Histórias do tempo da faculdade

Nikolas Spagnol

   Uma entrevista de Adriane Galisteu, assim como outras loiras famosas, sempre reserva algumas "pérolas" de pura estupidez. Essa eu achei na Veja: "Eu queria ter feito faculdade. Não que eu sinta falta de livros, porque livro a gente compra na esquina e conhecimento a gente adquire na vida. Eu sinto falta de contar para os amigos essas histórias que todo mundo tem, do tempo da faculdade." Dá pra perceber que o conhecimento da última namorada de Senna foi adquirido nas passarelas da vida, cercadas de flashes, glamour e acima de tudo doses de senso comum de deixar o Massote louco de vida. O importante para ela não é a ciência, o pensamento, mas as conversas de botequim e as frases tiradas do horóscopo do jornal.
   Mas com um breve exercício de imaginação, poderemos realizar o desejo da modelo oportunista (acreditem, ela mesmo se definiu assim). Por um destes misteriosos milagres que só acontecem no vestibular, e graças ao "conhecimento que adquiriu na vida", Galisteu figuraria na lista de aprovados no curso de Comunicação da UFMG de 98, no lugar de nosso estimado Daniel Calado (fica pra próxima, Mudo). Não é uma hipótese tão absurda, já que até bem pouco tempo Tiazinha estudava jornalismo em São Paulo. Em primeiro lugar, seria mais fácil achar a Iva, a Alma, a Daniela (do forró) e todo mundo do período "x-fatorial" na mesma aula do que a apresentadora do Quiz MTV dar as caras na nossa Fafich, visto que seus "compromissos profissionais" vêm em primeiro lugar. Mas pelo menos um dia ela teria que visitar nosso templo de sabedoria, e torcer o nariz habituado às fragrâncias de Paris (pronuncia-se "parrrrí", com leve sotaque "frrancê") para o seu odor característico de excrementos felinos que adubam o intelecto dos pensadores mineiros (eu sei que é escatológico, mas eu sempre quis escrever isto...).
   
E o que Galisteu teria de histórias pra contar, depois de abandonar o curso prematuramente? Bom, ela não se esqueceria de um cara de nome bíblico que sempre a chamava para um "jantar romântico" no bandeijão. Ou de ter sido a primeira a não cair no infalível plano M3CMO de Adriano. Ou da vez que Camila tirou o sapato e lhe mostrou os carrapatos que adquiriu em uma fazenda na sua cidade natal. Ou do cheiro "estranho' de um corredor onde as portas tinham o curioso aviso de que "estamos em aula". Dos imundos banheiros da Letras, onde invariavelmente não tinha papel (tarde demais...). Da vez que lhe deram uma folha para assinar e ela perguntou: "pra quem é o autógrafo?" e responderam: "isto é a lista de presença". Da vez que o Mitsubish que ela ganhou do namorado empresário não conseguiu pegar (devia ter um gato dentro do motor) e ela teve que pegar carona em um carro nacional com mais de dez anos de uso. De seus colegas que não demonstravam nenhum constrangimento em ler durante a aula uma revista pornográfica, certamente de extremo mau gosto, chamada Bundas. E finalmente se lembrará de ter presenciado uma antológica discussão sobre bosta e merda que a fez desistir do curso.