Copeve

 

FALTAM EMPREGOS NA
ÁREA DE COMUNICAÇÃO

Escassez de oportunidades no mercado de trabalho
obriga jovens
universitários a buscar a informalidade

Repórter COPEVE, em edição extraordinária para o Jornal Gardenal.

Uma recente pesquisa do Deptº. de Empregabilidade Social do IBGE revelou uma realidade preocupante para os novos profissionais da Comunicação: a falta de novas vagas nos postos de trabalho nos jornais e agências está direcionando, cada vez mais, a nova safra para a atuação no mercado informal. Tal constatação se torna bastante lógica, e também inevitável, considerando-se o contexto de crise econômica do país e conseqüente aumento do desemprego. Segundo o instituto, cerca de 90% dos estudantes que estão se preparando para o primeiro ingresso no mercado, o fazem através dos estágios. Os cursos de línguas e informática também foram referenciados como fatores importantes no enriquecimento do currículo. Porém, de acordo com relatos dos próprios jovens, a concorrência é sacrificante e o esforço já está se tornando ineficaz. A fonte de renda passa, dessa forma, a ser buscada em outros "ramos" - a maioria deles (cerca de 65%) nas atividades informais. Classificados - Estudando tal expansão da informalidade, os pesquisadores notaram, também, uma forte atuação, de certa forma inusitada, de universitários que, intercalando com horários de aulas e aproveitando as folgas de fim-de-semana, atendem clientes à domicílio ou em estabelecimentos especializados. A pesquisa mostra que, desses profissionais de classificados, cerca de 75% acredita que a atividade não tem provocado abalos psicológicos, desgaste físico ou opróbrio social. Segundo o estudante R.E.F., profissional assumido, o preconceito existe, mas de forma mais branda do que ele esperava - já que boa parte dos amigos também são companheiros de trabalho; "alguns deles...", admite, "...são até clientes freqüentes ou em colegas em potencial..." Ainda de acordo com os dados, 43% dos entrevistados espera permanecer atuando de forma temporária, apenas o suficiente para sair do vermelho ou contornar a crise financeira. "Muitos de nós vieram do interior recentemente e encontraram uma alternativa economicamente viável e até prazerosa de reduzir os gastos com o curso na universidade.", diz L.A.. Por volta de 38% deles não faz qualquer distinção ou seleção de clientes, e 81% utiliza sempre equipamentos de segurança contra acidentes de trabalho. "Isso é um grande avanço, já prova que todos temos consciência dos riscos que envolvem a atividade. Além do mais, não temos qualquer cobertura médico-hospitalar ou convênio, como qualquer outro trabalhador de carteira-assinada.", relata F.L.. Já pode-se admitir até uma segmentação na área: há alguns que, cobrando consultas acima de R$200 cada hora, atendem pedidos em secretária-eletrônica e telefone celular, possuem veículo próprio, só atendem na zona-sul e freqüentam academias e lojas de luxo. "A aparência é fundamental. Além disso, um corpo bem trabalhado e saudável melhora a performance e valoriza o cachê." (C.E.) Há estudantes que chegam a faturar até mais de R$2.500 por mês, somente atendendo empresários(as), profissionais liberais e até políticos. Dentre eles, destacam-se dois ou três pela enorme procura e destaque entre os colegas. "Nunca esperávamos que fulano fosse tão eficiente, produtivo e com muito talento. Ele se revelou um exemplo de dedicação e profissionalismo.", revela A.C. "O que mais me admira neles é a versatilidade e o vigor.", diz G.F.E., amigo admirador. O IBGE concluiu que esse mercado informal não vem sofrendo o efeito da crise e se mostra em ligeira expansão. Cada vez mais, as colunas de jornais aumentam a oferta de jovens, em proporção idêntica à procura por tais serviços. O difícil vai ser abandonar o ofício para tentar a vida como jornalistas, publicitários, RP's e radialistas. A não ser que as atividades caminhem em paralelo.

 

Abaixo, alguns dos estudantes do 3º período de comunicação social da UFMG que vêm se destacando pelo bom atendimento e exito profissional.
Obs.: Muitas vezes eles utilizam artifícios estéticos como lentes de contato, próteses, tinturas de cabelo, etc.