MICTÓRIO
DA IMPRENSA
20|agosto|2000
Só para variar um pouco, nossos principais jornais deram um enfoque bastante "diferenciado" ao depoimento de Eduardo Jorge na subcomissão do Senado, no último dia 3. Enquanto Globo, JB e Estadão deram manchetes similares à do nosso Estado de Minas, O Dia, jornal mais vendido do país, deu manchete inversa. Alguém já disse que não há fatos, e sim interpretações, mas o fato é que essas constantes contradições nas manchetes dos jornais mostram que os fatos, existentes ou não, estão chegando nas manchetes dos jornais totalmente distorcidos por interesses políticos e econômicos.
Pobre de quem só lê um jornal e acha que está por dentro dos fatos....
25|junho|2000
"And the Urinoscar goes to..."
(breve registro de tragédias recentes, dentro e fora do ônibus)Melhor cobertura jornalística, categoria flagra (impresso): O Globo, com foto de Sandro sendo jogado, vivo, para dentro do camburão
Melhor cobertura jornalística, categoria flagra (TV): Band. Sim, o canal do esporte, que também transmitiu ao vivo o sequestro, teve a narração mais idônea e racional que um momento de tensão pede. Parabéns ao Paulo Henrique!
Melhor cobertura jornalística, categoria comentário: Rede Record. Sim, o jornalista-mor da TV Universal do Reino de Deus (leia-se Boris Casoy) deu um show ao falar, na segunda e na terça, o que a Veja só teve capacidade de dizer uma semana depois. Esse Casoy é muito macho, mesmo! Conseguiu distribuir eficientes bordoadas na PM e no governo, em comentários muitas vezes improvisados! Por que foi sair das Emissoras Abravanel? Eu poderia aprender muito com ele...
Melhor chororô: Globonews, com a lacrimosa Patrícia Riche fazendo a narração in loco do acontecimento....
Melhor dejavù: Veja. Conseguiu repetir tudo o que foi falado nas outras mídias e não acrescentar absolutamente nada! E isso com uma semana de punheta em cima do assunto...
Bruno Cardenas Angrisano - 25-06-2000
29|maio|2000
Eis as quatro últimas capas da Veja. A mais antiga encalhou nas bancas, em parte porque todo mundo já tava de saco cheio dos 500 anos, em parte porque quase ninguém entendeu se o título "Fiasco Maravilhoso" era irônico ou se era sério mesmo. Mais prevenida, a revista premiou seus assinantes e as bancas de jornal com anti-comunismo barato, o pensamento vivo de Sílvio Santos e, por fim, sexo.
Henrique Milen - 21.05.2000
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Erros de grafia são comuns nos jornais mineiros, e saiu na capa do Estado de Minas: "Uatki, a vanguarda do som". O pior é que o Uakti, e não "Uatki", existe há 22 anos e deve estar nessa tal "vanguarda do som" há pelo menos uns 15. É por essas e outras que o cara do Biquíni Cavadão lê o jornal que é de ontem mas, para ele, tanto faz.
Henrique Milen - 20.05.2000
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Um anúncio da Globo nos jornais de domingo quase me fez rir:"O IBOPE CONFIRMA:
O povo brasilerio prefere a programação com a cara do Brasil. Em abril de 2000 - assim como em janeiro, fevereiro e março - a audiência da Globo cresceu no horário nobre. É a preferência por programas com temas brasileiros, feitos por brasileiros. É a nossa cultura garantindo mercado de trabalho para a nossa gente. Globo. 35 anos no coração do Brasil."Só para relembrar, já que deve haver alguém que se lembre de algo anterior ao Plano Real: durante a década de 80, Jô Soares estrelava na Globo o "Viva o Gordo", audiência absoluta nas noites de segunda. Foi contratado a justo peso de ouro pelo SBT, com toda a sua equipe, no começo de 88, para fazer o mesmo programa, no mesmo horário. A Globo contra-atacou lançando "Tela Quente", anunciando os até então inéditos "O Retorno de Jedi", "Indiana Jones", "Alien", "Blade Runner" etc numa época em que o povão não tinha videocassete. "Tela Quente" massacrou o programa de Jô Soares.
O humorista, vendo mais perspectivas no seu recém-lançado talk-show de fim-de-noite (razão de sua ida para o SBT), ao mesmo tempo em que era acuado por blockbusters, cancelou seu ótimo humorístico pouco tempo depois. "Tela Quente", que em geral é morna ou fria, está aí há 12 anos.
A Globo prefere "programas com temas brasileiros, feitos por brasileiros" só quando lhe convém. Qualquer incômodo ao seu monopólio no bolo publicitário, recorre a Hollywood ou ao que quer que seja, brasileiro ou não, empregando "nossa gente" ou não.
O feitiço, porém, virou contra esta feiticeira: "Striptease", um filme besta estrelado por Demi Moore e exibido recentemente pelo SBT, surrou "Casseta & Planeta", "Jornal da Globo" e, ironicamente, "Jô Soares".O castigo não vem a cavalo, e sim no casco da tartaruga: demorou mais de uma década.
Henrique Milen - 14.05.2000
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Não deu pra ir no aniversário da Paulinha, mas em compensação pude ver o especial "TV - Ano 50" na Globo (ei, não estou sendo irônico!), sobre o telejornalismo. Apresentado e dirigido por Pedro Bial, o documentário até que foi magnífico. Pode ganhar uns prêmios, aqui e fora. Do alto (ou melhor, daqui de baixo) do meu sétimo período, admito que babei.
Mas como estamos num mictório, mijemos: era esperado e compreensível que se ignorasse o debate presidencial de 1989 quando o assunto era o "JN". Novidade foi terem ignorado até a existência do ex-presidente Collor. Se a censura dos militares teve amplo destaque, e se até Brizola apareceu de relance, voltando do exílio, como varrer para debaixo do tapete um homem e um evento assim tão...televisivos?
Quanto aos importantes e elucidativos depoimentos de Boris Casoy, Sílvio Luiz e Marília Gabriela, queria ver se a Globo é homem suficiente para encarar alguém da BBC, especialmente se tiver algo a ver com um tenebroso documentário de 1992 sobre o Doutor Roberto (adivinha quem comprou e detém os direitospor aqui?). Ok, ok. Enquanto o que importa não importa, vamos nos emocionar com Galvão Bueno relembrando o que sentiu quando Senna bateu em Imola.
Henrique Milen - 13.05.2000
10|maio|2000
manchetes do dia: 3.05.2000
Se fossem hospitais, o paciente teria recebido alta de um e o atestado de óbito de outro. Nem adianta culpar o governismo do JB, pois os mesmos jornais voltaram a dar notícias contrárias, desta vez sobre o MST, com a Folha do lado do governo.Meias-verdades que se neutralizam:
eis o JORNALISMO BRASILEIRO
Henrique Milen