Insônia
Cada coisa que você faz quando tá sem sono... Ligar o computador de novo, mesmo quando já tinha desligado e começar a escrever uma crônica que talvez nem seja publicada em lugar algum, ou que talvez nem uma crônica seja. Talvez seja um final pro livro do Veríssimo "O Jardim do Diabo", excelente livro, sem final, mas um excelente livro.
Coisa estranha, antigamente, lá pelos meus 14, quando eu li meu último livro de mistério (O Cão do Baskervilles) eu nunca conseguia adivinhar o final. Nesse, O Jardim, no meio, eu já tinha adivinhado o final, ou ao menos um possível final. O Veríssimo é o máximo mesmo, faz um livro com uns oito finais diferentes... Devia ter lido ele e não o Conan Doyle, ao menos não ia ser frustrado com livro de mistério. Pelo menos deu para perceber que o cérebro precisa de combustível para funcionar... Mas lá vou eu divagando, ia fazer um final pro livro, mas já tô desanimando, vou fazer um conto inútil qualquer. Sei lá, alguma coisa previsível, algo que esperam de mim. Mortes, heróis, mocinhas peitudas... alguma coisa que se enquadre no meu estilo, crônicas sem pé-nem-cabeça são coisa do Millen. Por falar em Millen, ele escreve igual ao Veríssimo e por falar em Veríssimo e em escrever igual, cadê meu lado Rubem Fonseca de ser... Já sei, vou escrever sobre dois sujeitos, um policial meio mal e um traficante meio bom, os dois se juntam para solucionar um crime. SOLUCIONAR UM CRIME!!!! Por que diabos o traficante ia solucionar um crime, droga, humm... talvez um assassinato, é isso, a amante dos dois foi assassinada e eles decidem se juntar para descobrir quem matou... Meu lado publicitário de ser, chupando idéia de capa de revistinha, Batman e Super-homem... Fazer o que né? Idéia vem de todo lugar. Vamos ver os dois descobrem que eles eram chifrados pela mulher no enterro da mesma, o policial investigava o traficante. Beleza! Mas como os dois foram conhecer a mesma mulher e não sabiam disso? Hummm... droga!
Certo, parte visual necas... talvez na minha memória, um deixa eu ver... memória é uma coisa engraçada, só vem quando você não espera, é igual parente chato. Se bem que ultimamente nem se precisa de memória, tá tudo no computador, inclusive fotos que você pensou ter rasgado e apagado, hoje em dia, de repente...Pimba! Olha as fotos no disquete... ê tristeza de memória... será que se eu pegar um conto antigo e alterar alguém vai perceber? Não, isso não, faz uns 15 minutos que esse computador tá ligado e amanhã eu tenho aula do César, tem que sair alguma coisa. Eu não queria apelar para a ficção pura, mas lá vai...Hummm... Certo "São duas da manhã e a chuva fustiga (fustiga! essa palavra existe?) o meu corpo. As gotas ricocheteiam (influencia de Super-Homem?) na minha pele dura, sobre 30 andares eu fito minha cidade: Belo Horizonte. Faz 20 anos e ela continua a mesma. Agora, sobre o prédio que eu sou obrigado a chamar de casa, eu repenso a minha vida e me lembro dos acontecimentos que culminaram no meu auto-exílio e à perda da minha humanidade..." Porra! 2 e 15 da matina, deixa pra lá, vou é dormir... amanhã tenho aula cedo. Esse negócio de escrever pro Gardenal é coisa do Millen e do Nikolas (é assim que se escreve?).