...
Tommy - Adaptação da ópera-rock do The Who. Conta a história de um garoto que abdica da realidade após um trauma e se tranca em seu mundo interior. Neste ínterim, acaba desenvolvendo uma estranha habilidade. Só não recomendei mais porque me barraram na Humberto Mauro, onde essa carteirinha do DCE não vale muita coisa.

 

Leia o comentário fílmico exilado do Nikolas

 


 

Comentários anteriores

17|março|2000
Corredor verde e rosa
- Henrique "Mile"

24|fevereiro|2000
O Talento em forma de filme - Rodrigo
Andrade
Vamos a la playa...? - Henrique Milen

16|fevereiro|2000
Esse não é... - Adriano Frederico

12|dezembro|1999
Clube que encuca -
Henrique Milen

novembro|1999
Sou espada e matador - Adriano Frederico
Sexto Sentido
- Adriano Frederico
O ópio do povo
- Nikolas Spagnol

outubro|1999
Project por Project, fico com o Alan Parsons Project - Henrique Milen
"Arlington Road" - Henrique Milen
"The Haunting" - Henrique Milen